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João Filgueiras de Camargo foi um dos personagens mais interessantes da história de São Bento do Sul. Sua atuação política como líder republicano foi marcante na região. O cronista Josef Zipperer destaca sua atuação na Revolução Federalista, quando impediu que uma tragédia maior acontecesse em São Bento.

Se fossemos citar um único nome entre os tantos brasileiros que moravam na região no começo da colonização, ele provavelmente seria o mais lembrado. No entanto, só existe até hoje uma mísera ruazinha em sua homenagem. Na verdade, isso não é muito de se espantar, pois durante todos esses anos a ocupação  brasileira de São Bento tem sido ignorada ou, no máximo, tratada de forma bastante superficial, o que é realmente lamentável e prejudicial para o conhecimento do nosso passado

Aqui faço um resumo de todas as informações encontradas sobre ele, principalmente no livro de Carlos Ficker “São Bento do Sul – Subsídios Para a Sua História”. Em seguida cito os seus antepassados diretos, conforme descobri em livros de registros paroquiais em São José dos Pinhais e Curitiba. Também descendo do casal nº 3, Bernardina Maria Filgueira e Antônio Calisto de Camargo, de modo que os ancestrais desses também são os meus.


I) JOÃO FILGUEIRAS DE CAMARGO
, Prefeito Municipal, Conselheiro Municipal, Juiz de Paz, Líder do Movimento Republicano de São Bento, interventor dos são-bentenses durante os conflitos locais da Revolução Federalista em 1893, comerciante de erva-mate, e um dos fundadores da Sociedade Literária São Bento. Nascido em São José dos Pinhais no dia 12.05.1848, foi batizado no mesmo lugar em 01.06.1848.

João Filgueiras de Camargo foi também sócio do Lese und Kultur Verem “Glueckhauf” (Sociedade Cultural “Boa Fortuna”), clube fundado no primeiro domingo de agosto de 1881, no Km. 80 da Dona Francisca, com objetivos recreativos, culturais e instrutivos em assuntos de agricultura. Os 24 sócios reuniam-se semanalmente no salão do vendista Franz Neumann.

Foi em 03 de setembro de 1881, em uma reunião da sociedade, a qual consta no primeiro livro de atas, que João Filgueiras de Camargo foi aceito como sócio. A sociedade buscava promover o desenvolvimento de todos os setores da agricultura, ajudando os novos imigrantes, aconselhando-os, importando da Europa sementes de trigo, centeio, verduras, etc. Além disso, nas reuniões também eram comentados assuntos dos jornais da época, em especial do “Kolonie Zeitung”, de Joinville, e “Gartenlaube”, da Alemanha, bem como outros jornais especializados.

Para comemorar o aniversário da sociedade, o primeiro domingo de agosto era dedicado sempre à uma reunião festiva, com a presença dos familiares e animados por músicas, danças, e divertimentos variados. Essa sociedade, fundada por Martin Meister, Anton Friedrich e Johann Neumann é tida como a primeira na área colonial de São Bento e durou até julho de 1896, quando, por motivos políticos, as atividades da organização cessaram.

João Filgueiras de Camargo também figura entre os fundadores da Sociedade Literária São Bento, criada em outubro de 1881, e existente até os nossos dias. Em 28.10.1883, João foi eleito Juiz de Paz, tendo recebido 3 votos, a mesma quantidade que Augusto Henning e João Antônio da Rocha, os outros dois juizes eleitos.

João Filgueiras de Camargo foi um dos fundadores da Sociedade Literária, fundada em 1881 e que ainda existe em São Bento do Sul.

Em 30.01.1884, a Câmara Municipal de São Bento foi oficialmente instalada, conforme ofício enviado à Presidência da Província, no qual João Filgueiras de Camargo assina como um dos Conselheiros Municipais, cargo que equivalia à função de vereador. Nos dias 11 e 12 daquele mesmo mês, Filgueiras de Camargo e os demais conselheiros estiveram em Joinville, onde, diante da Câmara Municipal daquele lugar, prestaram juramento de fidelidade.

