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Posts Tagged ‘Friedrich Fendrich’

Há alguns dias, por mero acaso, aproveitando a dica de Buca Seiffert no grupo “São Bento no Passado” do Facebook sobre o arquivo digital da Fundação Biblioteca Nacional, encontrei no site quatro fotos antigas de São Bento do Sul, todas com data de 1880. À exceção de uma delas, que retrata a casa do sapateiro Frederico Fendrich e a primeira igreja de São Bento, todas as outras não foram divulgadas em nenhuma publicação, e não posso confirmar sequer que existam no Arquivo Histórico da cidade.  Além de raras, as fotos representam momentos singulares na história da cidade.

Vamos a elas:

Essa é a segunda capela da sede de São Bento – não necessariamente a segunda capela da cidade. Ficava na atual rua Jorge Lacerda. Sua construção é tida pelo historiador Alexandre Pfeiffer como tendo ocorrido entre os anos de 1878-1879.

Essa é uma das mais incríveis fotos sobre a nossa história. Também é a primeira em que aparece o Rio São Bento (embaixo à esquerda). Foi tirada do morro do  Buschle. A casa mais à esquerda é provavelmente a primeira que teve o Dr. Phillipp Maria Wolff em São Bento, antes de construir, um pouco mais para frente e adiante,  o seu palacete, hoje transformado em Museu Municipal. A segunda casa, com três janelas na vertical da parte de trás, ainda estava em pé no início dos anos 70, segundo recorda Henry Henkels. Ali funcionou um escritório de Heinz Zulauf.  Nos anos 60, funcionava nela uma padaria de Ewald Stratmann, que depois se mudou para Canoinhas. As demais casas e construções ainda permanecem desconhecidas.

Repare no enorme pinheiro de quatro copas no canto direito superior da foto.  É o mesmo pinheiro que aparece na parte direita da foto abaixo:

Essa é a única foto conhecida entre essas disponíveis na Biblioteca Nacional. A casa no centro da imagem é a residência de Frederico Fendrich, o sapateiro, e primeiro professor da sede. Ficava na esquina da Rua Visconde de Taunay, onde antigamente era a agência da Caixa Econômica e hoje é a Farmácia do Sesi. Logo acima na foto está aquela que seria a primeira igreja do centro de São Bento. Em geral, essa foto aparece como sendo de 1875, o que não pode ser verdade, pois neste ano a igreja ainda não havia sido construída. Em 1880, nem a igreja permanecia lá e nem Frederico Fendrich mantinha mais a escola em que lecionou provisoriamente entre 1876-1879.

Essa é provavelmente o registro mais antigo de Oxford (o bairro que nasce do encontro da Estrada Dona Francisca com o Caminho de Argollo). Em 1880, o lugar já era conhecido por esse nome.  Segundo o historiador Henry Henkels, tudo leva a crer que a “serraria – engenho de herva – moinho” citados na legenda fossem as instalações de August Henning, um dos pioneiros da indústria local.

São, em suma, as mais antigas que temos sobre a nossa história!

Confira aqui outras fotos antigas de São Bento do Sul.

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 A primeira escola da região central de São Bento do Sul ficava no antigo prédio da Caixa Econômica Federal – atual Farmácia do Sesi. Foi construída ao lado da casa de seu primeiro professor, o sapateiro Friedrich (Frederico) Fendrich. Há razões para acreditar que a escola não foi construída em 1875, como sugere o cronista Josef Zipperer, e que inclusive tenha sido posterior à criação da primeira igreja católica da cidade, episódio que aconteceu em março de 1876.

