Joaquim de Salles, o ex-padre que foi prefeito de São Bento

O cearense Joaquim de Salles foi prefeito de São Bento do Sul. Quando, ninguém ter certeza ainda. Diz a Revista Comemorativa dos 75 anos de São Bento do Sul (ou seja, feita em 1948) que foi entre 06.04.1939 e 22.12.1942, e depois entre 09.01.1943 e 22.12.1945.  Teria sido prefeito por mais de seis anos, portanto. A professora Maria Elita Soares, no entanto, embasada em documentos do Arquivo Histórico de São Bento do Sul, cita Joaquim de Salles como o prefeito entre 06.01.1942 e 31.01.1943. Recentemente, o historiador José Kormann o colocou entre 1939 e 1942, apenas.

Além do período de sua gestão, a figura de Joaquim de Salles também não é lá muito conhecida na cidade.  Ele seria cearense, mas não sabemos ainda de que lugar. Sabemos que Joaquim foi padre no Paraty, atual cidade de Araquari. Lá, teria se encantado por Idazima Sprotte, filha de Germano Sprotte e Rosa Eugênia Corrêa. Pela sua condição de padre, acabou tendo de deixar o Paraty, possivelmente por ordem do bispo.

Mas Joaquim não deixou apenas o Paraty, como a própria batina. Não quis mais ser padre. E voltou para a cidade a fim de pedir a mão de Idazima em casamento. Num primeiro momento, o pedido não teria sido aceito. O ex-padre, no entanto, insistiu e acabou conseguindo. Casou-se enfim, e com sua esposa teve três filhos. Idazima faleceu no parto do terceiro deles. As informações são de Paulo Maia, descendente de um tio de Idazima.

Nos anos 50, Joaquim de Salles já se encontrava na cidade de Blumenau, onde foi professor de português no Colégio Dom Pedro II. Quem afirma é o memorialista Niels Deeke. Joaquim era pessoa bastante respeitada na cidade. Sua condição de ex-padre era conhecida de todos. Mantinha contato com o padre franciscano Frei João Capistrano Binder, professor de português no Colégio Santo Antônio.

O pesquisador Aguinaldo Fidélis comentou em lista de discussão que foi aluno, entre 1955 e 1958, de Joaquim de Salles no Ginásio Estadual Dom Pedro II. “Não era alto, tinha compleição forte e cerca de 50 anos. Casado, tinha pelo menos um filho, colega nosso no ginásio, cujo nome já não lembro. O professor tinha um sotaque e ‘cabeça chata’ que lembrava um nordestino brasileiro. Fumava uns charutões fedidos, inclusive durante as aulas”, relatou.

Ainda segundo Deeke, no começo de 1955 Joaquim de Salles, após acordo firmado com a prefeitura, foi autorizado a confeccionar um “Guia da Cidade de Blumenau”, que tinha como objetivo incentivar o intercâmbio turístico e orientar os visitantes da cidade.  No dia 30.11.1961 Joaquim de Salles recebeu o título de “Cidadão Bluemenauense” em solenidade na Câmara Municipal da cidade. Em 1964, era presidente da Associação de Imprensa e Rádio do Vale do Itajaí.

Essas são, até o momento, as informações biográficas que conseguimos coletar a respeito de do prefeito Joaquim de Salles. Curiosamente, não foi ele o primeiro cearense a comandar São Bento do Sul: entre 1915 e 1930 o prefeito foi Luiz de Vasconcellos, de Baturité/CE.

Joaquim de Salles tem em sua gestão a marca de ter criado em São Bento o “Jardim Getúlio Vargas”, nome da atual praça, e que infelizmente permanece até os nossos dias.

Em sua homenagem, Joaquim de Salles ganhou o nome de uma rua em Araquari. A rua é acompanhada do qualitativo “Prefeito”, referindo-se à sua atuação em São Bento.

4 pensamentos sobre “Joaquim de Salles, o ex-padre que foi prefeito de São Bento

  1. Sou bisneto do Professor Joaquim de Salles, adorei a matéria! Parabéns!!!

  2. Olá, eu nome é Marilse de Salles Kraemer Fenilli, sou neta de Joaquim de Salles, adorei ter lido sobre meu avô. Se tiverem interesse de saber os dados corretos temos como informá-los, os três filhos ainda estão vivos e poderiam fornecer. Obrigada!

  3. Meu nome é Carina de Salles Kraemer, sou neta do ex padre, prefeito e professor, Joaqum de Salles, adorei a matéria, gostaria muito de corrigir e adicionar algumas inflamações, fico a disposição

  4. Boa tarde, sou Joaquim de Salles Kraemer, também neto do Professor Joaquim de Salles, também gostei muito de ler a matéria sobre a cidade de São Bento do Sul que faz parte da história e vida do meu avô. Gostaria de informar que a minha vó Edazima não morreu no parto e que suas filhas ainda vivem em Blumenau e que poderiam contribuir com a história de São Bento do Sul, caso seja do interesse. Obrigado

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