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Posts Tagged ‘Banda Treml’

Artigo publicado na Folha do Norte de 30.04.2013.

A família Treml nos 100 anos da Banda

Neste Dia do Trabalhador, comemora-se a impressionante marca de 100 anos da Banda Treml. A iniciativa de João Treml tem origem numa antiga bandinha que Jorge Zipperer mantinha e que acompanhava as atividades da Sociedade dos Atiradores em São Bento. Com a mudança de Zipperer para Rio Negrinho, João Treml juntou outros músicos e reformulou a banda, que acabou levando o seu nome e dando início à trajetória que agora se celebra.

Era uma banda jovem que se formava naquele ano de 1913. O próprio João Treml tinha apenas 28 anos. Ele era um dos filhos nascidos no Brasil do operário Jakob Treml e de sua esposa Maria Böhm, imigrantes que vieram de Flecken, na Boêmia, a bordo do Humboldt em 1876. Ao chegar a São Bento, a família Treml se estabeleceu na Estrada Rio Negro.

Houve várias pessoas chamadas Jakob (ou Jacob) Treml na história da família. Além do pai, João Treml teve um irmão e dois sobrinhos com esse nome. Também era esse o nome do pai do imigrante Jakob Treml. Este Jakob, casado com Barbara Bachmeier, morou no terreno nº 29 em Flecken. Era filho de Josef Treml, casado em 1787 com Margaretha. Até o momento, Josef Treml é o ancestral mais antigo conhecido desta família Treml – é o bisavô de João Treml. Infelizmente não temos condições de saber se também havia músicos nesta história familiar.

No Brasil, é sabido que a tradição musical passou com louvor para a geração seguinte. Entre os filhos de João Treml, destacou-se especialmente Affonso Treml, o popular Xerife, regente por longo período da Banda Treml. Com sua esposa Emma Roesler, João Treml teve os filhos: Antônio (Toni), Ervino (Vino), Alexandre (Alex), Elfrida (Nêne) e Paulo (Pauli) Treml. Houve ainda vários filhos falecidos pequenos (João, Maria, Hilda, Amália e Alice).

A imagem a seguir, cedida por Diogo Roesler, retrata a família de João Treml na década de 20. À esquerda estão Vino e Xerife. O mais alto é o Toni. Abaixo dele, Pauli e Nêne. No canto direito, Alex.

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Quando Jorge Zipperer ainda era um moleque, seu pai Josef Zipperer deu a ele uma gaita de mão. Josef Zipperer não era músico, e por isso levou o filho para ter aulas com o colono Kasper Tauscher. Com ele, Jorge Zipperer aprendeu a tocar o instrumento. Aos 17 anos, Jorge aparece fazendo as molas para uma gaita de mão. Com esta gaita, tocou em ao menos uma domingueira. Alguns meses depois, este instrumento foi vendido a Carlos Klaumann e Jorge adquiriu uma nova com Guilherme Müller.

Em um domingo de 1897, Jorge Zipperer passou a tarde toda tocando gaita em companhia de Oswaldo Hoffmann. Também passou a noite de uma segunda-feira tocando com seu antigo professor Kasper Tauscher. Em um fim de semana, foi tocar a sua gaita na Estrada dos Polacos. Também animou a festa de casamento de Francisco Ronsberger e Catharina Bachel, na casa do noivo.

Mas a gaita começou a dar problema, e por isso Jorge a levou para o carroceiro Antônio Grosskopf, que a transportou até Joinville, onde foi consertada. Depois de três semanas, Jorge a recebeu de volta. Ele aparece ainda tocando o instrumento em sua própria casa, animando os familiares. Também tocou na casa de Benedicto Pscheidt, mas lá voltou a ter problemas com a gaita, que precisou ser consertada no dia seguinte.