Em primeiro plano, a casa de Friedrich Fendrich, localizada no começo da atual Avenida Argolo. Ao seu lado, a improvisada escola em que Fendrich, primeiro professor do lugar, lecionou entre 1876-1879. Aos fundos, a primeira Igreja de São Bento. Arquivo Histórico Municipal de São Bento do Sul

Isso porque o material usado para construir o prédio escolar foi feito com o rancho abandonado do agrimensor Theodor Ochsz, o qual, segundo documentação oficial citada pelo historiador Carlos Ficker, só foi embora de São Bento em maio de 1876. Esse rancho, localizado na região de Oxford, foi desmontado pelos colonos e trazido nas costas até o centro. Em seguida, montaram-no novamente ao lado da casa de Fendrich. Colocaram-se bancos e estava pronta uma escola.

 A iniciativa dos colonos teve origem na necessidade de que os seus filhos não crescessem como analfabetos e nos insucessos que haviam tido tentando que a Sociedade Colonizadora, em Joinville, providenciasse uma escola para São Bento. De forma improvisada, os imigrantes agiram por conta própria. Escolheram Fendrich como professor porque, entre os rústicos imigrantes, era quem havia tido melhor educação e havia adquirido certa cultura em Viena, cidade em que morava ao imigrar.

Frederico Fendrich (1843-1906), sapateiro de ofício, aceitou a missão de ensinar as crianças na primeira escola da sede de São Bento.

As aulas eram ministradas em alemão, única língua que Fendrich sabia falar – e com forte sotaque vienense. Embora as famílias alemãs fossem a maioria daquelas que habitavam a sede de São Bento, também existiam as polonesas, que se opuseram à nova escola e não mandaram seus filhos para lá. A escola de Fendrich chegou a ter cerca de 30 alunos, cujos pais pagavam uma mensalidade de 500 réis. A Sociedade Colonizadora passou a subvencionar a escola com 1200$000 por ano.

O sustento de Fendrich, no entanto, vinha com seu verdadeiro ofício. O professor ministrava as aulas pela manhã e à tarde entrava em cena o sapateiro. A escola continuou funcionando, embora com intervalos irregulares, até por volta de setembro de 1879. Na ocasião, chegou a São Bento o padre Adalberto de Leliva Bukowski, que assumiu a questão do ensino na Colônia e atraiu para uma nova escola os poloneses que Fendrich não podia ensinar.

Foi, portanto, por cerca de três anos que funcionou a primeira escola do centro de São Bento. O reconhecimento pelos esforços de Frederico Fendrich no seu cargo improvisado de professor e o seu pioneirismo na atividade fizeram com que fosse homenageado, anos depois, com o nome de um estabelecimento de ensino no bairro de Serra Alta. Muito se falou sobre a possível construção de um busto em sua homenagem no local da primeira escola, mas nada foi feito na prática até hoje.

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A atividade de sapateiro na família Fendrich começou com o imigrante Frederico Fendrich, que aprendeu o ofício  em Viena. Em São Bento, logo tratou de montar uma sapataria anexa à sua casa. Quando seus filhos Frederico e Francisco cresceram, passaram a trabalhar na oficina do pai. A família cobrava 7 mil réis por um par de botinas que, segundo quem usava, duravam anos. As botas até o joelho eram usadas para enfrentar o mato e a roça.

Em 1906, o sapateiro Frederico Fendrich faleceu. Seus dois filhos não se entenderam sobre quem deveria tomar à frente nos negócios da família. Não houve acordo amigável. Por fim, a sapataria passou a ser cuidada pelo filho também chamado Frederico – que era o mais velho. Seu irmão Francisco, não se conformando com a decisão, decidiu se mudar para Curitiba, afirmando inclusive que jamais voltaria a pisar em São Bento – promessa exagerada, pois cinco anos depois ele participou de um casamento na cidade.

Enquanto Francisco tentava abrir uma sapataria em Curitiba, Frederico tratou de aperfeiçoar os negócios que havia herdado do pai. A sapataria chegou a contar com dez funcionários e, conforme progredia, foi possível anexar a ela uma loja de calçados. Frederico ensinou o ofício ao seu filho Alexandre, que conduziu a Sapataria Fendrich até os primeiros anos da década de 70.

