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Posts Tagged ‘República Tcheca’

Como eu havia comentado aqui, foi lançado no último sábado em Nýrsko, na República Tcheca, a versão em tcheco para o livro ” São Bento no Passado”, com as memórias de Josef Zipperer sobre o tempo da imigração e colonização de São Bento do Sul. A Sra. Christa Petrásková, que ajudou Petr Polakovič na tradução na obra, me mandou o relato sobre esse lançamento, e que eu traduzi e reproduzo logo abaixo, acompanhado das fotos:
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São Bento em Nýrsko! 
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Nossa expedição para a Floresta Boêmia foi um sucesso! Nós dois, Sr. Polakovič e eu, saímos cedinho. Eu fui de ônibus de Jablonec, e o Sr. Polakovič foi de carro de Brandýs. Nós nos encontramos em Praga na rodoviária. Polakovič  mostrou-me os novos livros de São Bento no porta-malas do seu carro! 1000 exemplares! 
O título do livro é “Šumavané v Brazílii”, que significa “Pessoas da Floresta Boêmia no Brasil”. Tem 87 páginas e 22 fotos. Também 13 anúncios. Nós fomos para Nýrsko e tivemos um típico almoço tcheco: tortas, porco defumado, chucrute e cerveja de Pilsen. 
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Então nós demores uma caminhada em Nýrsko com o diretor do museu local. Ele nos mostrou a casa do escritor Josef Blau, que fez o livro “Baiern in Brasilien”, sobre os Zipperer e São Bento. Blau foi professor na escola local e um especialista na etimologia e história da fabricação de vidro na Floresta Boêmia. Foi expulso em 1946 e morreu no ano de 1960 em Straubing, Alemanha.

Casa de Josef Blau, o autor de "Baiern in Brasilien", obra sobre famílias de São Bento

A apresentação do livro de São Bento começou às 15h na livraria. O Sr. Polakovič cumprimentou todas as pessoas – havia cerca de 50 pessoas na plateia, além do diretor do museu, atendentes, uma senhora de autoridade de Plzeň, e o prefeito de Chudiwa/ Chudenín – cidade a qual pertencem as vilas de Santa Katharina, Flecken e Hammern.

Plateia em Nýrsko para o lançamento do livro "São Bento no Passado" na língua tcheca

Eu li o poema sobre São Bento e a história sobre o casamento da Floresta Boêmia. O Sr. Polakovič mostrou fotos do Brasil e também documentos sobre a emigração, como listas de navio e passaportes.
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No meio do seu discurso, houve um rumor na porta: um brasileiro está aqui! Nós pensamos: “O pessoal de São Bento nos encontrou! Um milagre!”.
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Mas era Alessandro, um brasileiro de São Paulo que se casou com uma tcheca e agora está empregado numa fazenda tcheca. 
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Então tivemos torrada com vinho tinto brasileiro e batizamos o livro.

Christa Petrásková e Petr Polakovič brindam o lançamento do livro em tcheco.

 Uma outra surpresa! Uma bela senhora, chamada Kvetoslava Zipperer, que manteve por muito tempo correspondência com o Brasil, mas que a enviou para alguém na Inglaterra. Ela só fala tcheco, então não entendeu que tipo de papéis era.
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Já era quase tarde quando tivemos que partir, porque eu precisava pegar o último ônibus de Praga para Jablonec, que saía às 20h30. Em Praga estava chovendo, mas em Jablonec havia grande quantidade de neve. Meu cachorro Brutus ficou muito feliz ao me ver às 22h30.

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Fiquei feliz ao saber que a tradução do livro “São Bento no Passado”, de Josef Zipperer para o tcheco, da qual eu havia tomado conhecimento recentemente, será lançada no próximo sábado (21/01) em Nyrsko, na República Tcheca. A versão foi feita por Petr Polakovic e, pelo que sei, com a ajuda de Christa Petraskova, com quem mantenho contato via e-mail.

Acho a iniciativa extremamente valiosa para aproximar tchecos e brasileiros. Há algum tempo já existe um  intercâmbio cultural entre a República Tcheca e cidades gaúchas que receberam imigrantes boêmios, como Nova Petrópolis e Jaguari. É chegada a hora de São Bento também aproveitar a sua condição de única cidade em Santa Catarina cujos imigrantes “alemães” vieram principalmente da Boêmia – região que hoje pertence à República Tcheca.