No início de 1898, Jorge aparece fazendo música com Willy Bollmann e Werner Weber. Animou ainda o casamento de Carlos Sell e um baile à fantasia no Salão Linke. Em outra oportunidade, diz ter tocado com Carlos Hoffmann e Gustavo Lutz.

Em 1903, Jorge organizou e foi regente de uma banda de música que teve entre os seus componentes nomes como Hugo Fischer, Max Jakusch, João Wordell, João Linzmeyer, Guilherme Beckert, Antônio Beckert, Miguel Gschwendtner, Aloís Kollross, Ernest Bollmann, Oswaldo Hoffmann Jr, Adolfo Weber Jr, Heinrich Weber, Alfred Tschöke e João Treml. Mais tarde os irmãos Carlos Ehrl Filho e Andreas Ehrl entraram no lugar dos irmãos Weber, que se mudaram. Também Carlos Zipperer, irmão caçula de Jorge, e Paulo Baum figuraram entre seus companheiros.

Esta banda foi criada em meio à Sociedade dos Atiradores de São Bento, animando eventos como as festas de Tiro de Rei. Em 1905 e 1910 existe o registro de que animaram a festa de aniversário da atual Sociedade de Cantores 25 de Julho. E continuaram animando eventos pela cidade, até que em 1912 o regente Jorge Zipperer e o também músico Andreas Ehrl mudaram-se a negócios para Rio Negrinho e, assim, saíram da banda. Vendo-se sem seu líder, a banda parece ter esmorecido. Foi quando João Treml reformulou a banda de Zipperer, admitiu novos músicos e formou assim aquela que ficou conhecida como Banda Treml, cujo centenário agora se celebra.

A Banda Treml foi formada em 1913 por uma geração bastante jovem, feita de músicos nascidos já no Brasil e herdeiros da tradição musical que seus pais procuraram preservar em São Bento desde a Banda Augustin, criada em 1876. Depois dela, houve uma geração de músicos que imigraram ainda crianças, mas que mantiveram o mesmo espírito musical na cidade, cultivando assim o interesse daqueles bem dispostos amadores que anos mais tarde se reuniriam sob a batuta de João Treml.

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Jornal Evolução, 26.04.2013

– Hoje, 14.09.1958, realiza-se novamente a Festa dos Atiradores, em São Bento. Mas, infelizmente, está chovendo outra vez, e eu estou, por assim dizer, obrigado a ficar chocando aqui. De certo que mesmo com a chuva eles se divertem. É sempre para mim um dia enjoado sabendo que a Banda está tocando em alguma festa e eu não posso ir.

Quem se lamenta assim é meu avô Herbert e a banda em questão é justamente a Treml. Desde 1954 ele fazia parte da banda. Sempre gostou muito de ouvir e um dia foi conversar com o Xerife para ver se podia ter umas aulas. O Xerife concordou e propôs que aprendesse bombardino. Herbert começou a ter aulas e a acompanhar os ensaios da banda. Só escutando mesmo. Depois é que começou a participar pra valer, tocando nos bailes, festas, retretas e nas tantas viagens que a Banda Treml fez pelo Brasil.

Mas nesta época ele ainda morava em Campinas dos Crispim, no município de Piên, e só com muita dificuldade conseguia se deslocar para São Bento e participar dos ensaios e apresentações. Quando chovia, o ônibus simplesmente não conseguia chegar até lá. A enchente não dava passagem. Normalmente, desde Fragosos já estava tudo alagado. Nessas condições, não havia nem mesmo como aproveitar uma carona, coisa que muitas vezes fazia, porque as passagens de ônibus estavam cada vez mais caras. Passava então dias aborrecidos em casa, imaginando a diversão dos companheiros. Uma vez chegou a faltar em três ensaios seguidos e levou uma bronca do Xerife – que depois entendeu e aceitou as suas justificativas.