Como foi em 1875 que Friedrich Fendrich iniciou a atividade em São Bento, a sapataria funcionou por praticamente 100 anos na cidade.

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É sabido que o imigrante Friedrich Fendrich, sapateiro e primeiro professor do núcleo central de São Bento, veio ao Brasil de Viena, capital da Áustria. Fendrich, no entanto, nasceu na aldeia de Lomnitz, na Boêmia. Não sabemos com precisão ainda em que momento e por quais motivos Fendrich deixou sua aldeia natal e partiu para Viena – grande centro urbano da época.

Até pouco tempo, não estava descartada a hipótese de que Friedrich teria se mudado bastante jovem para lá, possivelmente ainda criança, acompanhado dos pais, Franz Fendrich e Maria Magdalena Trnka. Agora, somos levados a crer que Friedrich se mudou sozinho para Viena – essa descoberta é importante para podermos pensar nos possíveis motivos para a sua mudança.

A descoberta surgiu porque Friedrich Fendrich registrou civilmente em São Bento do Sul, no ano de 1891, seu filho mais novo, Rodolfo Fendrich. Nesse assento, Friedrich declara Lomnitz como sua naturalidade, que se casou com Catharina Zipperer em Viena, e que seus pais já haviam falecido na Boêmia. Admitindo que isso seja verdade, é de se supor que Franz Fendrich e sua esposa não acompanharam Friedrich quando este se mudou para a capital da Áustria.

Ainda se sabe muito pouco sobre o passado de Friedrich Fendrich na Europa. A mudança para Viena sugere uma busca por estudo ou trabalho – de fato, consta que Friedrich era homem bastante sabido em meio aos imigrantes e que, além disso, teria aprendido em Viena o seu ofício de sapateiro.

Se não sabemos com exatidão o motivo que levou Friedrich à Viena, também estranharíamos a mudança que o trouxe até São Bento, se considerarmos que a urbanizada capital austríaca contava com cerca de 700 mil habitantes na época, enquanto que a nossa cidade, no meio do mato, contava com mais ou menos 500 caboclos. Vieram, ao que tudo indica, seduzidos pelos relatos da família de sua esposa, Catharina Zipperer, que pintavam a região como verdadeiro paraíso e, além de tudo, custearam a passagem da família.

A Catedral de Viena, em 1870, contrasta absurdamente com o “estábulo”, como chamou José Zipperer, que se tornou a primeira igreja de SBS

Tenho pesquisado muita coisa e sobre muitas famílias, mas as pequenas e até mesmo raras descobertas sobre os Fendrich, família do qual porto o sobrenome, estão entre as que mais me emocionam. Escrevi recentemente um artigo de 10 páginas sobre a saga da família Fendrich, que deveria ser publicada no livro “Famílias Catarinenses de Origem Germânica”, obra que ainda não saiu. Caso demore mais, publicarei aqui no blog.

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Em setembro, deve acontecer em São Bento do Sul a 1ª Böhmenfest. A festa busca resgatar o espírito boêmio que inspirava a Sociedade Auxiliadora Austro-húngara, uma agremiação criada entre 1895-1898 para o auxílio mútuo entre os imigrantes boêmios da cidade. A Sociedade, que foi presidida pelo meu trisavô Friedrich Fendrich, também costumava realizar grandes bailes e comemorações – em especial, por ocasião do aniversário de Franz Joseph, o imperador austríaco da época. E a intenção da Böhmenfest é justamente resgatar a memória dessas festividades, permitindo que as tradições trazidas pelos imigrantes possam ser preservadas e transmitidas às novas gerações. A iniciativa é louvável não apenas por garantir a tradicional festa de setembro na cidade, mas por resgatar a memória de uma Sociedade ainda não muito conhecida na história de São Bento do Sul, o que, a partir de então, pode estimular que novas descobertas sobre ela sejam feitas. Além disso, a festa representa uma afirmação das origens boêmias da maior parte dos imigrantes – e não mais uma genérica “Alemanha”. Com o tempo, a festa pode contribuir também para o aumento do conhecimento histórico e geográfico do passado de São Bento do Sul. Deseja-se sucesso para a festa!