No ano seguinte, em companhia ao vereador Augusto Henning, João Filgueiras de Camargo abandou o recinto da Câmara Municipal, em sinal de protesto contra a desordem nos arquivos municipais, o que fazia com que vários conselheiros levassem documentos para suas residências.

Em outubro de 1885, o jornal “Constitucional”, veículo conservador e anti-liberal publicado em Joinville, destacava a atuação do “nosso estimado amigo Sr. João Filgueiras de Camargo”, que, fazendo do seu prestígio e grande influência, conseguiu com que a Estrada dos Fragosos, em São Bento, pudesse ter um notável melhoramento. O semanário comentava que foram 100 os trabalhadores que atuaram na melhoria da Estrada de cerca de duas léguas, “que era antes um verdadeiro precipício”, e que o resultado da obra se mostrou excelente. A Estrada dos Fragoso começava no Km. 83 da Estrada Dona Francisca e terminava, justamente, no povoado Fragoso, à margem do Rio Negro, local onde residiam importantes criadores e lavradores.

Em 12.10.1886 aconteceu nova eleição para Juiz de Paz em São Bento do Sul, tendo sido João Filgueiras de Camargo o mais votado, tendo tomado posse a 27.01.1887 no Paço do Edifício Municipal, após ter prestado juramento.  Em 1887, com o falecimento de Argemiro Loyola, a viúva Targina Celestina de Oliveira aceitou João Filgueiras de Camargo como sócio de sua firma comercial de erva-mate em Oxford, e que, tomando para si o ativo e passivo da extinta firma, passou a ter o novo nome de “João Filgueiras de Camargo & Cia”, tendo sido uma das mais importantes da região.

No mesmo ano, em 26 de junho, João Filgueiras de Camargo foi um dos signatários do Manifesto Republicano de São Bento, o qual defendia que nenhum dos partidos monárquicos poderiam trazer felicidade e progresso ao Brasil, razão pela qual, daquela data em diante, os signatários declaravam-se filiados ao Partido Republicano Federativo de São Bento, o único que, para eles, poderia levantar o país do abatimento em que se encontrava.

Na qualidade de Presidente da Câmara, que equivalia ao cargo de Prefeito Municipal, tendo sucedido o Dr. Philipp Maria Wolff em 1888, João Filgueiras de Camargo, vendo que não havia policiamento eficaz que executasse as ordens e sentenças das autoridades, no que dizia respeito às desordens que estava ocorrendo no município, foi o primeiro a advertir o Governo Provincial. Houve casos de infratores que não puderam ser chamados à responsabilidade de seus atos porque não havia meios legais para tal, uma vez que a Câmara Municipal de São Bento ainda não tinha as suas Posturas aprovadas pela Presidência da Província. Isso só aconteceu em 18.10.1888, quando as Posturas foram aprovadas pelo Coronel Augusto Fausto de Souza, presidente da Província, e aprovadas pela Assembleia Legislativa Provincial.

Em agosto de 1888, houve nova eleição para vereadores de São Bento. João Filgueiras de Camargo foi uma dos mesários da eleição que ocorreu no dia 12 daquele mês. Os resultados da eleição fizeram com que São Bento tivesse a primeira Câmara totalmente Republicana do Brasil. Levado pelo entusiasmo da vitória do Partido Republicano, João Filgueiras de Camargo lançou um manifesto nos últimos dias de 1888, no qual considerara que a Constituição Política do Império não era suficiente às liberdades e interesses do povo brasileiro, e, assim sendo, deveria ser levado por meio de petição à Assembleia Legislativa a necessidade de uma nova Constituição. A Assembleia, então, deveria dirigir uma petição ao parlamento, para que os novos deputados tivessem poderes para formar uma Assembleia Constituinte, além de fazer uma consulta ao povo sobre a conveniência em continuar com a dinastia após a morte do Imperador.

O Clube Republicano de São Bento, sob a chefia de João Filgueiras de Camargo, conseguia aumentar cada vez mais o número de sócios e, em 18.11.1889, três dias após a Proclamação da República, os membros se reuniram na casa de Carlos Stüber, em Lençol, para discutir o desenrolar de acontecimentos e formular as novas estratégias de ação. O secretário Líbero Guimarães, falando sobre os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro, apelou para que fosse criada uma comissão para mandar a ordem em São Bento. Essa comissão foi formada por João Filgueiras de Camargo, Francisco Antônio Maximiano, Francisco Bueno Franco e Francisco Gery Kamienski.