Quando não havia jeito, ia de bicicleta mesmo. Levava cerca de duas horas e meia. Às vezes com o próprio instrumento amarrado às costas. De vez em quando a chuva o surpreendia no caminho. Um dia, além de pegar chuva, quebrou o eixo da bicicleta. E ainda havia o risco de perder a viagem. Quando não havia ensaio da Banda, o Xerife mandava avisar o meu avô pelo motorista do ônibus. Mas se o ônibus não aparecia em Campinas, ele não tinha como ficar sabendo. E foi o que aconteceu num belo dia, quando chegou de bicicleta em São Bento e foi avisado de que não haveria ensaio.

Tinha dia que precisava sair correndo. Num domingo, meu avô ouviu na Rádio Rio Negrinho que havia falecido o Otto Roesler. A banda já havia acertado que iria tocar no seu enterro. Foi o tempo de ouvir no rádio, se arrumar, pegar o bombardino, amarrá-lo às costas e partir de bicicleta rumo a São Bento para poder chegar a tempo de tocar.

No ano de 1960, meu avô se mudou para São Bento e, para o seu alívio, pôde então acompanhar com regularidade os ensaios e apresentações da Banda Treml. Ele continuaria participando até 1989 e deixou registrado em cadernos todos os eventos da banda neste período. Esta é só uma parte da história de um dos membros da Banda Treml, que certamente, ao longo destes 100 anos, teve outros tantos homens abnegados e dedicados à música e que, como meu avô, sentiam-se extremamente satisfeitos de, ao fazer parte dela, também representar o nome de São Bento do Sul pelo Brasil afora. Estas pequenas histórias individuais formaram a impressionante trajetória da banda que convém lembrarmos neste raro momento de centenário.

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Nesse dia 1º de maio, a Banda Treml completa 99 anos de atividade. É um marco extraordinário.  Seu início está diretamente ligado à atuação de Jorge Zipperer, que criou uma bandinha para animar as atividades dos Atiradores de São Bento.  Em 1912, Zipperer e seu sócio Andreas Ehrl Filho, também músico, mudam-se para Rio Negrinho e se veem obrigados a deixar a bandinha. É nessa ocasião que o alfaiate João Treml toma a banda para si, promove uma reformulação e cria o que hoje conhecemos como Banda Treml.

São músicos da primeira formação da Banda Treml, em 1913:  João Treml, Adolfo Weber Sênior, Luiz Bollmann, Bernardo Franz, Carlos Zipperer, Max Weber, Frederico Weber, Veith Volkrath, Willy Zimmermann, Alex Zschoerper, José Weiss, Carlos Zipperer Sobrinho, Carlos Ehrl Filho, Carlos Bollmann, Paulo Grossl e Henrique Schwarz.

Homenagem nos 50 anos da Banda Treml, em 1963. O primeiro na frente é desconhecido. Ao seu lado, Alexandre Weber, Hugo Fischer e João Treml. Atrás, Carlos Zipperer Sobrinho e Carlos Ehrl Júnior. 

Em 1935, o regente João Treml promoveu uma nova reformulação, sendo criada então uma espécie de  “Banda Treml Júnior”, como ficou conhecida.  Dessa geração, foram seu primeiros componentes: João Treml e seus filhos Ervino, Affonso, Alexandre e Paulo Treml, Alvino Ratzke, Luiz Grossl, João Liebl Filho, Ernesto Beckert e Erico Beckert, entrando logo mais tarde Ornith Bollmann, Otto Roesler Filho, Egon Redlich, Eduardo Kollross, Antônio Nascimento e seus filhos José e Irineu.

A Banda passou por dificuldades durante a Segunda Guerra Mundial, pois todo o repertório era em alemão. Nesse período, durante a Semana da Pátria, um dos prefeitos de São Bento pediu que tocassem retretas na praça, no que foi atendido. A partir dos anos 50, esses eventos começaram a acontecer semanalmente no verão, sempre às quarta-feiras, o que prevalece até os nossos dias, sendo uma das mais singulares tradições de São Bento do Sul.