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I. JAKOB ZIPPERER, morador da Boêmia, casado com Theresia Bohmann, filha de Franz Bohmann, com quem teve:

II. ANTON ZIPPERER, um dos primeiros imigrantes da Colônia de São Bento. Segundo Josef Blau, foi soldado em Klosterneuburg e Viena, na Áustria, e em Verona, na Itália. Nasceu em Flecken #34 no dia 12.01.1813[1]. Conheceu Elisabeth Mischeck, nascida em Gunderwitz por volta de 1822, filha de Thomas Mischeck, carpinteiro e soldado nos Dragões dos Imperador, e de sua esposa Bárbara Kreil. Com ela, se casou em Flecken no dia 08.02.1847. Trabalhava na fazenda de um camponês, realizando todo tipo de serviço que sua família precisasse, e podendo apenas criar algumas galinhas e uma vaca (ZIPPERER, 1954). Sem possibilidade de mobilidade social, Anton Zipperer imigrou com a família ao Brasil em 1873, a bordo do Navio Zanzibar. Tão logo chegaram, ele e seus filhos homens arrumaram emprego na construção da Estrada Dona Francisca. Pouco tempo depois, iniciou-se a subida da serra, com o objetivo de dar início à fundação da Colônia São Bento, da qual Anton Zipperer foi um dos pioneiros (FICKER, 1973). A família conseguiu boas colheitas e, com elas, estabilidade econômica, deixando um legado de prosperidade aos descendentes, o que não seria mais possível na Boêmia. Anton Zipperer faleceu em São Bento do Sul no dia 20.12.1891, já viúvo de Elisabeth Mischeck, falecida em 30.10.1888, tendo sido ambos sepultados no Cemitério Católico da cidade, não mais existente. Tiveram, entre outros:

III. CATHARINA ZIPPERER, nascida em Flecken no dia 08.07.1845. Casou-se em Viena por volta de 1873 com Friedrich Fendrich, filho de Franz Fendrich e Maria Magdalena Trnka. O casal imigrou ao Brasil em 1875 a bordo do Barco Alert, dois anos depois da vinda de Anton Zipperer. Faleceu em São Bento do Sul no dia 18.12.1905, sendo sepultada no Cemitério Municipal. A descendência segue no título FENDRICH.

[Para reprodução do conteúdo, favor citar a fonte]


[1] Conforme pesquisas de David Kohout nos arquivos da região.

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Há algum tempo escrevi sobre o suicídio de Julie Löffler, esposa de Anton Herdina, ocorrido pouco mais de um ano após ter dado à luz uma filha. As circunstâncias em que isso se deu ainda eram um total mistério, mas agora muitas coisas começaram a ficar mais claras.

Encontrei a seguinte referência feita por Alexandre Pfeiffer, à página 132 do “História da Igreja Católica de São Bento”:

“Já em 1884, um tal de Herdinah matou José Zappa a machado. O criminoso fugiu em seguida para o Paraguai. Sua esposa, pobre e abandonada, se viu levada ao desequilíbrio. Quando lhe nasceu o filho, levou-o, no avental, a uma família e deu fim à própria vida”.

O historiador usou o caso para demonstrar que a população de Rio Vermelho nem sempre vivia dias pacatos. Não existe muita dificuldade em entender que o Herdinah se refere ao sobrenome Herdina. E como já sabíamos do episódio do suicídio da esposa de Anton Herdina, logo se percebeu que a referência de Pfeiffer diz respeito ao mesmo casal a que nos referimos aqui. A explicação do suicídio de Julie Löffler estaria, segundo essa versão, relacionada ao assassinato cometido pelo seu esposo (em circunstâncias igualmente desconhecidas), pois a sua fuga teria feito com que ela perdesse o equilíbrio.

