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Posts Tagged ‘eleições’

Há 82 anos, no dia 05 de outubro de 1930,  menos da metade dos eleitores de São Bento saiu de casa para votar no próximo Prefeito Municipal. O resultado das urnas foi um massacre. O então prefeito Luiz de Vasconcellos recebeu 94% dos votos para a sua reeleição. O adversário era José Brüsky, que conseguiu apenas 8 dos 132 votos e, como se não bastasse, teve ainda a sua candidatura questionada, por motivos ainda não muito claros.

Apesar da esmagadora votação, Luiz de Vasconcellos, que também era deputado, não chegou a tomar posse para este novo mandato. Isso porque durante aqueles mesmos dias estava começando no Rio Grande do Sul aquela que seria conhecida como a “Revolução de 30”, que levaria Getúlio Vargas ao poder no mês seguinte. Com ela, seriam nomeados interventores para os Governos Estaduais e os revolucionário tomaram também o poder de São Bento. O prefeito seria então, por pouco tempo, Reinaldo de Almeida Groth, que depois passaria o cargo a José Cordeiro.

Também nesta eleição de 5 de outubro, os eleitores votaram para Conselheiros Municipais e Juízes Distritais em São Bento. A diferença entre o número de votos, conforme se percebe na ata desta eleição, pode indicar quem era da ala conservadora e quem era da ala revolucionária. Transcrevo esta ata logo abaixo, passando as palavras para a grafia atual. Convém explicar que os eleitores votaram em mais de um candidato para Conselheiro e Juiz Distrital, e por isso a soma de votos não corresponde à de eleitores.

Ata da Eleições Municipais de 1930 em São Bento do Sul

Transcrição da ata da eleição de Prefeito Municipal, Conselheiros Municipais e Juízes Distritais. Ata dos trabalhos eleitorais da 2ª Seção do município de São Bento, Estado de Santa Catarina, para a eleição de Prefeito, Conselheiros Municipais e Juízes Distritais do 1º distrito. Aos cinco dias do mês de Outubro do ano de mil novecentos e trinta, nesta vila de São Bento, no edifício da Prefeitura Municipal e sala das sessões do Conselho Municipal, local designado para funcionar esta seção eleitoral, após instalada a mesa pela forma constante da ata anterior, às dez horas do dia, presentes os mesários Hugo Fischer como Presidente, Ricardo Raschke como Secretário e Wenceslau Kahlhofer como mesário encarregado da chamada dos eleitores, tomaram assento no recinto, separado por um gradil da sala em que se reuniam os eleitores. O Presidente apresentou os dois livros para a eleição devidamente legalizados, um para as atas e outro para as assinaturas dos eleitores e em seguida mostrou a urna aberta ao presentes, que verificaram achar-se vazia. Instalada a mesa pela forma determinada na lei, declarou o Presidente que ia começar o processo eleitoral, mandando proceder a chamada dos eleitores pela lista apresentada. Cada eleitor ao ser chamado mostrava o seu título ao Presidente, assinando a lista de presença e depositava na urna, uma a uma, três cédulas, uma para Prefeito, outra para Conselheiros Municipais e outra para Juízes Distritais. Às quinze horas, encerrada a chamada, o presidente convidou os eleitores que por ventura não tivessem votado a depositarem sobre a mesa os seus títulos, o que foi feito, fazendo-se por eles nova chamada, depois do que votaram os mesários. Terminada a votação, verificou-se que tinham assinado o livro de presença