Também nos anos 40, a Banda passou para a regência de Affonso Treml.  Já naquela época Banda Treml animava desfiles cívicos e festivos, sempre à frente da Sociedade dos Atiradores, além de encabeçar as procissões de Corpus Christie, as procissões da da Sexta-feira Santa, conduzir enterros, animar as festas de igreja, as festas escolares, os Bailes do Chopp em São Bento e em várias cidades de Santa Catarina, Paraná, e de vez em quando outro estados. As viagens renderam muitas apresentações em rádio e televisão. Infelizmente, também renderam um terrível acidente em São Paulo, que causou graves ferimentos na maior parte dos músicos, além da morte do motorista do ônibus.

Anos mais tarde, ainda como reflexo desse acidente, faleceu o maestro Affonso Treml. A batuta foi passada então para Mathias Herzer. Nos anos 90, seu regente passou a ser Pedro Machado Bittencourt, que é quem permanece no comando da Banda Treml até os nossos dias. Hoje a Banda se encontra renovada, com a presença de muitos jovens, incluindo mulheres, entre os seus integrantes. São pessoas que, bem dispostas, procuram levar adiante a tradição da música na cidade. E que também são responsáveis por uma iniciativa que está para completar o seu primeiro centenário.

Banda Treml em 2012,  composta por muitos jovens

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O amigo Marcio Brosowsky, músico da Banda Treml, disponibilizou há algum tempo no Youtube a gravação de uma retreta feita em São Bento do Sul no final dos anos 80.  Desde os anos 40, as retretas acontecem no coreto da praça Getúlio Vargas entre os meses de janeiro e março. Brosowsky cita os músicos Otto Roesler Filho, Harald Bollmann, Bubi Grossl, Lauro Muhlbauer, Aldo Denk, João Galkowski, Herbert Fendrich e Fuhrmann entre aqueles que aparecem no vídeo e que já são falecidos.

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O dia 5 de Abril de 1964 era um dia de festa para os Atiradores de São Bento: naquela ocasião, seria realizado nova competição do Tiro de Rei.

Como tradição, a Banda Treml saiu em marcha do Bar Toni em direção à casa do Rei do ano anterior – que havia sido Francisco Roesler.

Mas houve um momento em que a banda ficou em silêncio.

É que passaram em frente da casa de Ernesto Venera dos Santos, figura tradicional na vida pública da cidade – tendo sido inclusive prefeito.

Ernesto havia falecido no começo daquele mesmo dia.

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Frederico Fendrich, o filho, nasceu em São Bento do Sul no dia 18.09.1881, filho de Friedrich Fendrich e Catharina Zipperer. Foi batizado no dia seguinte, tendo como padrinhos seus tios Josef Zipperer e Anna Maria Pscheidt. Com seu pai, aprendeu o ofício de sapateiro, e quando o velho Friedrich faleceu, em 1906, foi ele que tomou conta da sapataria, conduzindo-a até falecer.

Foi casado em São Bento do Sul no dia 23.09.1908 com Anna Roesler, filha de Johann Rössler e Amalia Preussler, com a qual teve 14 filhos, sendo alguns natimortos ou que faleceram pequenos. Para superar as dificuldades, além da sapataria, Frederico adquiriu uma pequena lavoura no interior, criando também gado e suínos. Por várias vezes, carregava de calçados uma carroça e saia pelas casas de negócio do interior para trocar por roupas e alimentos.

Foi membro da Sociedade de Atiradores de São Bento do Sul, e desde 1899 fez parte da Sociedade Auxiliadora Austro-húngara, a qual fora presidida por seu pai. Em 1915, suplente de vereador, tendo posteriormente assumido e exercido o cargo de 2º secretário entre os vereadores. Na década de 20, também teria sido suplente e sub-delegado de policia.

