Dr. Wolff

Sou tomado por uma repentina admiração pelo Dr. Felipe Maria Wolff. Não ignoro que o homem que hoje empresta seu nome ao Museu Municipal de São Bento do Sul podia ser muito desagradável e descarregar toda a sua ira contra os vários inimigos que teve ao longo da vida. Mas no dia de hoje, ele me inspira apenas simpatia.   

Isso se explica: terminei de ler o diário que o Dr. Wolff escreveu sobre o período em que esteve, como médico, auxiliando as forças legalistas na Lapa, durante a Revolução Federalista.

E pude encontrar o Dr. Wolff em momentos difíceis: dormindo em sacos de erva mate; impossibilitado de tirar as suas botas por dias seguidos; sentindo-se deslocado em meio aos rudes homens que faziam a guerra; sobrecarregado com o atendimento de feridos; caminhando sob o fogo dos federalistas enquanto se deslocava para atender seus pacientes; vendo granadas voarem sobre sua cabeça e explodirem a poucos metros; comendo mal e pouco; sentindo dores agudas nos rins e na bexiga e não conseguindo dormir; e sentindo muita saudade da sua filha Toni, e temendo que algo de mal lhe acontecesse.

Em outras palavras, encontrei o Dr. Wolff transformado em ser humano – o que inclui os seus defeitos. Francisco Brito de Lacerda disse que as opiniões de Wolff em seu diário revelavam o seu egocentrismo – e que cada um julgasse isso como bem entendesse. Creio que a leitura de um documento tão íntimo como um diário tornou mais tolerável tais defeitos – que não ignoro.

Mas ora bolas, eu tenho que parar com essa mania de me simpatizar por todo mundo