Com a elevação de São Bento para Comarca, por decreto de 12.08.1891, ocorreu nova eleição em 30.08.1891, dessa vez para Intendentes e Superintendentes, além dos Juízes de Paz. João Filgueiras de Camargo foi eleito novamente um dos Juízes de Paz.

Com a vitória de Marechal Floriano, foi acusado de ser anti-republicano, apesar de pioneiro do republicanismo em São Bento.

Participou da revolução federalista de 1893 ao lado dos maragatos gaúchos. Quando os revolucionários adentraram em São Bento, em 05.11.1893, e se depararam com uma formação de homens armados, dispararam contra eles, o que resultou na morte do cidadão Luiz Köhler.

Filgueiras de Camargo, na condição de Chefe Federalista da cidade, explicou ao comandante que aquele agrupamento objetivava apenas a proteção de São Bento diante de bandoleiros, sem que apoiassem um ou outro lado do conflito. A ação de Filgueiras impediu que aquele dia “não fosse de consequências ainda mais funestas” (ZIPPERER, 1954, p. 65), uma vez que, “sem a pronta intervenção desse cidadão, muitos teriam pago com a vida a sua imprudência” (id, p.69).

Morava no Mato Preto, numa casa com estilo europeu, e tinha boas relações com os imigrantes alemães. Faleceu assassinado às 21h de 25.05.1897, enquanto tranquilamente tomava chimarrão nos fundos de sua casa. Na época se falou em crime político, mas com o tempo, o caso ganhou conotações de crime passional. A esposa de João, durante o inquérito, acusou formalmente seu sobrinho João Elias Fragoso.

Sua esposa era Gertrudes Gomes, filha de Antônio Gomes de Camargo e sua esposa Maria Ferreira, tendo os dois se casado ainda em São José dos Pinhais no dia 20.02.1870, com dispensa no impedimento de consanguinidade no segundo grau da linha lateral, o que mostrava que os contraentes eram primos.

João Filgueiras de Camargo e sua esposa não tiveram descendência.

Pfeiffer (1999) afirma equivocadamente que Filgueiras de Camargo era casado com Maria Soares Fragoso.

II) JOAQUIM CALISTO DE CAMARGO, batizado em Curitiba no dia 26.10.1801, tendo como padrinhos os avós maternos. Casou-se com Maria Gaspar e, viúvo dessa, casou-se novamente, em São José dos Pinhais, no dia 22.08.1835 com Anna Joaquina de Camargo, batizada naquela cidade em 12.10.1813, filha de Lourenço Gomes de Oliveira, já falecido na ocasião do casamento, e Maria Joaquina, exposta na casa de João da Rocha Loures; neta paterna de Ignácio Gomes, de Paranaguá, e Anna Gomes, de Parnaíba. Foram testemunhas o Sargento-Mór Francisco de Paula Xavier, de Curitiba, e o Alferes Manoel Álvares Pereira.

III) BERNARDINA MARIA FILGUEIRA, batizada em São José dos Pinhais no dia 02.07.1782 (1B-63), como filha natural, e casada em Curitiba no dia 15.01.1799 com Antônio Calisto de Camargo, do mesmo lugar, filho de pais incógnitos, por ter sido enjeitado.

IV) JOAQUIM FRANCISCO FILGUEIRA, natural de São Miguel da Terra Firme, atual cidade de Biguaçu, e que foi casado em Curitiba no dia 07.02.1786 (4C-118) com Gertrudes Maria do Prado de Albuquerque, nascida por volta de 1865 e falecida em São José dos Pinhais no dia 24.11.1803, sendo ela filha de Paulo Moreira de Albuquerque e Antônia Rodrigues do Prado, neta paterna de José de Albuquerque e Joanna Leme da Silva, e neta materna de Manoel Pinto dos Reis e Gertrudes Nunes de Jesus.

