O polonês Floriano Wantowski

Floriano Wantowski nasceu no dia 20.02.1862 em Dembowiecz, na Galícia Austríaca, como filho de Josef e Catharina Wantowski. Veio ao Brasil, segundo a história familiar, através do porto de Santos. De lá chegou até São Bento do Sul, onde se casou aos 13.11.1883 com Suzana Czapiewski, nascida em Biala, na Prússia Ocidental, no dia 27.10.1866, filha de Anton Czapiewski e Juliana Schaldowska.

O casal morou na Estrada das Neves. Diz o cronista Josef Zipperer, em suas memórias, que, por ocasião da chegada de tropas federalistas em São Bento do Sul, no final de 1893, Floriano foi um dos vários imigrantes que tiveram seus cavalos requisitados pelo movimento. Ao contrário de quase todos, no entanto, Floriano decidiu acompanhar o grupo, com receio de não voltar a rever os seus animais.

Foi assim que também ele acabou participando do episódio da Revolução Federalista que ficou conhecido como “Cerco da Lapa”. Embora os revolucionários tenham, a muito custo, rendido as tropas legalistas na cidade, o movimento acabou sucumbindo diante das forças de outro Floriano – o Marechal.  Wantowski, que não tinha nada com isso, voltou a São Bento – com 11 cavalos a mais do que levou!

Algum tempo depois, Floriano Wantowski mudou-se para a localidade conhecida como Pocinho, perto do distrito de Volta Grande, em Rio Negrinho. Teria falecido no ano de 1955. Na década de 20, foi tirada uma foto da casa de Floriano na localidade de Rio dos Bugres:

Propriedade do imigrante polonês Floriano Wantowski na localidade de Rio dos Bugres


			

Dr. Wolff

Sou tomado por uma repentina admiração pelo Dr. Felipe Maria Wolff. Não ignoro que o homem que hoje empresta seu nome ao Museu Municipal de São Bento do Sul podia ser muito desagradável e descarregar toda a sua ira contra os vários inimigos que teve ao longo da vida. Mas no dia de hoje, ele me inspira apenas simpatia.   

Isso se explica: terminei de ler o diário que o Dr. Wolff escreveu sobre o período em que esteve, como médico, auxiliando as forças legalistas na Lapa, durante a Revolução Federalista.

E pude encontrar o Dr. Wolff em momentos difíceis: dormindo em sacos de erva mate; impossibilitado de tirar as suas botas por dias seguidos; sentindo-se deslocado em meio aos rudes homens que faziam a guerra; sobrecarregado com o atendimento de feridos; caminhando sob o fogo dos federalistas enquanto se deslocava para atender seus pacientes; vendo granadas voarem sobre sua cabeça e explodirem a poucos metros; comendo mal e pouco; sentindo dores agudas nos rins e na bexiga e não conseguindo dormir; e sentindo muita saudade da sua filha Toni, e temendo que algo de mal lhe acontecesse.

Em outras palavras, encontrei o Dr. Wolff transformado em ser humano – o que inclui os seus defeitos. Francisco Brito de Lacerda disse que as opiniões de Wolff em seu diário revelavam o seu egocentrismo – e que cada um julgasse isso como bem entendesse. Creio que a leitura de um documento tão íntimo como um diário tornou mais tolerável tais defeitos – que não ignoro.

Mas ora bolas, eu tenho que parar com essa mania de me simpatizar por todo mundo