Mas alguns reparos precisam ser feitos nas informações de Pfeiffer. Quem morreu assassinado não foi José Zappa, mas Francisco Zappa (ou ainda Zappe e Zappl). E, na verdade, isso ocorreu no ano de 1885 – mais precisamente, no dia 11 de janeiro.

A correção da data do assassinato também permite que a história se torne muito verossímil. Isso porque, nessa ocasião, Julie Löffler estava realmente grávida – não de um filho, como diz Pfeiffer, mas de uma menina. E ela nasceria um mês depois, no dia 12 de fevereiro de 1885, sendo batizada no mesmo dia com o nome de Bertha e tendo como padrinhos meu trisavô Friedrich Fendrich e Bertha Kunlatsch.

Mas o suicídio de Julie não ocorreu tão logo a criança veio ao mundo, como Pfeiffer dá a entender. Apenas em 25 de março de 1886, mais de um ano depois de nascer Bertha, Julie enforcou-se em sua casa em Bechelbronn.

Temos, portanto, três fatos concretos: Francisco Zappe sendo assassinado, Julie se tornando mãe e Julie se suicidando. As informações do livro de Pfeiffer tornam possível reunir esses fatos em torno de uma mesma história, motivada por um assassinato ainda não explicado – e esse é um dos mistérios que ainda persistem.

Da mesma forma, não nos é possível assegurar que Anton Herdina realmente tenha se mudado para o Paraguai. O ato de desespero da sua esposa, somado à tradição oral que chegou até Pfeiffer, parece apontar realmente para a saída dele de São Bento. Mas nos faltam registros que confirmem a fuga para aquele país, bem como desconhecemos o que lhe sucedeu depois disso. Por ora, a informação sobre o Paraguai é apenas uma interessante pista que ainda precisa de comprovação documental.

Também não sabemos se realmente Julie Löffler abandonou sua filha. O suicídio só viria a ocorrer um ano depois do nascimento de Bertha, mas não podemos garantir que, na ocasião, ela estivesse morando com a mãe. De qualquer forma, quando Julie faleceu, alguém, certamente, teve que ficar cuidando do bebê – e não só de Bertha, mas dos outros filhos de Anton e Julie, todos pequenos. Quem teria acolhido essas crianças? Ainda não encontramos nenhuma pista nesse sentido.

Encontramos, recentemente, descendentes de Maria Herdina, também filha de Anton Herdina e Julie Löffler. E foi possível constatar que ao menos alguns dos filhos desse casal se mudaram para a região de Rio Negro e Itaiópolis. Essa informação talvez possa ser útil na tentativa de identificar aqueles que acolheram as crianças Herdina, já que é provável que também tenham se mudado para lá. Os descendentes, no entanto, desconheciam o episódio do suicídio e do assassinato e, assim sendo, não poderiam informar sobre o paradeiro de Anton Herdina.

Anton e Julie foram pais de ao menos Antônia, nascida ainda na Boêmia, Anna, Maria e Bertha. Dessas, só se conhece o casamento de Maria Herdina, que casou-se em Rio Negro com Alberto Steidel. No entanto, existe uma Alberta Herdina que foi casada com José Becker. Documentos de Itaiópolis, conforme informações do Professor Fernando Tokarski, dão conta de que essa Alberta teria nascido por volta de 1887 – o que certamente está equivocado, já que, nessa data, a fuga de Anton e o suicídio de Julie já haviam ocorrido. Somos fortemente levados a acreditar que Alberta é Bertha Herdina, a mesma criança infeliz que ainda estava na barriga da mãe quando aconteceu o assassinato, e que com um ano de idade ficou órfã da mãe. Essa hipótese sustenta-se não apenas na semelhança fonética entre Alberta e Bertha, mas também na inexistência de qualquer registro de batismo de outra criança nos livros da Igreja Católica de São Bento (além de que, por ser a última filha, é a que mais se aproxima do ano de 1887, estimado em documentos de Itaiópolis).

