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Posts Tagged ‘Gripe Espanhola’

Há algum tempo eu tive a curiosidade de descobrir a quantidade de pessoas registradas em São Bento do Sul como vítimas da gripe espanhola, no final de 1918 e começo de 1919. Aproveitando a comodidade oferecida atualmente pelo Family Search, me dispus a comparar os dados do Cartório do Registro Civil de lá com o de outras cidades (no caso, aquelas que fazem parte da Região Metropolitana do Norte/Nordeste Catarinense).

Considerei todas as mortes que apontam como causa algo relacionado a gripe (às vezes apenas “gripe”, às vezes “influenza”, às vezes exatamente “gripe espanhola”, ou ainda outras variações). Não significa necessariamente que todas essas pessoas tenham morrido pela espanhola, mas apenas que morreram de gripe em época compatível com a epidemia. Naturalmente, os dados também não mostram a quantidade de pessoas que morreram pela gripe espanhola em cada cidade, mas apenas aquelas que vieram a ser registradas. E, obviamente, precisa-se levar em conta também a possibilidade de equívoco no diagnóstico.

Percebi que muitos cartórios funcionavam de forma bastante precária, e que portanto, no caso dessas cidades, só os registros civis não são suficientes para avaliar a extensão da epidemia. Os escrivães dos cartórios de Barra Velha, Itaiópolis e Jaraguá do Sul, infelizmente, não apontavam a causa de nenhum óbito, o que tornou impossível descobrir os números dessas cidades.

São Bento do Sul (na época englobando também Rio Negrinho) apresentou o maior número de registros absolutos durante o período, na região e o segundo mais alto percentual na região da gripe como causa mortis, perdendo apenas para Bela Vista do Sul. Os números de Campo Alegre também foram altos. Araquari, São Francisco do Sul e Joinville apresentaram os menores índices. Em Joinville a epidemia parece ter concentrado no mês de novembro de 1918, enquanto que nas cidades menores ela se alastrou em dezembro e janeiro do ano seguinte. Os dados encontrados são indícios para novas abordagens,e estão longe de definir a questão.

Segue então a tabela, com o número de registros absolutos em cada mês e, entre parênteses, a porcentagem aproximada diante do total de óbitos.

espanhola
Abaixo, a nominata das pessoas falecidas pela gripe em São Bento do Sul/Rio Negrinho. Existem  uns poucos registros isolados que também falavam em espanhola, feitos em abril e junho de 1919, e até mesmo alguns feitos anos depois, o que muito provavelmente trata-se de equívoco.
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30.11.1918 Gustavo Keil 39 anos, Rua do Mercado
05.12.1918 Carlos Kwitschal 66 anos
12.12.1918 Maria Ferreira de Castilho 22 anos Rio Preto
13.12.1918 Francisca Langowski 4 meses Rio Natal
13.12.1918 João Matheus de Castilho 4 anos Rio Preto
14.12.1918 José Nicolau de Castilho 35 anos Rio Preto
14.12.1918 Izudina Vidal Teixeira 2 anos e 10 meses Mato Preto
17.12.1918 Francisca Ferreira Rocha 23 anos Rio Preto
18.12.1918 Anna Ferreira dos Santos 66 anos Rio Preto
21.12.1918 Maria Luzia dos Santos 40 anos Colônia Olsen
30.12.1918 Idalina Marques Massaneiro 22 anos Rio Preto
01.01.1919 Antônio Gonçalves Bonete 24 anos Rio Preto
10.01.1919 Francisco Dollack 81 anos Estrada Humboldt
12.01.1919 Manoel Carvalho 42 anos Lençol (provável)
16.01.1919 Benedicta Rodrigues 45 anos Rio Negrinho
16.01.1919 Frederica Goll 73 anos, na casa de Fco. Engel
17.01.1919 Willy Jung 39 anos, na casa de Jorge Zipperer
18.01.1919 Augusto Beier 28 anos casa de João Treml
20.01.1919 Pedro Dollack 8 meses Estrada Humboldt
26.01.1919 Roberto Seidl 8 anos e 8 meses, na casa de Henrique Seidl
27.01.1919 Gertrudes Mallon 8 anos e 10 meses Cruzeiro
27.01.1919 Leopoldo Gelinski 1 mês Estrada Wunderwald

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Consultei os livros de óbito do cartório para saber quantas pessoas foram registradas como vítimas da gripe espanhola entre 1918-1919. Encontrei 24, a maioria entre dezembro e janeiro. Ei-los, com as datas, idades e locais:

30.11.1918 Gustavo Keil 39 anos, Rua do Mercado
05.12.1918 Carlos Kwitschal 66 anos
12.12.1918 Maria Ferreira de Castilho 22 anos Rio Preto
13.12.1918 Francisca Langowski 4 meses Rio Natal
13.12.1918 João Matheus de Castilho 4 anos Rio Preto
14.12.1918 José Nicolau de Castilho 35 anos Rio Preto
14.12.1918 Izudina Vidal Teixeira 2 anos e 10 meses Mato Preto
17.12.1918 Francisca Ferreira Rocha 23 anos Rio Preto
18.12.1918 Anna Ferreira dos Santos 66 anos Rio Preto
21.12.1918 Maria Luzia dos Santos 40 anos Colônia Olsen
30.12.1918 Idalina Marques Massaneiro 22 anos Rio Preto
01.01.1919 Antônio Gonçalves Bonete 24 anos Rio Preto
10.01.1919 Francisco Dollack 81 anos Estrada Humboldt
12.01.1919 Manoel Carvalho 42 anos Lençol (provável)
16.01.1919 Benedicta Rodrigues 45 anos Rio Negrinho
16.01.1919 Frederica Goll 73 anos, na casa de Fco. Engel
17.01.1919 Willy Jung 39 anos, na casa de Jorge Zipperer
18.01.1919 Augusto Beier 28 anos casa de João Treml
20.01.1919 Pedro Dollack 8 meses Estrada Humboldt
26.01.1919 Roberto Seidl 8 anos e 8 meses, na casa de Henrique Seidl
27.01.1919 Gertrudes Mallon 8 anos e 10 meses Cruzeiro
27.01.1919 Leopoldo Gelinski 1 mês Estrada Wunderwald
20.04.1919 João dos Santos 60 anos Mato Preto
11.06.1919 Pedro Franken 31 anos Casa Paroquial da vila

A simples anotação da causa não garante que foi realmente gripe espanhola – especialmente esses dois últimos assentos, feitos depois que o “boom” da doença já havia passado na região. A gripe continuou sendo apontada como causa mortis em anos posteriores, muito provavelmente de forma equivocada. Meu trisavô Karl Friedrich Wilhelm Giese, falecido apenas em 09.06.1923, possui a espanhola como um dos motivos que o levaram a falecer.

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