V) JOÃO FILGUEIRA DA SILVA, natural de São João do Caraí, atual cidade de Niterói, casado em Desterro no dia 01.02.1751 com Josepha Maria da Assunção, natural da Freguesia do Espírito Santo, na Ilha Terceira, filha de Manoel Gomes e Bárbara Lucas.

VI) IGNÁCIO MOREIRA DA SILVA, casada com Izabel Filgueiras, sobre os quais ainda não se tem outras informações.

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I) AMÂNCIO ALVES CORREA, segundo suplente de subdelegado de São Bento do Sul, batizadoem São José dos Pinhais aos 13.11.1836. Casado no dia 17.01.1857, na mesma cidade, com Francisca Bueno de Christo, batizadaem São José dos Pinhais aos 27.03.1836, filha de João Bueno de Christo e Rosa Maria, por essa neta de Thomé Cardoso Gomes e Feliciana Fernandes dos Reis. Foi segundo suplente de subdelegado de São Bento do Sul, nomeado pela Presidência da Província de Santa Catarina em 1875, e com primeira audiência em 06.10.1875. Em meio aos conflitos de terras entre as Províncias de Santa Catarina e do Paraná, essa última não viu com bons olhos a nomeação de um paranaense para o cargo. Foi destituído do cargo em 06.08.1877, por não ser morador do distrito, assim como o primeiro subdelegado Francisco Teixeira de Freitas. Amâncio foi um dos primeiros moradores da região de Campo Alegre, e um dos primeiros brasileiros que atuaram na política de São Bento do Sul. Em 1879, conforme os mapas dos engenheiros August Heeren e Albert Kroehne, a família de Amâncio Alves Correa era uma das cinco que faziam parte da localidade de Campo Alegre, a qual era constituída de pequenos lavradores, criadores de gado, comerciantes e trabalhadores da indústria de erva mate. No ano de 1881, aparece no alistamento eleitoral como morador do 5º quarteirão do distrito.

II) CONSTANTINO CORREA, casado em São José dos Pinhais com Francisca Álvares, filha legítima de José Álvares Fontes e Paula Maria da Maia, já falecida, casados em São José dos Pinhais em 03.02.1788, neta paterna de Bento Álvares Fontes e Izabel Ribeira e neta materna de Ignácio Pereira(?) da Costa e Quitéria da Maia. Constantino e sua família moravam no 2º Quarteirão de São José dos Pinhais no ano de 1836.

III) FRANCISCO ANTONIO CORREA, casado em São José dos Pinhais no dia 12.11.1791 (1B-86v) com Ângela Maria da Costa, filha de Domingas Gonçalves e pai incógnito. Foram testemunhas Luis Antônio de Albuquerque, solteiro, e Luis Sel….. de Mattos, casado, todos da mesma freguesia.

IV) ANTÔNIO CORREA  DE MORAES, casado com Escolástica da Silva.

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Essa é á arvore de costado da família Teixeira de Freitas, a partir do pioneiro Francisco Teixeira de Freitas, figura ilustre nos primórdios de São Bento do Sul e Campo Alegre, e que era era primo de Thomas Umbelino Teixeira, ancestral dos Vidal Teixeira, e de quem já tratamos aqui.  Ainda hoje são encontrados muitos descendentes dos Teixeira de Freitas na região, geralmente unidos a família Souza, sendo, portanto, “Souza Freitas”. As pesquisas foram feitas por mim em arquivos de São José dos Pinhais, Genealogia Paulistana, Genealogia Paranaense, e outros. 

