Escravos em São Bento e Campo Alegre

Um pequeno artigo publicado no Jornal A Gazeta, de São Bento do Sul, no dia 18.05.2009, lembrando dos primeiros negros que habitaram a nossa região:

Escravos em São Bento e Campo Alegre

Quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, também houve quem se beneficiasse em São Bento e Campo Alegre. Afinal, alguns escravos também moravam na região. Seus proprietários, naturais de São José dos Pinhais e da Lapa, moravam ao longo da Estrada Dona Francisca, em Mato Preto, Bateias, Avenquinha e outros bairros mais afastados. Nesses lugares, dispunham de mão-de-obra escrava – que não era muita, mas realmente existia.

Está visto que, apesar da distância, os brasileiros se relacionavam com os imigrantes de São Bento. Os primeiros cargos públicos da cidade foram ocupados por paranaenses, e alguns deles eram proprietários de escravos. É o caso de Francisco Teixeira de Freitas, primeiro subdelegado de São Bento, e que possuía, na sua fazenda em Avenca, um escravo chamado Raphael. Francisco de Paula Pereira, um dos primeiros Juizes de Paz da cidade, morava na Estrada Dona Francisca e foi proprietário, entre outros, da escrava Gertrudes.

Gertrudes protagonizou um dos raros casamentos envolvendo escravos em São Bento. Foi necessária a autorização do proprietário para que ela se casasse com Antônio Fernandes de Quadra – um homem livre. O escravo Francisco, que pertencia a Thomas Umbelino Teixeira, chegou a se casar duas vezes em São Bento, ambas com mulheres livres – uma antes da abolição e outra depois, quando já era considerado liberto.

Esses proprietários vinham de famílias tradicionais, que mantinham relações entre si e há muitas gerações dispunham de serviço escravo. A família Teixeira, por exemplo, era descendente de Nazário Teixeira da Cruz, que em 1790 possuía 10 escravos em São José dos Pinhais.

Embora os escravos não morassem no centro de São Bento, era possível que seus proprietários os levassem até lá para receber atendimento médico do Dr. Wolff. Foi o que aconteceu com a escrava Rita, pertencente a Antônio Carneiro de Paula, e que acabou falecendo em São Bento e sendo sepultada no mesmo cemitério dos primeiros imigrantes.

Além dos citados, sabe-se quem também possuíam escravos Antônio Ferreira de Lima, Manoel Ignácio de Souza, José Affonso Ayres Cubas, Francisco Carvalho de Assis, Manoel Vaz de Siqueira, Maria Joaquina do Nascimento e provavelmente o Tenente Coronel Joaquim Pinto de Oliveira Ribas. A constatação da existência da escravidão na região merece estudos específicos e representa novas possibilidades para se entender as relações sociais mantidas pelos primeiros moradores da cidade e, assim, contribuir com o conhecimento da nossa história.

Henrique Luiz Fendrich

3 pensamentos sobre “Escravos em São Bento e Campo Alegre

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