Também foi o idealizador da primeira carroça exclusivamente fúnebre de São Bento do Sul, tendo sido, por anos, o próprio condutor dos enterros. Por quase toda a sua vida, também conduzia casamentos com um trole de sua propriedade. Na 2ª Guerra Mundial, vendo o problema da falta de gasolina, colocou seu trole à disposição, na Praça, como táxi.  Com outras carroças, fazia fretes, levando tijolos, areia e outros matérias para construção.

Todos esses afazeres não impediam que se dedicasse à Sapataria Fendrich, que chegou a contar com 10 funcionários. Como a sapataria crescia, Frederico Fendrich anexou a ela uma loja de calçados, que teria sido a primeira em São Bento do Sul – e por muito tempo foi a única.

Nas horas de folga, gostava de jogos de cartas. Fã de música, tomou parte no coral da Igreja Católica, no qual esteve por mais de 40 anos, e no Coral da Sociedade Beneficente Operária, sendo o 1º baixo. Dessa Sociedade, também participou da diretoria. Frederico também foi homem de ótima memória, deixando valiosas informações históricas a todos que lhe perguntavam sobre acontecimentos do passado de São Bento do Sul – característica que foi herdada pelo seu filho Herbert Alfredo Fendrich, falecido há pouco tempo.

Depois de poucos dias enfermo, veio a falecer no dia 25.05.1947. Consta que seu sepultamento foi um dos maiores da época, tendo as duas igrejas locais tocado os seus sinos em sinal de reconhecimento e homenagem ao falecido. O cortejo fúnebre seguiu para o Cemitério Municipal e foi acompanhado pelas melodias da Banda Treml. Frederico está sepultado no mesmo túmulo de seu pai, onde também seria sepultada, 21 anos depois, a sua esposa Anna Roesler. No ano de 1960, Frederico Fendrich foi homenageado com o nome de uma das ruas da cidade, localizada ao lado da atual Sociedade Literária.

Em meio aos arquivos de meu avô, encontrei uma pequena poesia – possivelmente feita por ele – em homenagem a Frederico Fendrich, e que foi lida por Mário Melo, da Rádio Timbira, no dia 23.06.1947. Ei-la:

 

Morrestes, e deixastes a terra que amava

O berço de teus filhos a balouçar sereno

Mas seguistes para terra verdadeiramente tua

O túmulo dos que seguem a “Cristo Nazareno”

 

Deixastes a teus filhos lágrimas perpétuas

Herança do amor de um pai bondoso

À tua esposa, um soluçar amargo

Pela saudade de um querido esposo

 

Morrestes sim! Mas lá nas alturas

Onde há mais vida, doçura e amor

Está tua alma para a “Vida Eterna”

Junto aos anjos de “NOSSO SENHOR”

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O prefeito eleito de São Bento do Sul, Magno Bollmann, é descendente de tradicional família na cidade. Seu pai era Ornith Bollmann, que também exerceu o cargo de prefeito em São Bento, entre os anos de 1970-1973. Seu avô paterno era Carlos Bollmann, mestre carpinteiro e criador de máquinas industriais de grande poder inventivo, além de ter sido o autor da marcha “Caçador”, composta em homenagem aos Atiradores, e bastante executada pela Banda Treml.

Seu bisavô paterno foi o imigrante Guilherme Bollmann, natural de Coethen, e que veio para o Brasil em 1883. Foi professor da Sociedade Escolar de Oxford. Com grande número de medicamentos homeopáticos, inauguraria a Farmácia Bollmann, no centro da cidade, local que permanece até hoje. A direção da drogaria passaria às mãos de seu neto Donaldo Ritzmann. Em 1980 foi incorporada à rede de Farmácias Catarinense, tendo o nome mantido. Também jornalista, era dele o “Volkszeitung”, fundado em 1908.

Guilherme foi casado com Maria Grimm. Faleceu em São Bento do Sul no dia 15.07.1936, enquanto que sua esposa faleceu em 29.07.1938. O livro “São Bento – Cousas do Nosso Tempo”, escrito em parceria de Osny Vasconcellos e Alexandre Pfeiffer, contém um capítulo específico sobre a família Bollmann.

