A origem dos primeiros habitantes

Na tentativa de melhor verificar a origem dos primeiros moradores de São Bento, e com o objetivo de testar a hipótese de que o elemento nacional chegava inclusive a superar o estrangeiro no tempo da colonização, iniciei um trabalho estatístico tendo como referência, nesse primeiro momento, os livros de batismo da Igreja Católica de São Bento.

Esses livros de batismo começam em 1876. Naquele ano, o Padre Carlos Boegershausen partiu de Joinville e subiu a serra três vezes para fazer batizados em São Bento: em março, agosto e novembro, ocasião em que também fez batizados pela primeira vez numa ermida em Campo Alegre. No total, naaquele ano foram batizadas 103 crianças.

O resultado da análise desse primeiro ano de registros foi o seguinte:

52,4% dos registros são de filhos de brasileiros.
47,6% dos registros são de filhos de imigrantes.

Este é um indicativo da maciça presença de paranaenses na região, já naqueles primórdios, e que pode ou não ser reiterado nos anos seguintes, ainda não analisados.

Quanto à origem, esses brasileiros se dividiam da seguinte maneira (havia casamentos com pais de origem diferente, por isso há uma diferença na porcentagem):

83,3% dos registros tinham pais de São José dos Pinhais
11,1% dos pais eram brasileiros sem origem identificada
3,7% tinham pais de São Francisco do Sul
3,7% tinham pais da Lapa
1,8% tinham pais de Campo Largo
1,8% tinham pais do Iguassu (Araucária)
1,8% tinham pais de Paranaguá
1,8% tinham pais de Pernambuco

Os números confirmam o predomínio das figuras de São José dos Pinhais, sendo bastante provável que a maioria dos mais de 11% não identificados também tenham a sua origem nesta cidade paranaense. Em menor número, havia paranaenses  de outras cidades, e em um caso isoladíssimo havia um senhor de Pernambuco. Os pais de São Francisco do Sul citados neste 1876 tinham passagem por São José dos Pinhais antes de aparecer em São Bento. Apenas em anos posteriores haveria migração de lá para o topo da serra.

Com relação à moradia desses brasileiros:

40,7% aparecem apenas como moradores do distrito de São Bento
16,6% moravam em Bateias
11,1% moravam em Rio Negro (São Bento)
7,4% moravam em Ribeirão do Meio
3,7% moravam em Rio Turvo
3,7% moravam em Trupeiraba (São José dos Pinhais)
3,7% moravam em Lençol
1,8% moravam em Campo Alegre (sede)
1,8% moravam em Avenca
1,8% moravam em Avenca do Rio Negro
1,8% moravam em Queimado
1,8% moravam em Bateias de Cima
1,8% moravam em Ambrósios (São José dos Pinhais)
1,8% moravam em Rodeio Grande

Note-se que, a despeito de grande parte dos registros não especificarem o local de moradia dentro do distrito de São Bento, a maior parte desses brasileiros habitavam regiões mais afastadas do núcleo da sede, e que muitas delas pertencem hoje à cidade de Campo Alegre, e outras tantas sequer chegaram a pertencer a Santa Catarina, sendo desde o início localidades de São José dos Pinhais. As famílias dos habitantes de Lençol se tornariam os primeiros brasileiros a ocupar a região que hoje se conhece como Rio Negrinho.

Em relação aos registros de batismo de crianças filhas de imigrantes, encontrou-se:

40,8% dos registros tinham pais da Prússia Ocidental
36,7% tinham pais da Boêmia
14,3% tinham pais da Galícia
6,1% tinham pais da Bavária
4,1% tinham pais da Pomerânia
4,1% tinham pais de Brandenburgo
2% tinham pais do Tirol

Os imigrantes da Prússia Ocidental que vieram para São Bento do Sul eram o que hoje chamaríamos de poloneses, somando-se a eles os da Galícia, o que resulta em maioria dos registros de batismo de filhos de imigrantes em 1876 na cidade.

Com relação à moradia desses imigrantes:

51,2% moravam na Estrada Wunderwald
28,6% moravam na Estrada da Serra
8,1% moravam na Estrada Argolo, ou Estrada de Comunicação
4,1% moravam no distrito de São Bento (sem indicação de lugar)
4,1% moravam na Estrada Rio Negro
2% moravam na sede de São Bento
2% moravam na Rua de Blumenau

O resultado da moraria desses imigrantes confirma a origem para eles apresentadas, uma vez que a Estrada Wunderwald também era conhecida por “Estrada dos Polacos”, etnia que, como visto, dominou os registros de batismo para imigrantes no ano de 1876. Os boêmios, etnia germânica de maior predominância na cidade, também chegaram a habitar a mesma estrada, mas neste ano eram maioria mesmo na Estrada da Serra e nas demais localidades.

A análise dos registros de anos posteriores deve dar um panorama mais claro da identidade daqueles que primeiro habitaram a nossa região. Em breve, esses resultados de 1876 serão confrontados.

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