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Posts Tagged ‘Banda Treml’

Artigo publicado na Folha do Norte de 30.04.2013.

A família Treml nos 100 anos da Banda

Neste Dia do Trabalhador, comemora-se a impressionante marca de 100 anos da Banda Treml. A iniciativa de João Treml tem origem numa antiga bandinha que Jorge Zipperer mantinha e que acompanhava as atividades da Sociedade dos Atiradores em São Bento. Com a mudança de Zipperer para Rio Negrinho, João Treml juntou outros músicos e reformulou a banda, que acabou levando o seu nome e dando início à trajetória que agora se celebra.

Era uma banda jovem que se formava naquele ano de 1913. O próprio João Treml tinha apenas 28 anos. Ele era um dos filhos nascidos no Brasil do operário Jakob Treml e de sua esposa Maria Böhm, imigrantes que vieram de Flecken, na Boêmia, a bordo do Humboldt em 1876. Ao chegar a São Bento, a família Treml se estabeleceu na Estrada Rio Negro.

Houve várias pessoas chamadas Jakob (ou Jacob) Treml na história da família. Além do pai, João Treml teve um irmão e dois sobrinhos com esse nome. Também era esse o nome do pai do imigrante Jakob Treml. Este Jakob, casado com Barbara Bachmeier, morou no terreno nº 29 em Flecken. Era filho de Josef Treml, casado em 1787 com Margaretha. Até o momento, Josef Treml é o ancestral mais antigo conhecido desta família Treml – é o bisavô de João Treml. Infelizmente não temos condições de saber se também havia músicos nesta história familiar.

No Brasil, é sabido que a tradição musical passou com louvor para a geração seguinte. Entre os filhos de João Treml, destacou-se especialmente Affonso Treml, o popular Xerife, regente por longo período da Banda Treml. Com sua esposa Emma Roesler, João Treml teve os filhos: Antônio (Toni), Ervino (Vino), Alexandre (Alex), Elfrida (Nêne) e Paulo (Pauli) Treml. Houve ainda vários filhos falecidos pequenos (João, Maria, Hilda, Amália e Alice).

A imagem a seguir, cedida por Diogo Roesler, retrata a família de João Treml na década de 20. À esquerda estão Vino e Xerife. O mais alto é o Toni. Abaixo dele, Pauli e Nêne. No canto direito, Alex.

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Quando Jorge Zipperer ainda era um moleque, seu pai Josef Zipperer deu a ele uma gaita de mão. Josef Zipperer não era músico, e por isso levou o filho para ter aulas com o colono Kasper Tauscher. Com ele, Jorge Zipperer aprendeu a tocar o instrumento. Aos 17 anos, Jorge aparece fazendo as molas para uma gaita de mão. Com esta gaita, tocou em ao menos uma domingueira. Alguns meses depois, este instrumento foi vendido a Carlos Klaumann e Jorge adquiriu uma nova com Guilherme Müller.

Em um domingo de 1897, Jorge Zipperer passou a tarde toda tocando gaita em companhia de Oswaldo Hoffmann. Também passou a noite de uma segunda-feira tocando com seu antigo professor Kasper Tauscher. Em um fim de semana, foi tocar a sua gaita na Estrada dos Polacos. Também animou a festa de casamento de Francisco Ronsberger e Catharina Bachel, na casa do noivo.

Mas a gaita começou a dar problema, e por isso Jorge a levou para o carroceiro Antônio Grosskopf, que a transportou até Joinville, onde foi consertada. Depois de três semanas, Jorge a recebeu de volta. Ele aparece ainda tocando o instrumento em sua própria casa, animando os familiares. Também tocou na casa de Benedicto Pscheidt, mas lá voltou a ter problemas com a gaita, que precisou ser consertada no dia seguinte.

No início de 1898, Jorge aparece fazendo música com Willy Bollmann e Werner Weber. Animou ainda o casamento de Carlos Sell e um baile à fantasia no Salão Linke. Em outra oportunidade, diz ter tocado com Carlos Hoffmann e Gustavo Lutz.

Em 1903, Jorge organizou e foi regente de uma banda de música que teve entre os seus componentes nomes como Hugo Fischer, Max Jakusch, João Wordell, João Linzmeyer, Guilherme Beckert, Antônio Beckert, Miguel Gschwendtner, Aloís Kollross, Ernest Bollmann, Oswaldo Hoffmann Jr, Adolfo Weber Jr, Heinrich Weber, Alfred Tschöke e João Treml. Mais tarde os irmãos Carlos Ehrl Filho e Andreas Ehrl entraram no lugar dos irmãos Weber, que se mudaram. Também Carlos Zipperer, irmão caçula de Jorge, e Paulo Baum figuraram entre seus companheiros.