e votado centro e trinta e dois (132) eleitores, e deixado de comparar centro e trinta e cinco (135) eleitores. Aberta a urna verificou-se existirem cento e trinta e duas cédulas (132) com o rótulo para Prefeito Municipal, centro e trinta e duas (132) cédulas com o  rótulo para Conselheiros Municipais e centro e trinta e duas células (132) com o rótulo para Juízes Distritais, o que coincide com o número de eleitores que compareceram. Contadas e examinadas as cédulas pelos respectivos rótulos, passou-se a proceder a apuração, começando pela eleição de Prefeito, passando-se depois à de Conselheiros Municipais e por último os Juízes Distritais, sendo as cédulas abertas e lidas em voz alta pelo presidente e examinadas pelos demais mesários. A apuração deu o seguinte resultado: Luiz de Vasconcellos, com cento e vinte e quatro (124) votos, José Brüsky, com oito (8) votos. Para Conselheiros Municipais: Luiz Olsen, com oitenta e dois (82) votos, João Treml, com oitenta e dois (82) votos, Jorge Zipperer, com oitenta (80) votos, Félix Husmann, com oitenta (80) votos, Roberto Buchmann, com setenta e nove (79) votos, Frederico Fendrich, com setenta e nove (79) votos, Wenceslau Kahlhofer, com setenta e oito (78) votos, Guilherme Bollmann, com doze (12) votos, Max Morgenstern, com doze (12) votos, Frederico Lampe, com doze (12) votos. Foram apuradas em separado oito (8) cédulas para Conselheiros Municipais, em virtude do disposto no art. 18 § 4 do decreto nº 2.472, de 26 de maio de 1930, e que na forma do art. 18 § 5 das ditas instruções serão rubricadas e remetidas ao Poder apurador. Para juízes distritais: Ricardo Raschke, com noventa e quatro (94) votos, Adolar Schwarz, com noventa e três (93) votos, Eduardo Trinks, com noventa e três (93) votos, Olympio Vidal Teixeira, com noventa e dois (92) votos, Antônio Knopka, com oito (8) votos, Paulo E. Koetzler, com oito (8) votos, Angelo Carlini, com oito (8) votos. Terminado a apuração, pelo eleitor Olympio Vidal Teixeira foram protestados verbalmente os votos obtidos pelo candidato a Prefeito Municipal José Brüsky, alegando o mesmo protestante a ilegibilidade daquele candidato, na forma do art. 4 do decreto retro mencionado. O Presidente mandou que se fizesse constar da ata o protesto interposto, proclamando em seguida, em voz alta, o resultado, mandando afixar o edital com o resultado à porte do edifício desta seção, determinando que se lavrasse a presente ata da qual serão extraídas três cópias para serem remetidas, uma ao Presidente do Conselho Municipal, uma ao Presidente do Estado e outra ao Presidente da Assembleia Legislativa do Estado, e transcrevê-la no livro competente do escrivão designado para este fim, nesta seção. Eu, Ricardo Raschke, Secretário, Wenceslau Kahlhofer, mesário. Reconheço como verdadeiras as assinaturas supra de Hugo Fischer, Ricardo Raschke e Wenceslau Kahlhofer, mesários desta 2ª seção, por ter delas pleno conhecimento, do que dou fé e assino em público e… Em testemunho (estava o sinal público) da verdade. São Bento, em 5 de Outubro de 1930. O Oficial do Registro Civil, servindo de Escrivão da Mesa: (a) Erico Bollmann. Era o que se continha em dita ata da eleição, para aqui bem e fielmente transcrita do respectivo livro, do que dou fé. Eu, Erico Bollmann, Oficial do Registro Civil, servindo de Escrivão da Mesa, a transcrevi e assino com os demais membros da Mesa.

