O duplo incêndio de Casemiro Waldmann

Casemiro Waldmann foi um dos 70 imigrantes pioneiros de São Bento do Sul – aqueles que partiram de Joinville para dar início a uma nova colonização no topo da serra. Era natural de Waldowsko, na Prússia Ocidental. Havia imigrado ao Brasil com a esposa Maria Kleszczewska e seus filhos a bordo do Terpsichore, em 1873. Construiu a sua casa na Estrada Wunderwald. Como todos os imigrantes, passou pelas privações iniciais. Naquele ano de 1882, no entanto, já se encontrava em situação melhor. Mas Casemiro não sabia que todo o seu trabalho no Brasil seria perdido.

Alguém de sua família havia deixado lenha empilhada na chapa do fogão, para secar mais rápido. Por um descuido, a lenha pegou fogo. Em poucos minutos, toda a casa foi destruída, não restando nada além de cinzas. Casemiro e sua família conseguiram se salvar, mas perderam tudo o que tinham.

Diante disso, só restava a eles passa a morar provisoriamente no rancho construído anexo à casa, e que não havia sido queimado. A imprensa e a população da região se sensibilizaram com a história da Casemiro, e logo passaram a chegar donativos vindos de Joinville, Campo Alegre e São Bento.

Esses donativos foram colocados no próprio rancho em que a família se instalara. Mas não demorou muito tempo e também ali iniciou-se um incêndio, iniciado não se sabe como, e que destruiu completamente o rancho, e também dinheiro, roupas, camas e mantimentos doados pela população da região. Casemiro perdera tudo de novo.

O que já era ruim, ficara pior. Tudo leva a crer que, na ocasião, sua esposa Maria estava grávida – um filho seu iria nascer em novembro de 1882. A situação exigia medidas emergências. Imediatamente, organizou-se uma comissão para angariar objetos, dinheiro, móveis, víveres e dinheiro para a família.

Foi essa comissão composta pelos colonos Wilhelm Fuckner, Anton Zipperer, Joseph Breszinski, Joseph Faralich, Vincent Czapieski, Joseph Konkel, Thomas Cherek, Anton Duffeck, Anton Stuiber, Joseph Jelinski e Jacob Pilat. Por intermédio dos jornais Kolonie-Zeitung e Gazeta de Joinville, a comissão mais uma vez conseguiu apelar à generosidade da população joinvillense.

Pela segunda vez, a família de Casemiro conseguiu a ajuda necessária e, agora sim, conseguiu se salvar da miséria.

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