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Josef BlauJosef Blau, o cronista que escreveu aquele livreto “Bayern in Brasilien”, com informações dos primeiros colonos boêmios/bávaros de São Bento do Sul, repassadas a ele por Jorge e Martim Zipperer, recebeu em sua homenagem uma missa fúnebre em solo são-bentense, três semanas após o seu falecimento na Bavária, em 22/10/1960.

 

A missa aconteceu no dia 15/11/1960, conforme o convite em anexo (em português e alemão). A homenagem contou com a participação da Banda Treml. Assim narrou meu avô Herbert Alfredo Fendrich em seus diários sobre a Banda:

 

“Conforme o programa-convite aqui anexo, celebrou-se aqui em São Bento às 8h30 do dia 15-11-60 a Missa Requiem por alma do Sr. Josef Blau. No início da Santa Missa, nós tocamos o coral “Além dos Astros”, o que chegou a arrancar lágrimas de diversos, pois este é o coral que a Banda toca na sepultura, quando acompanha à última morada algum conhecido. A Requiem-míssa foi cantada pelo Coro Santa Cecília. Terminada a missa, tocamos ainda a marcha fúnebre de Chopin. Então, com lindas palavras do Revdo. Pe. Vigário, teve encerramento este ato, após o qual, tiramos uma foto em frente à Igreja, e que vai ser enviada à família enlutada do finado.

Dali fomos até o Bar Toni, onde nos foi oferecido uma boa cervejada e uma suculenta churrascada, durante a qual fizeram-se ouvir vários oradores, entre os quais o Sr. Martim Zipperer, que falou sobre a tradição. Dizia ele, em seu discurso, que o homem sem tradição não vale a pena viver. Esta é uma frase de grande valor e bem acertada. Após outros discursos e elogios ao Coro e à Banda, e também agradecimentos dos mesmos, cada qual tomou sua cerveja e retiramo-nos para casa.”

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Nesse 30 de julho, faz um ano que faleceu meu avô Herbert Alfredo Fendrich, casado com Dóris Izolda Giese, e filho de Frederico Fendrich Filho e Anna Roesler, neto paterno de Friedrich Fendrich e Catharina Zipperer, e neto materno de Johann Rössler e Amália Preussler.

Era uma pessoa que vivia música, tendo tocado em várias bandas tradicionais germânicas, além de cantar em diversos corais. Merece destaque a sua participação na Banda Treml, que foi de 35 anos, os quais foram cuidadosamente registrados em cadernos de anotações, semelhantes a um “diário” da banda.

Seleciono dois trechos escritos na década de 50 que julgo representativos da dedicação que meu avô tinha em relação a música e aos seus companheiros. É certamente uma das facetas mais marcantes de seu caráter.

“Por motivo de chuvas, eu não fui aos ensaios nas últimas duas semanas. Hoje, 14-9-58, realiza-se novamente a festa dos Atiradores em São Bento. Mas infelizmente, está chovendo outra vez, e eu, por assim dizer, obrigado a ficar chocando aqui. De certo que com chuva mesmo eles se divertem. É sempre para mim um dia enjoado sabendo que a banda está tocando em alguma festa e eu não posso ir.”

O trecho mostra a importância dos eventos em que tocava com seus amigos, e na cidade em que nascera e que amava. Herbert morava na época em Campinas dos Crispim, uma localidade de Piên, e nem sempre podia se deslocar até São Bento para acompanhar os ensaios e apresentações da Banda Treml. Muitas vezes, quando o tempo permitia, ia de bicicleta. Outra tantas, ia de ônibus – o que não podia acontecer sempre, já que as passagens não eram das mais baratas para ele. E em casos como esse citado, em que chovia e nem o ônibus era capaz de chegar até a sua casa e levá-lo para São Bento, Herbert certamente passava o dia amuado e tristonho.