Temos essa distinção étnica e, caso queiramos realmente se destacar em meio ao “roteiro do turismo alemão” no estado, seria muito conveniente que passássemos a utilizá-la. A aproximação com os tchecos através do lançamento dessa tradução favorece o crescimento do conhecimento histórico de São Bento do Sul, que ainda hoje é bastante marcado pelo senso-comum.

Voltarei a falar do assunto após o lançamento.

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Recebi essa semana da amiga Christa Petrásková, da República Tcheca, a foto da Sociedade Austro-húngara de Jaguari/RS. Eu desconhecia que imigrantes boêmios tivessem andado por aquelas bandas.  Um desses imigrantes, Josef Egert, escreveu em 1894 uma carta aos seus parentes na Europa. Ano passado, essa carta foi descoberta em Kněžmoste, na República Tcheca, e então publicada em formato de livro. O pesquisador Petr Polakovič veio conhecer a cidade brasileira, e lá encontrou a foto que Christa me encaminhou.

O estilo da foto é muito parecido com a da Sociedade Auxiliadora Austro-húngara de São Bento, com seus membros em tom solene e devidamente posicionados diante de um quadro do imperador Franz Joseph. Christa chegou a cogitar que o barbudo na foto pudesse ser Friedrich Fendrich, presidente da Sociedade em São Bento, mas a enorme distância entre as cidades torna isso improvável. Ei-la:

Sem dúvida a carta de Egert foi uma descoberta fantástica, e fico imaginando que sorte não teríamos se  também fosse encontrada uma carta como essa vinda de um imigrante de SBS.

É preciso dizer ainda que Christa está fazendo um valioso trabalho ao traduzir a crônica de Josef Zipperer para a língua tcheca. Parece-me que os laços entre brasileiros e tchecos precisam ser estreitados em iniciativas como essas. Não é possível deixar que o desconhecimento histórico e a crença de que somos meramente alemães venha a impedir esse tipo de intercâmbio.

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Existe no wikipedia uma lista dos antigos nomes germânicos das aldeias boêmias e o atual nome tcheco que elas ostentam. Os nomes forem sendo alterados conforme os alemães deixavam ou eram expulsos da região. Das 91 aldeias da Boêmia identificadas como originárias de imigrantes para São Bento do Sul, foi possível identificar, com essa lista, o atual nome de 41 delas. As restantes não são citadas ou então existem mais de uma com o mesmo nome, sendo necessário, então, maior conhecimento das famílias imigrantes destes lugares para então identificar com clareza de onde eram originários.

Eis aquelas que foram identificadas:

Chinitz Tettau: Vchynice Tetov

Dessendorf: Desná

Dux: Duchcov

Eisenstein: Železná Ruda

Eisenstraß: Hojsova Stráž

Flecken: Fleky

Fuchsberg: Červené Dřevo

Gablonz: Jablonec nad Nisou

Glashütten: Skláře / Skelné Hutě / Skelná Hut’

Gränzendorf: Bedřichov

Grünau: Gruna

Grünbergerhütte: Zelenohorská Huť

Gutbrunn: Dobrá Voda

Hammern: Hamry

Harrachsdorf (Riesengebirge): Harrachov

Hinterhäuser: Zadní Chalupy

Johannesthal: Janské Údolí / Janov / Janův Důl

Karlsberg über Freudenthal: Karlovec

Kohlheim: Uhliště

Kukan: Kokonín / Kukonín

Liebenau: Hodkovice nad Mohelkou / Libnov

Maffersdorf: Vratislavice nad Nisou

Mariaschein: Bohosudov

Marienberg: Ostrava

Marschowitz: Maršovice

Melhut: Chodská Lhota

Morchenstern: Smržovka

Neuern: Nýrsko

Ossegg: Osek

Polaun: Polubný

Rehberg: Srní

Reichenau: Rychnov na Moravě

Reichenberg: Liberec

Rochlitz: Rokytnice nad Jizerou

Roßhaupt: Rozvadov

Rothenbaum: Červené Dřevo

Silberberg: Stříbrné Hutě

St. Katharina: Svatá Kateřina

Tannwald: Tanvald

Voitsdorf: Bohatice u Zákup

Wiesenthal an der Neiße: Lučany nad Nisou

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