I) FRANCISCO TEIXEIRA DE FREITAS, fazendeiro, primeiro subdelegado de São Bento do Sul, juiz de Paz, batizado em São José dos Pinhais no dia 24.08.1828 (3B-173) e casado no mesmo lugar no dia 13.02.1848 (4C-3) com sua prima Francisca d’Assis Teixeira, filha de Francisco Manoel Teixeira, nº II do título Teixeira, e Anna Machado, sendo os demais ancestrais mencionados no referido título. Como testemunhas, assinaram o Major José d’Andrade Pereira, casado, de Curitiba, e Francisco Teixeira da Cruz, casado e da mesma freguesia de São José dos Pinhais. Francisco Teixeira de Freitas foi o primeiro subdelegado de São Bento do Sul, dois anos após sua fundação, em 1875, nomeado pela Presidência da Província. Teve a primeira audiência em 06.10.1875 e, quase dois anos depois, a 06.10.1877, foi demitido do seu cargo, da mesma forma que Amâncio Alves Correa, sob a alegação de que não residiam no distrito de São Bento. Com a criação do Distrito de Paz de São Bento, em 1878 ocorreu a primeira eleição para Juizes de Paz. A mesa paroquial de Joinville, reunida para a votação, elegeu Francisco Teixeira de Freitas, fazendeiro, como o 1º Juiz de Paz de São Bento do Sul, recebendo 61 votos. No mesmo ano, Francisco Teixeira de Freitas esteve entre os cidadãos convocados em Joinville pelo Juiz Municipal Substituto Fernando Rogner, a mando do Juiz de Direito Dr. Bento Fernandes de Barros, para servir de jurados. As sessões do júri em Joinville eram feitas na casa de Guilherme Bernes. Em 01.07.1880 ocorreu eleição para vereadores e juizes de paz para o quadriênio 1881-1884. Dessa vez, Francisco Teixeira de Freitas foi eleito como 2º Juiz de Paz, ficando atrás apenas de Francisco Bueno Franco. Entre os nomes presentes no alistamento eleitoral de São Bento no ano de 1881, enviado ao Juiz Municipal substituto de Joinville, Victorino de Souza Bacellar, Francisco aparece como morador do 3º Quarteirão. Em 20.08.1882 houve nova eleição em Joinville para o cargo de Juiz de Paz em São Bento. Novamente candidato, Francisco Teixeira Freitas foi eleito como 3º Juiz de Paz, ficando atrás de Francisco de Paula Pereira e Vicente Ferreira de Loyola. Com a elevação de São Bento à categoria de vila, ocorreu a eleição municipal no dia 20.10.1883, da qual Francisco atuou como mesário e o responsável pela chamada dos eleitores. Assim que ouviam seus nomes, eles transpunham a grade, apresentavam os títulos, votavam em uma cédula branca e assinavam um livro de registros. Ao final da votação, coube a Francisco Teixeira de Freitas a leitura das cédulas dos 20 eleitores que compareceram à votação. Na condição de 2º Juiz de Paz, Teixeira de Freitas também foi mesário da nova eleição para vereadores e juízes de paz, que se desenrolou em 12.10.1886. Próximo à sua casa havia uma ponte, razão pela qual se referia a ela como “ponte de Francisco Teixeira de Freitas”. Francisco faleceu no dia 08.11.1892, aos 62 anos segundo o registro, vítima de marasmo, e foi sepultado no Cemitério da Sede de São Bento, tendo sido o seu óbito declarado pelo genro Manoel Marques de Souza.

II) MARIA DE FREITAS, batizada em São José dos Pinhais em 20.11.1807, casada na mesma cidade a 28.07.1822 (2C-132) com seu primo Joaquim Teixeira da Cruz, batizado em São José dos Pinhais em 10.04.1803, filho de Pedro Teixeira da Cruz, nº III do título Teixeira, e sua esposa Maria Rosa de Oliveira, neto paterno de Nazário Teixeira da Cruz e Josefa Álvares de Araújo, e neto materno de Pedro Machado Fagundes e Tereza Maria do Sacramento. Foram testemunhas o Capitão Joaquim de Bastos Coimbra e o Alferes Francisco Ignácio de Andrade. 

III) JOSÉ JOAQUIM DE FREITAS, casado em São José dos Pinhais no dia 04.09.1804 (2C-51) com sua prima Margarida Angélica da Cruz, filha de Nazário Teixeira da Cruz, de Paranaguá, nº IV do título Teixeira, e sua esposa Josefa Álvares de Araújo, de Curitiba; neta paterna de Antônio Correia da Cruz e Isabel Teixeira, de Paranaguá, e neta materna de Manoel Pereira do Valle, de Valongo, e Nathária Álvares de Araújo, de Curitiba, casal que morava em São José dos Pinhais.

