Apontamentos para uma biografia do Cel. Osny Vasconcellos

O Coronel Osny Vasconcellos nasceu em São Bento do Sul no dia 15.06.1918. Era o filho caçula de Luiz de Vasconcellos, o “prefeito-deputado”, natural de Baturité, no Ceará, e sua esposa Maria Linzmeyer, de Oxford. Seu avô materno, Josef Linzmeyer, o cervejeiro, costumava lhe contar muitas histórias antigas de São Bento do Sul, sendo que uma das mais marcantes para o pequeno Osny foi a da passagem da Revolução Federalista pela cidade em 1893.

Quando criança, estudou no Grupo Escolar Orestes Guimarães. Aos 11 anos, em janeiro de 1930, Osny Vasconcellos fez um cursinho preparatório visando o exame de admissão no Colégio Militar do Rio de Janeiro, famoso pela rigidez na avaliação. O exame foi em fevereiro, e Osny viajou até o Rio de Janeiro de trem, na companhia do seu pai, passando por Mafra, Lapa e Serrinha, onde pernoitaram. No dia seguinte, pegaram um trem que os levou de Curitiba a São Paulo, e de lá para o Rio de Janeiro.

Apesar da concorrência, conseguiu passar no exame de admissão logo na primeira tentativa, e foi então admitido no Colégio Militar. Osny não atribuía esse sucesso ao cursinho preparatório, mas à base que recebeu quando estudava no Orestes Guimarães. No Colégio Militar do Rio de Janeiro, Osny permaneceu por seis, convivendo com garotos de todas as partes do Brasil. Nas horas vagas, emprestava livros na Sociedade Literária do lugar. Um pouco antes de concluir o seu curso, Osny chegou a fazer parte da diretoria dessa Sociedade.

Sem parentes no Rio de Janeiro, Osny passava os fins de semana no próprio Colégio Militar. No sábado pela manhã, ele e os demais garotas praticavam esportes, como futebol, basquete e atletismo. À tarde e a noite eram preenchidas com estudos, até as 21h30. Nesse horário, era servido a eles mate com pão no refeitório do Colégio. Em seguida, recolhiam-se.

Parece ter continuado morando no Rio de Janeiro e lá iniciado sua carreira no Exército, embora sempre estivesse visitando São Bento do Sul durante as suas férias. Na virada de 1944 para 1945 foi transferido para o porto de Imbituba, em Santa Catarina, onde ficou apenas dois meses e meio. Isso porque conseguiu aprovação na Escola de Estado Maior do Exército, localizada entre o Pão de Açúcar e o Morro do Lema, onde começa a Praia de Copacabana.

Próximo ao ano de 1948, Osny recebeu uma carta de Alda Moeller, Ervino Treml e Irineu Zimmermann, seus amigos, convidando-o a escrever um artigo histórico a ser publicado na Revisita Comemorativa aos 75 anos de São Bento do Sul – na época, chamada de Serra Alta. Como estava mais folgado nos estudos, começou a trabalhar para atender o convite. Escreveu então artigo intitulado “Serra Alta e a Revolução Federalista de 1893/94”. A publicação desse artigo estimulou Osny Vasconcellos a continuar escrevendo outros para os jornais da época. Esse material seria aproveitado futuramente no livro que escreveu.

No começo de 1950, foi mandado servir na cidade da Lapa, justamente aquela em que se desenrolaram os episódios finais da Revolução Federalista. Lá ficou até maio de 1952, aproveitando para estudar mais a fundo toda a história do confronto. Munido dessas informações, escreveu uma radiofonização para a história, a fim de ser levada ao ar pela Rádio Legendária, daquela cidade. O programa continha o diálogo de personagens envolvidos no episódio, e foi apresentada justamente quando o juiz Antônio Tibúrcio Gomes Carneiro, filho do General Carneiro, estava na Lapa.

Na década de 50, Osny encabeçou o movimento que visava a construção de um obelisco com uma placa alusiva junto a entrada do Grupo Escolar Orestes Guimarães, em homenagem a Luiz Stoerbel, o pracinha que faleceu durante a 2ª Guerra Mundial, e que havia estudado naquela escola, onde foi companheiro de Osny. A inauguração do monumento alusivo a Stoerbel aconteceu no dia 24.11.1955.

Em agosto de 1963, Osny Vasconcellos concluiu seu curso de Estado Maior em Hambugo, na Alemanha. Os alemães ofereceram-lhe então um estágio suplementar de 3 meses no Quartel General que ele bem entendesse. Escolheu então a IV Divisão Panzergrenadier, que tinha quartel general em Regensburg, na Bavária, e as unidades da Divisão ao longo da fronteira tcheca. Era uma oportunidade perfeita para conhecer a terra dos seus ancestrais, o que foi feito e também relatado em seu livro.