São essas, em suma, as discussões que puderam ser suscitadas a partir da referência feita por Alexandre Pfeiffer.

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Seguindo a tradição de se criar “sociedades culturais, recreativas e beneficentes” em colônias alemãs (FICKER 1973), São Bento do Sul também teve as suas. Já em 1881 existia a Sociedade Literária, que perdura até os nossos dias. Outra que resiste é a Sociedade dos Atiradores, criada em 1895. E os velhos boêmios, que imigraram ao Brasil na década de 1870, também decidiram criar a sua Sociedade Auxiliadora. Verdade é que uma das motivações para essa criação foi o ciúme que tinham da Sociedade dos Soldados Veteranos, como Josef Zipperer (1954) não fez nenhuma questão de esconder. Essa outra agremiação reunia alemães ex-combatentes de batalhas, como “as guerras de 1864-1866” e a “grande guerra contra a França”, em 1870 e 1871 (Idem). Cheio de condecorações estampadas no peito, era com grande galhardia que os membros desfilavam pelas ruas de São Bento no dia 02 de setembro, quando lembravam a batalha de Sedan, na guerra de 1870.

Os boêmios, embora mais rústicos, também tinham os seus ex-combatentes. Havia alguns que lutaram nas guerras na Dinamarca, contra os Prussianos, em Sadwa, e mesmo na Itália. Não poderiam, naturalmente, fazer parte da outra sociedade, já que lá estavam apenas os alemães prussianos, que há pouco tempo ainda estavam em guerra contra os austríacos. Quiserem então fazer uma sociedade á parte, e criaram a Sociedade Auxiliadora Austro-húngara.

Ao que parece, não existem muitos registros sobre essa sociedade – já teriam sido encontrados se houvessem. De modo que sabemos muito pouco sobre ela, além dos relatos de Zipperer. Sabemos por dedução que sua criação se deu entre os anos de 1895 e 1898. Primeiro, porque Zipperer diz que quando da criação da Sociedade, já existia o grupo dos Atiradores, e ele foi criado em 1895. Segundo, porque o mesmo autor cita um episódio dessa Sociedade que aconteceu em 1898. Quanto à duração, tampouco nos é possível precisar, mas sabemos pelas atas da Sociedade de Cantores que ainda existia em meados de 1906.

Meu trisavô Friedrich Fendrich foi presidente da Sociedade. Não se sabe durante qual período, ou se houveram outros. A Sociedade tinha uma bandeira que misturava o verde-amarelo do Brasil com o amarelo-preto da dinastia dos Habsburgos, que por séculos governaram a Áustria, e ainda governavam quando da criação da Sociedade.

A grande festa dessa associação era no dia 18 de agosto. Portando, apenas alguns dias antes da festa prussiana. Nesse dia se comemorava o aniversário de Francisco José, o imperador austríaco. Como os prussianos, agora os boêmios também poderiam desfilar nas vias púlicas. Aqueles que eram ex-combatentes poderiam, igualmente, exibir orgulhosamente as suas condecorações.

Zipperer descreve uma dessas festividades, falando que antes do desfile, membros e familiares assistiam a uma missa. Os festejos começavam em seguida, animados por bandas que tocavam canções da Boêmia, terra de todos eles. Terminavam o dia na cervejaria de Johann Hoffmann, que era o secretário da Sociedade.

A sede da sociedade era o salão de Josef Zipperer. Nas comemorações do ano de 1898, houve então um baile nesse salão. Ele nunca havia ficado tão cheio, com os membros e suas famílias, que “na maioria eram simples lavradores” (ZIPPERER 1954). Os dançarinos tiveram que ficar separados em grupos. Por essas dificuldades, a sociedade decidiu trocar de salão, e optou pelo salão de Hermann Knop (um pomerano! Zipperer julgou isso como uma verdadeira desfeita).