IV) CAPITÃO FRANCISCO ANTÔNIO DE FREITAS COSTA, natural da Vila da Cananéia, e que se casou com Gertrudes Maria Pires, natural de São Paulo, filha de José Pires Monteiro e Josepha Ribeiro, neta paterna de outro José Pires Monteiro e Maria Luiz, sendo esse avô filho do fundador e Capitão-mór da Ilha de Santa Catarina, Francisco Dias Velho, e sua esposa Maria Pires Fernandes (Genealogia Paulistana, V8-25); era Gertrudes neta materna de Gaspar João do Passo e Simoa Ribeiro.

V) CAPITÃO-MÓR JOÃO BAPTISTA DA COSTA, natural da Ilha das Flores, casado com Margarida de Freitas, filha de Manoel Gomes Rosa e Maria de Freitas.

VI) CAPITÃO-MÓR ANTÔNIO DE FREITAS HENRIQUES, que nasceu por volta de 1628, tendo falecido em 30.01.1713/1714 na Rua do Moio, Santa Cruz, Ilha das Flores. Foi casado com Francisca da Costa. 

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São essas, até o momento, as informações genealógicas levantadas a respeito da ascendência da família Teixeira de São Bento do Sul, uma das pioneiras entre os brasileiros que chegaram à região. São ancestrais também dos “Vidal Teixeira” da cidade. As pesquisas foram feitas por mim em livros da Igreja Católica de São José dos Pinhais, e também na Genealogia Paulistana, de Silva Leme, e Genealogia Paranaense, de Francisco Negrão. Cada número representa o antepassado da pessoa anterior. Para dúvidas, correções ou acréscimos, entre em contato nos comentários. 

I) THOMAS UMBELINO TEIXEIRA, um dos primeiros brasileiros a se estabelecer em São Bento do Sul, alferes, fazendeiro, lavrador e signatário do Manifesto Republicano da cidade, em 26.06.1887, no qual era declarado que “nenhum dos partidos monárquicos poderão trazer felicidade e progresso à nossa pátria”, razão pela qual aqueles signatários passariam, a partir daquela data, a ingressar no Partido Republicano Federativo de São Bento, “único que poderá levantar do abatimento em que se acha o nosso país”. Thomas Umbelino Teixeira foi batizado em São José dos Pinhais no dia 26.10.1817, tendo como padrinhos Pedro Machado e Maria Machado. Casou-se naquela cidade em 23.04.1835 com Tereza Maria da Rocha, que cremos ser a mesma que foi batizada em São José dos Pinhais no dia 14.06.1817, filha de Maria da Rocha, já falecida por ocasião do casamento, e pai incógnito. Foram testemunhas o Alferes José Manoel Machado, casado, e Custódio Teixeira, solteiro. Com sua esposa, Thomas Umbelino Teixeira teve grande descendência, conforme se verá, que o acompanhou quando migrou para a região de São Bento do Sul. Viúvo, Thomas voltou a se casar em São José dos Pinhais no dia 22.09.1868 com Francisca Maria Machado, viúva de José da Cruz, com dispensa no impedimento de consanguinidade em 2º grau. Desse segundo casamento, foram testemunhas Joaquim Ferreira da Cruz e Joaquim Alves Fontes. Já morando em São Bento do Sul, Thomas voltou a ficar viúvo e se casou, em data e local ignorado, com Pursina dos Santos, mais de 30 anos mais nova, batizada em São José dos Pinhais no dia 21.05.1848, filha de Antônio dos Santos Siqueira e Catharina Ribeiro da Silva, citados no título Santos Siqueira. Faleceu em 26.08.1891, aos 73 anos, vítima de tísica, segundo o registro religioso, e de marasmo, segundo o registro civil, declarado pelo sogro Antônio dos Santos Siqueira. Na época residia em Fragosos ou em Oxford, variando conforme o registro, e no dia seguinte seu corpo foi sepultado no Cemitério Católico de São Bento. Thomas ainda conseguiu ver o advento da República no Brasil. Existem registros de ao menos um escravo, chamado Francisco, pertencente a Thomas e que acompanhou a família na sua vinda à São Bento do Sul, tendo se casado por duas vezes na cidade – a primeira vez antes da abolição e a segunda depois.