Em 1972 integrou uma numerosa comitiva da Escola Superior de Guerra numa viagem à Itália. O convite viera do próprio Exército daquele país e da empresa FIAT, que acabara de inaugurar uma de suas fábricas em Belo Horizonte.

Em parceria com Alexandre Pfeiffer, escreveu o livro “São Bento – Cousas do Nosso Tempo”, lançado em 1988 e com segunda edição em 1991. O livro, além de abordar e revisitar os temas da história de São Bento do Sul, muitos já conhecidos através das obras de Zipperer, Ammon e Ficker, e outros até então inéditos, deu a eles uma roupagem bastante intimista e humana. Nele constam muitos dos artigos e temas abordados por Osny ao longo de sua vida. Destaca-se que foi ele o primeiro historiador a tentar entender a ocupação e origem dos primeiros brasileiros da região de São Bento do Sul.

Osny Vasconcellos casou-se com a pintora surrealista Arlete Reis Neto, com quem teve três filhas: Elisabeth, casada com Carlos Luz; Angela, casada com Vicente Brito Pereira, e que foi Miss Brasil em 1964; e Renata Vasconcellos. Teria se casado pela segunda vez com Ingeborg Tode, sem geração.

Faleceu no Rio de Janeiro aos 10.03.1993 e foi sepultado no Cemitério Municipal de São Bento do Sul.

Recebeu em sua homenagem o nome de uma escola no Bairro Progresso, a mesma em que ele havia sido o intermediador para o repasse de recursos financeiros junto ao então ministro Ney Braga.

7 pensamentos sobre “Apontamentos para uma biografia do Cel. Osny Vasconcellos

  1. Muito interessante a história deste são bentense tão ilustre, nunca imaginei que apessoa atrás do nome da escola tinha uma história tão rica, até com filha Miss Brasil. Procurei ela no Google e ela menciona São Bento e região com carinho nas suas origens. Você planeja publicar uma biografia dele?

    Ps: Será que ainda encontro o livro dele com o Pfeiffer a venda?

  2. Vanisa, a Angela nasceu em Curitiba e era a Miss Paraná quando ganhou o Miss Brasil. Parece que se sentia meio deslocada nesse universo dos concursos de beleza: http://www.voy.com/46231/1/695.html. Era (ainda é) pessoa bastante culta. Na verdade, não tenho intenção, pelo menos por agora, de escrever uma biografia. Mais pra frente, se pintar oportunidade de ter acesso a novas informações, quem sabe. O livro “Cousas do Nosso Tempo” está esgotado, então só se por acaso alguém vender pra um sebo, ou achando alguém que tenha. Infelizmente, porque é um livro que merece ser mais conhecido.

  3. Acho que o fogão de lenha e maçã seca é coisa daqui, minha oma também fazia isso rsrsrrs
    A biblioteca municipal pode ter esse livro né? Qualquer hora vou lá.

    Obrigada

  4. Sim, acho que na biblioteca tem! Aliás, a Biblioteca é Luiz de Vasconcellos, o pai do Osny =).

  5. Que interessante. Fiquei pensando, um cearense veio para cá e casou com uma descendente européia. O pessoal daqui não tinha preconceito? Os meus tataravós e bisavós, pelo que lembro, eram bem racistas com os brasileiros. Era muita ignorância, acredito que devido a falta de acesso a cultura pela pobreza deles. Mas isso não era a regra então? Tinha imigrantes mais esclarecidos na época?

  6. Vanisa, ainda quero escrever um pouco mais sobre o Luiz de Vasconcellos, mas ele na verdade já chegou em São Bento como um homem “de elite”, que foi nomeado para cuidar do Cartório da cidade. Em geral, boa parte dos cargos públicos de SBS nos primeiros anos eram ocupados por gente de fora, brasileiros, que arrumavam então casamento com as moças filhas de imigrantes, e assim se estabeleciam e “entravam” na sociedade local.

    Por outro lado, sempre havia muitos brasileiros na região de SBS, e havia casos de amizade com os imigrantes. O João Filgueiras de Camargo, figura célebre na época, tinha bom relacionamento com os alemães. Nem sempre havia conflitos, embora houvessem muitos, especialmente no começo e por questões de terra. Esses primeiros brasileiros, todos paranaenses, também comandaram a política local nos primeiros anos, que não despertava muita atenção dos imigrantes.

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