Esta banda foi criada em meio à Sociedade dos Atiradores de São Bento, animando eventos como as festas de Tiro de Rei. Em 1905 e 1910 existe o registro de que animaram a festa de aniversário da atual Sociedade de Cantores 25 de Julho. E continuaram animando eventos pela cidade, até que em 1912 o regente Jorge Zipperer e o também músico Andreas Ehrl mudaram-se a negócios para Rio Negrinho e, assim, saíram da banda. Vendo-se sem seu líder, a banda parece ter esmorecido. Foi quando João Treml reformulou a banda de Zipperer, admitiu novos músicos e formou assim aquela que ficou conhecida como Banda Treml, cujo centenário agora se celebra.

A Banda Treml foi formada em 1913 por uma geração bastante jovem, feita de músicos nascidos já no Brasil e herdeiros da tradição musical que seus pais procuraram preservar em São Bento desde a Banda Augustin, criada em 1876. Depois dela, houve uma geração de músicos que imigraram ainda crianças, mas que mantiveram o mesmo espírito musical na cidade, cultivando assim o interesse daqueles bem dispostos amadores que anos mais tarde se reuniriam sob a batuta de João Treml.

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Jornal Evolução, 26.04.2013

– Hoje, 14.09.1958, realiza-se novamente a Festa dos Atiradores, em São Bento. Mas, infelizmente, está chovendo outra vez, e eu estou, por assim dizer, obrigado a ficar chocando aqui. De certo que mesmo com a chuva eles se divertem. É sempre para mim um dia enjoado sabendo que a Banda está tocando em alguma festa e eu não posso ir.

Quem se lamenta assim é meu avô Herbert e a banda em questão é justamente a Treml. Desde 1954 ele fazia parte da banda. Sempre gostou muito de ouvir e um dia foi conversar com o Xerife para ver se podia ter umas aulas. O Xerife concordou e propôs que aprendesse bombardino. Herbert começou a ter aulas e a acompanhar os ensaios da banda. Só escutando mesmo. Depois é que começou a participar pra valer, tocando nos bailes, festas, retretas e nas tantas viagens que a Banda Treml fez pelo Brasil.

Mas nesta época ele ainda morava em Campinas dos Crispim, no município de Piên, e só com muita dificuldade conseguia se deslocar para São Bento e participar dos ensaios e apresentações. Quando chovia, o ônibus simplesmente não conseguia chegar até lá. A enchente não dava passagem. Normalmente, desde Fragosos já estava tudo alagado. Nessas condições, não havia nem mesmo como aproveitar uma carona, coisa que muitas vezes fazia, porque as passagens de ônibus estavam cada vez mais caras. Passava então dias aborrecidos em casa, imaginando a diversão dos companheiros. Uma vez chegou a faltar em três ensaios seguidos e levou uma bronca do Xerife – que depois entendeu e aceitou as suas justificativas.

Quando não havia jeito, ia de bicicleta mesmo. Levava cerca de duas horas e meia. Às vezes com o próprio instrumento amarrado às costas. De vez em quando a chuva o surpreendia no caminho. Um dia, além de pegar chuva, quebrou o eixo da bicicleta. E ainda havia o risco de perder a viagem. Quando não havia ensaio da Banda, o Xerife mandava avisar o meu avô pelo motorista do ônibus. Mas se o ônibus não aparecia em Campinas, ele não tinha como ficar sabendo. E foi o que aconteceu num belo dia, quando chegou de bicicleta em São Bento e foi avisado de que não haveria ensaio.

Tinha dia que precisava sair correndo. Num domingo, meu avô ouviu na Rádio Rio Negrinho que havia falecido o Otto Roesler. A banda já havia acertado que iria tocar no seu enterro. Foi o tempo de ouvir no rádio, se arrumar, pegar o bombardino, amarrá-lo às costas e partir de bicicleta rumo a São Bento para poder chegar a tempo de tocar.

No ano de 1960, meu avô se mudou para São Bento e, para o seu alívio, pôde então acompanhar com regularidade os ensaios e apresentações da Banda Treml. Ele continuaria participando até 1989 e deixou registrado em cadernos todos os eventos da banda neste período. Esta é só uma parte da história de um dos membros da Banda Treml, que certamente, ao longo destes 100 anos, teve outros tantos homens abnegados e dedicados à música e que, como meu avô, sentiam-se extremamente satisfeitos de, ao fazer parte dela, também representar o nome de São Bento do Sul pelo Brasil afora. Estas pequenas histórias individuais formaram a impressionante trajetória da banda que convém lembrarmos neste raro momento de centenário.