Os livros não nos apontam muitas coisas a mais sobre a Sociedade, além da fajuta visita do cônsul alemão, forjada por Zipperer para se vingar da desfeita, e que já foi narrada aqui. Eis uma foto dos membros em 1900:

E quem eram esses membros? Infelizmente a maioria não é mais possível descobrir. O livro de Vasconcellos nos dá o nome de dois: o presidente Friedrich Fendrich, que é o quinto da primeira fileira, partindo da esquerda, e ainda o do secretário Johann Hoffmann. Esse era também cervejeiro, e teve a infelicidade de ser desafeto do Dr. Philipp Maria Wolf, que, nas suas críticas, dizia que fazia parte de “agremiações idiotas”. Todos os outros fotografados são tratados como incógnitos. Mas algumas descobertas foram feitas. Por fontes de tradição familiar, sabemos também que faziam parte Aloís Schreiner e seu irmão Johann Schreiner. Aloís é provavelmente o terceiro da segunda fileira, partindo da direita. Seu irmão Johann provavelmente estava perto, podendo ser o que está antes dele. Mas isso ainda não é possível afirmar. Graças a foto de Benedicto Bail que recebi de Norma Huebl e ao olhar clínico de Rose Vidal Teixeira, descobri que também ele fez parte da Sociedade! Isso era algo totalmente desconhecido, embora bem possível. Uma pequena descoberta como essa é cheia de significação e importância, ainda mais que foi feita exatamente na semana que lembro o seu 80º aniversário de falecimento. Ele é o quarto da segunda fileira, partindo da esquerda. Está atrás de Fendrich (o que também me leva a uma conclusão curiosa: o avô do meu opa conhecia o avô da minha oma). Nesse post aqui, tem a foto do Benedicto que mostra traços idênticos, embora nessa ele já estivesse mais velho: http://coisavelha.blogspot.com/2007/09/benedikt-beyerl.html

Suponho que Jacob Treml também fizesse parte da Sociedade. Digo isso porque, além de ser boêmio, ele era veterano de guerra. Quem seria ele naquela foto? O mesmo podemos dizer de Georg Gschwendtner, cuja identidade na foto só será possível descobrir se porventura um descendente tiver alguma relíquia que permita a comparação. Tantos e tradicionais sobrenomes boêmios em São Bento também certamente devem estar representados nessa foto. As buscas continuam, tanto pela identificação como no detalhamento das atividades da sociedade.

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Reproduzo aqui a história da Escola Frederico Fendrich, que está disponível no blog http://eebfredericofendrich.blogspot.com/, de onde também são as fotos:

“A história da nossa escola deu-se em 1953, quando iniciou-se em uma casa com a professora Amazilda Monick. O bairro foi crescendo, aumentaram os alunos, em l959 era ESCOLA ISOLADA TRISDOBRADA. Em 1960 foi construído prédio próprio pelo governo do estado sendo que o terreno foi doado pelo Sr. Wigando Ruckl e sua esposa Cecília Ruckl , residentes neste município. O prédio foi inaugurado em 21 de agosto e recebeu como patrono o professor Frederico Fendrich. Sendo assim, a escola passou a se chamar ESCOLA REUNIDA PROFESSOR FREDERICO FENDRICH.”

 

A Escola de Educação Básica Frederico Fendrich situa-se na Rodovia SCT 280 n° 785 – Bairro Serra Alta, na cidade de São Bento do Sul – SC. Foi fundada em março de 1953.

A Unidade Escolar possui um terreno com área de 8.000 m². Sua área construída é de 2.167,00 m², funciona em três períodos: matutino, vespertino, noturno com aproximadamente 758 alunos. Sendo no ensino médio 373 e no ensino fundamental 386.

 

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