O outro trecho, embora descrito rapidamente por ele, é de uma beleza imensa se prestarmos mais atenção no que ele realmente significa.

No dia 8-5 o Xerife me mandou diversas folhas de músicas para copiar, porque, para nossos instrumentos, só veio uma folha de cada peça, e é muito ruim ler as notas em três por folha. Aproveito assim as noites, com lampião, para este serviço.”

Tentem evocar essa imagem de meados de 1958: um jovem de 28 anos, sob a luz do lampião, se propõe a passar as noites transcrevendo as músicas que a banda irá tocar, a fim de que todos tenham a sua própria folha, facilitando o trabalho de todos.

É de uma beleza poética estupenda, que só vem ressaltar a generosidade e dedicação que tanto pareciam dirigir suas atitudes, e que convém destacar sempre, especialmente no dia de hoje.

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Em 13 de julho de 1958, houve um almoço na casa de meus bisavós Rodolfo Giese e Catharina Bail, em Campina dos Crispim, Piên, onde também moravam meus avós Herbert Alfredo Fendrich e Dóris Isolda Giese. Foi convidada a família de José Fendrich Sobrinho, irmão de Herbert, e casado com Maria Tereza Linzmeyer. O prato servido foi churrasco de cabrito. Herbert, que havia tocado com a Banda Treml em Joinville na noite anterior, conseguiu chegar em casa a tempo, ao meio-dia.

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Conta o meu avô Herbert Alfredo Fendrich em seus diários uma história curiosa que aconteceu com seu pai, e que ficou sabendo quando encontrou Hans Schreiner num bar em Blumenau, onde a Banda Treml havia ido se apresentar, em 28.05.1955.
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Meu bisavô Frederico Fendrich estava em companhia de Hans Schreiner, e foram os dois tratar de negócios na casa e serraria de Affonso Jung. Este, serviu aos dois bastante vinho, e ficaram tomando até anoitecer. Quando resolveram enfim retornar para o centro da cidade, sem querer pegaram o caminho errado. No trole em que estavam, acabaram virando à direita, e quando se deram conta já estavam em Lençol.
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Percebendo-se do engano, deram meia-volta com o trole, dessa vez no caminho certo rumo a São Bento. Aproveitando que estavam ali, entraram os dois no negócio do Sr. Maia, que ficava naquela região. E demoraram-se ali algum tempo. O suficiente para que algum espertinho tornasse a virar o trole na direção contrária. Deixou-o, portanto, novamente virado para Lençol.
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Quando Frederico Fendrich e Hans Schreiner saíram e embarcaram de novo no trole, não perceberam a mudança, e seguiram no sentido em que os cavalos estam virados. Os dois já estavam ansiosos por chegar em São Bento. Mas estava demorando demais. Quando perceberam, já estavam quase em Rio Negrinho!
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Era por volta das 5h da manhã quando finalmente chegaram de volta e puderam dar um descanso aos cavalos.
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Uma história curiosa, que deve ter acontecido há uns 70 anos ou mais, e que chegou ao conhecimento do meu avô há 52 anos. E se ele não tivesse deixado anotado, ninguém jamais ficaria sabendo.

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Entre as preciosidades que existem no arquivo do meu avô está o programa da festa comemorativa das bodas de ouro do casal Otto Roesler e Maria Treml, ocorrida em 26.06.1952. Como não poderia deixar de ser, foi animada pela Banda Treml. Otto era o primogênito de Johann Rössler e Amalia Preussler, enquanto que Maria era filha de Jacob Treml e Maria Böhm, o casal patriarca da família Treml em São Bento. Ele faleceu em 16.12.1956. Conforme registrou meu avô Herbert Alfredo Fendrich, o falecimento de Otto Roesler “foi um dos maiores enterros em São Bento”. Ela faleceu em 23.06.1965.

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