II) FRANCISCO MANOEL TEIXEIRA, ou Francisco Teixeira da Cruz, batizado em São José dos Pinhais em 13.02.1797 (2B-76v), tendo como padrinhos Nazário Teixeira da Cruz, seu avô, e Thereza Maria Carneira, ambos viúvos. Foi casado no mesmo lugar em 26.11.1816 (2C-101) com Anna Joaquina Machado, filha de Salvador da Cunha Machado e Francisca Romeira, já falecidos na ocasião, neta paterna de Salvador da Cunha Lobo e Maria Machado, e neta materna de Francisco Bueno da Cunha e Izabel Fernandes Camacho; por Salvador, bisneta de Francisco da Cunha Lobo e Leonor de Siqueira; por Maria, bisneta de João Machado Fagundes de Vasconcellos e Natária Portes Villas Boas; por Francisco, bisneta de Antônio da Cunha Portes de El-Rey, Tenente Coronel das Ordenanças de Pindamonhangaba e Taubaté, e Francisca Romeiro Velho Cabral; por Izabel, bisneta de Manoel Duarte Camacho e Gertrudes Maria Tavares. Foram testemunhas desse casamento o Capitão Francisco da Silva de Abreu e Felix Bueno da Cunha, ambos casados e também fregueses de São José dos Pinhais.

III) PEDRO TEIXEIRA DA CRUZ, primeiro casado com Joana Maria do Prado, filha de Braz Álvares Natel, da Ilha de São Sebastiao, e Margarida Leme de Santa Anna, neta paterna de João Lucas de Araújo e Margarida Pires, citados à página 587 do Volume I da Genealogia Paranaense, e lá seguem os seus ancestrais conhecidos; e neta materna de Pedro Dias Cortes, de Curitiba, e Maria Leme de Siqueira, citados à página 585 do mesmo volume, onde constam os demais antepassados. Depois de viúvo, Pedro Teixeira da Cruz casou-se em São José dos Pinhais no dia 27.11.1790 (L2-14) com Maria Rosa de Oliveira, filha de Pedro Machado Fagundes, já falecido na ocasião, natural de São José dos Pinhais, e que assentou praça em 26.03.1776, homem de cabelos castanhos, olhos grandes e azuis, sem barba, casado com Tereza Maria do Sacramento, da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Congonhas, em Minas Gerais, sendo o casal proprietário de alguns escravos; neta paterna de João Machado Fagundes, de Santo Amaro, e Antônia de Siqueira do Prado, de São José dos Pinhais; neta materna de Francisco Mendes Carneiro, natural da Ilha Terceira, e Josepha Maria da Conceição, da mesma freguesia de Congonhas, os quais também passaram à São José dos Pinhais. Foram testemunhas desse casamento José da Rocha Dantas, casado, e o Alferes Francisco Teixeira de Azevedo, solteiro.

IV) NAZÁRIO TEIXEIRA DA CRUZ,  nascido em Paranaguá aos 26.07.1731, lá casado no dia 29.05.1756 com Josepha Álvares Pereira, nascida em São José dos Pinhais aos 16.03.1738, filha do Alferes Manoel Pereira do Valle, de Valongo, Portugal, e Nathária Álvares de Araújo, de Curitiba; neta paterna de Manoel Pereira e sua esposa Maria do Valle; neta materna do Capitão Gabriel Álvares de Araújo, de Villa de Ponte de Lima, Arcebispado de Braga, Portugal, homem da Governança de Curitiba, e de sua esposa Catharina Martins de Souto ou de Faria, de Curitiba, casal que abre o título Álvares de Araújo da Genealogia Paranaense (V6-299). Nazário Teixeira da Cruz constituiu uma família abastada, que possuía mão-de-obra escrava e fazia parte da elite de São José dos Pinhais no século XVIII. Faleceu em São José dos Pinhais no dia 18.08.1816 (2F-70v), já em estado de viúvo. Sua esposa Josepha Álvares Pereira faleceu na mesma cidade em 24.06.1786 (2F-3v).

V) ANTÔNIO CORREIA DA CRUZ, natural de Paranaguá, casado com Izabel Teixeira, do mesmo lugar.

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