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Nesse dia 1º de maio, a Banda Treml completa 99 anos de atividade. É um marco extraordinário.  Seu início está diretamente ligado à atuação de Jorge Zipperer, que criou uma bandinha para animar as atividades dos Atiradores de São Bento.  Em 1912, Zipperer e seu sócio Andreas Ehrl Filho, também músico, mudam-se para Rio Negrinho e se veem obrigados a deixar a bandinha. É nessa ocasião que o alfaiate João Treml toma a banda para si, promove uma reformulação e cria o que hoje conhecemos como Banda Treml.

São músicos da primeira formação da Banda Treml, em 1913:  João Treml, Adolfo Weber Sênior, Luiz Bollmann, Bernardo Franz, Carlos Zipperer, Max Weber, Frederico Weber, Veith Volkrath, Willy Zimmermann, Alex Zschoerper, José Weiss, Carlos Zipperer Sobrinho, Carlos Ehrl Filho, Carlos Bollmann, Paulo Grossl e Henrique Schwarz.

Homenagem nos 50 anos da Banda Treml, em 1963. O primeiro na frente é desconhecido. Ao seu lado, Alexandre Weber, Hugo Fischer e João Treml. Atrás, Carlos Zipperer Sobrinho e Carlos Ehrl Júnior. 

Em 1935, o regente João Treml promoveu uma nova reformulação, sendo criada então uma espécie de  “Banda Treml Júnior”, como ficou conhecida.  Dessa geração, foram seu primeiros componentes: João Treml e seus filhos Ervino, Affonso, Alexandre e Paulo Treml, Alvino Ratzke, Luiz Grossl, João Liebl Filho, Ernesto Beckert e Erico Beckert, entrando logo mais tarde Ornith Bollmann, Otto Roesler Filho, Egon Redlich, Eduardo Kollross, Antônio Nascimento e seus filhos José e Irineu.

A Banda passou por dificuldades durante a Segunda Guerra Mundial, pois todo o repertório era em alemão. Nesse período, durante a Semana da Pátria, um dos prefeitos de São Bento pediu que tocassem retretas na praça, no que foi atendido. A partir dos anos 50, esses eventos começaram a acontecer semanalmente no verão, sempre às quarta-feiras, o que prevalece até os nossos dias, sendo uma das mais singulares tradições de São Bento do Sul.

Também nos anos 40, a Banda passou para a regência de Affonso Treml.  Já naquela época Banda Treml animava desfiles cívicos e festivos, sempre à frente da Sociedade dos Atiradores, além de encabeçar as procissões de Corpus Christie, as procissões da da Sexta-feira Santa, conduzir enterros, animar as festas de igreja, as festas escolares, os Bailes do Chopp em São Bento e em várias cidades de Santa Catarina, Paraná, e de vez em quando outro estados. As viagens renderam muitas apresentações em rádio e televisão. Infelizmente, também renderam um terrível acidente em São Paulo, que causou graves ferimentos na maior parte dos músicos, além da morte do motorista do ônibus.

Anos mais tarde, ainda como reflexo desse acidente, faleceu o maestro Affonso Treml. A batuta foi passada então para Mathias Herzer. Nos anos 90, seu regente passou a ser Pedro Machado Bittencourt, que é quem permanece no comando da Banda Treml até os nossos dias. Hoje a Banda se encontra renovada, com a presença de muitos jovens, incluindo mulheres, entre os seus integrantes. São pessoas que, bem dispostas, procuram levar adiante a tradição da música na cidade. E que também são responsáveis por uma iniciativa que está para completar o seu primeiro centenário.

Banda Treml em 2012,  composta por muitos jovens

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O amigo Marcio Brosowsky, músico da Banda Treml, disponibilizou há algum tempo no Youtube a gravação de uma retreta feita em São Bento do Sul no final dos anos 80.  Desde os anos 40, as retretas acontecem no coreto da praça Getúlio Vargas entre os meses de janeiro e março. Brosowsky cita os músicos Otto Roesler Filho, Harald Bollmann, Bubi Grossl, Lauro Muhlbauer, Aldo Denk, João Galkowski, Herbert Fendrich e Fuhrmann entre aqueles que aparecem no vídeo e que já são falecidos.

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O dia 5 de Abril de 1964 era um dia de festa para os Atiradores de São Bento: naquela ocasião, seria realizado nova competição do Tiro de Rei.

Como tradição, a Banda Treml saiu em marcha do Bar Toni em direção à casa do Rei do ano anterior – que havia sido Francisco Roesler.

Mas houve um momento em que a banda ficou em silêncio.

É que passaram em frente da casa de Ernesto Venera dos Santos, figura tradicional na vida pública da cidade – tendo sido inclusive prefeito.

Ernesto havia falecido no começo daquele mesmo dia.

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