São Bento, em 5 de outubro de 1930.

Hugo Fischer – presidente

Wenceslau Kahlhofer – mesário

Erico Bollmann – escrivão

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No dia 30 de agosto de 1891 houve uma eleição em São Bento do Sul para o cargo de Superintendente (equivalente ao atual Prefeito), intendentes municipais (os vereadores) e juízes de paz (com eleição específica para Campo Alegre).  Ao contrário do que normalmente acontecia, as eleições transcorreram pacificamente.

A apuração ocorreu apenas no dia 16 de setembro e revelou o seguinte resultado (os eleitos estão sublinhados, com exceção dos juízes de Campo Alegre, que não sabemos quantos vagas tinham):

SUPERINTENDENTE 

Francisco da Silva Sinks: 368 votos

Amando Jürgensen: 67 votos

INTENDENTE MUNICIPAL

Francisco Antônio Maximiano: 430 votos

João Machado Pereira: 367 votos

Philipp Maria Wolff: 362 votos

Agostinho Ribeiro da Silva: 361 votos

Líbero Guimarães: 355 votos

Jorge Schlemm: 73 votos

Aníbal Cezar da Rocha: 69 votos

Ernesto Mendel: 67 votos

Luiz  Scholz: 67 votos

Francisco José Ribeiro: 18 votos

Amando Jürgensen: 4 votos

João Filgueiras de Camargo: 1 voto

Francisco Bueno Franco: 1 voto

Rodolpho Klaumann: 1 voto

Frederico Rathunde: 1 voto

JUIZ DE PAZ – SÃO BENTO

João Filgueiras de Camargo: 281 votos

Francisco Gery Kamienski: 278 votos

José Linzmeyer: 277 votos

Jorge Schlemm: 228 votos

David Gaspar dos Santos Lima: 69 votos

Otto Bernardo Krause: 67 votos

Ignácio Fischer: 65 votos

Agostinho Ribeiro da Silva: 64 votos

JUIZ DE PAZ – CAMPO ALEGRE

José Affonso Ayres Cubas: 86 votos

João Augusto Schröder: 86 votos

Antônio Pedro de Carvalho Lisboa: 52 votos

Antônio Felisbino Lamim: 49 votos

Francisco Teixeira de Freitas: 42 votos

Francisco Carvalho de Assis: 23 votos

Olympio Nóbrega de Oliveira: 8 votos

Francisco Bueno Franco: 2 votos

Francisco Simões de Salles: 1 voto

Pedro Pereira Júnior: 1 voto

Manoel Cardoso Ferreira: 1 voto

Joaquim Narciso Soares: 1 voto

Júlio Richter: 1 voto

Essa eleição acabou sendo anulada por decreto, como todas as demais ocorridas no estado naquele dia. Os eleitos  tiveram que entregar o poder para a Junta Provisória Governativa, por conta das transformações políticas no Brasil e em Santa Catarina. A Junta dissolveu a Câmara e nomeou uma outra.
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Nessa câmara nomeada, reunida pela primeira vez em São Bento aos 23.01.1892, estavam: Francisco José Ribeiro, Presidente da Intendência, que não havia conseguido se eleger; Jorge Schlemm, que havia sido eleito juiz de paz; Paulo Timotheo Wielewski, que sequer aparecia na última votação; Olympio Nóbrega de Oliveira e Agostinho Ribeiro da Silva, que haviam concorrido a juiz de paz e que viraram Intendentes Conselheiros de São Bento.
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Naturalmente, essa transição não foi nada pacífica. Wolff, Líbero Guimarães e Maximiano resistiram por um bom tempo até entregar a chave e os arquivos da Câmara.
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A apuração dessa eleição, ainda que anulada, mostra o envolvimento de ao menos dois boêmios na política local: José Linzmeyer, que havia sido inclusive eleito juiz de paz, e Ignácio Fischer, que não conseguiu ser eleito para o mesmo cargo. Em geral, comenta-se que os imigrantes não tinham lá muito interesse na política, o que é bem visível se repararmos nos nomes das figuras que ocuparam cargos nos primeiros anos de São Bento. Quando havia imigrantes alemães, até então, nenhum deles tinha a origem boêmia, que foi a mais comum em São Bento e a qual pertenciam Linzmeyer e Fischer.
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Também chama a atenção a destacada votação de Francisco Antônio Maximiano, outrora visto como um simples intruso e perturbador do sossego alheio de São Bento, e especialmente dos imigrantes.

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Eleições do Passado

As primeiras votações em São Bento aconteciam assim: uma mesa eleitoral composta pelos juízes de Paz e mesários era montada na Câmara Municipal. Havia uma grade para garantir a privacidade e segurança da mesa. A urna era aberta diante de todos, para confirmar que não havia nada dentro dela. Feito isso, era trancada e então o mesário começava a chamar os eleitores em alta voz, um por um.

Cada eleitor passava pela grade, depositava a sua cédula na urna e então assinava a lista de presença. Depois de todos votarem, iniciava-se a contagem voto a voto, como acontecia antes da Urna Eletrônica. Um dos mesários fazia a leitura de cada voto e em seguida era feita a soma deles para descobrir quem eram os eleitos. Mas nem sempre dava certo: em 1886, por exemplo, havia mais cédulas na urna do que pessoas votando.

Eleições do Passado II

Naquele mesmo ano, Francisco de Paula Pereira era representante do partido liberal em São Bento. Como primeiro juiz de Paz da cidade, era ele quem conduzia a mesa eleitoral nas eleições. Mas havia poucos eleitores liberais, e Francisco previu a derrota de seu partido nas urnas. Diante disso, mandou que outro juiz de paz levasse o livro de assinatura dos eleitores para bem longe e só voltasse depois de ter esgotado o tempo para as eleições.

E foi o que aconteceu. O juiz de paz, Augusto Henning, só compareceu ao local da eleição às 9h30. Francisco então abriu uma votação com os mesários para verificar se os trabalhos deveriam continuar, pois o prazo para início da eleição já havia passado. Foram três votos a favor da continuidade dos trabalhos e uma abstenção. Não contando com isso, Francisco decidiu por conta própria encerrar a eleição, alegando que ela era ilegal.

Uma nova eleição aconteceu alguns meses depois. Na ocasião, foram eleitos dois liberais. Mas as confusões continuaram: foi exatamente essa a eleição que teve cédulas a mais.

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