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Posts Tagged ‘Soares Fragoso’

Bem sucedida na Lapa, família deixou prestígio que parece ter alcançado a esposa de Antônio Kaesemodel; relação com os Fragoso pode vir do tropeirismo. 

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Naquele domingo, Felippe Soares Fragoso iria se casar. Não passava ainda de um rapazote de 19 anos. Era o filho caçula de Manoel Soares Fragoso, que havia morrido algum tempo antes. A mãe, Marciana Maria de Marafigo, havia entrado na casa dos 60 anos. Os Soares Fragoso estavam há três décadas morando na cidade da Lapa, no Paraná. Os primeiros registros da família na cidade são de 1836. Vieram de Curitiba, onde habitavam há algumas gerações. Quem primeiro veio foi o avô de Felippe, chamado Theodoro. Já era velho na época. Na Lapa, havia sido um simples lavrador, que colhia duzentas mãos de milho e nove alqueires de feijão. Tinha de renda cem mil réis. Mas Theodoro veio a falecer pouco tempo depois, em 1839. Seu filho Manoel já era então um homem casado e com filhos na Lapa. Ao que parece, manteve a ocupação do pai como lavrador. E pôde ver o casamento de todos os filhos, menos o de Felippe.

A noiva se chamava Flora Lina Cavalheiro, e era ainda mais nova: tinha entre 16 e 17 anos. Suas origens, no entanto, apontavam para uma melhor sorte financeira que a dos Soares Fragoso. Flora era filha de João Florido Cavalheiro, dono de tropas para transporte de mercadorias, além de proprietário de escravos. E naquele domingo, 30 de abril de 1865, ao se casar com Flora, Felippe Soares Fragoso viria a se tornar o primeiro Fragoso proprietário de escravos que se tem notícia – uma evolução social espantosa, se considerarmos que a origem dos Fragoso em Curitiba aponta para índios escravizados – uma das bisavós de Felippe era Páscoa das Neves, indígena, possivelmente carijó, e escravizada.

E a escrava que Felippe parece ter recebido do sogro João Florido Cavalheiro por ocasião do seu casamento chamava-se Fortunata. Tinha 25 anos e ao menos dois filhos (Benedicto e Ambrósio), que, pela pouca idade, é de se imaginar que tenham acompanhado a mãe.  Em 1867, nasceria mais um, chamado Sebastião – é justamente o registro dessa criança que aponta Felippe como o proprietário da escrava Fortunata. Como os registros religiosos omitem o nome do pai das crianças escravas, por não ser casado, não é possível saber se junto com Fortunata veio acompanhado um parceiro.

Felippe Soares Fragoso fez parte da verdadeira comitiva de membros da família Fragoso que, partindo da Lapa, passaram a ocupar, provavelmente na segunda metade da década de 1860, a região hoje conhecida como Fragosos, na divisa entre os municípios de Campo Alegre e Piên, entre os estados de Santa Catarina e Paraná, divididos pelo Rio Negro. Ao que parece, Felippe esteve entre os que ficaram no lado paranaense. Não podemos dar garantia de que tenha permanecido com a escrava Fortunata em Piên. Isso porque ela, no ano de 1872, voltou a dar à luz uma criança, chamada Ambrósia, nascida liberta pela lei do Ventre Livre, e por ocasião do seu batismo o proprietário volta a ser João Florido Cavalheiro – que não morava em Piên, mas no lugar Doce Grande, em Quitandinha.

A aparente melhor situação financeira de Felippe Soares Fragoso, no entanto, revelada através da posse de escravos e da relação com a família Cavalheiro, pode ser um fator a explicar o sucesso de alguns dos seus descendentes. A sua filha Francelina Fragoso Cavalheiro, por exemplo, veio a se casar com o polonês Francisco André de Assis Dranka, de Araucária, e os dois se tornaram um dos casais mais prósperos da região de Fragosos. É difícil imaginar que um imigrante, que deve ter largado péssimas condições na Europa, tenha conseguido tanto sucesso em tão pouco tempo, se não concordarmos que provavelmente isso se deva também à melhor situação da família Cavalheiro.

Francelina Fragoso Cavalheiro e seu esposo são os pais de Verônica Dranka, que foi casada com o bem sucedido industrial Antônio Kaesemodel, de São Bento do Sul. A escolha de Kaesemodel não parece ter sido ao acaso, podendo  ser interpretada também como consequência do mesmo sucesso familiar iniciado um século antes na cidade da Lapa.

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Quem era João Florido Cavalheiro

Na origem dessa história está João Florido Cavalheiro, figura que parece ter nascido alguns anos antes de 1810.  Suas origens são bastante incertas, embora uma série de fatores faça crer que pudesse ser filho de Florêncio José Leme e Maria Benigna – além da vizinhança na Lapa, do compadrio de crianças, da insistência de João Florido em dar o nome de Benigna para filhas suas (foram três), existe ainda uma curiosa repetição do radical “Flor” nos descendentes de João Florido, inclusive com o caso de uma Florência, e que se estende até a um dos seus escravos (Floriano).

Também não é conhecido o lugar e data de casamento de João Florido com sua esposa Eduvirgem de Pontes Maciel, embora imagine-se que tenha acontecido por volta de 1826. Os registros da Lapa, além de não contarem com o casamento de João Florido, tampouco esclarecem uma possível origem diversa. A partir da década de 1860, começa a aparecer em Curitiba membros de uma família “Pontes Maciel” com origem na cidade Apiaí, em São Paulo. Esta é a mesma cidade apontada como origem de uma família relacionada a um escravo de João Florido, e também a mesma cidade em que nasceu uma neta sua, chamada Florisbella da Rocha Cavalheiro. É de se cogitar, portanto, que o mistério das origens desses Cavalheiro pode ser revelado em registros da cidade de Apiaí.

João Florido Cavalheiro, como dito anteriormente, era dono de tropas, aparecendo o seu nome entre os que exerciam essa atividade no registro do Rio Negro entre 1830-1853.  Com toda a certeza, fazia viagens para o Rio Grande do Sul. Em 1847, ele aparece como intruso na Invernada de Sarandi, que fazia parte dos Campos do Bugre Morto, pertencente ao Barão de Antonina, na atual região de Pontão e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Em 1861, sendo morador no Paraná, aparece também em Passo Fundo vendendo uma escrava.

No ano de 1848 (o mesmo em que a Flora, a esposa de Felippe Soares Fragoso, veio ao mundo), João Florido Cavalheiro recebeu a posse de uma área de meia légua em quadro na Lapa, no lugar que se chamava Rio Doce.  Foi o primeiro proprietário do lugar. Posteriormente, o nome foi alterado para Herval do Doce Grande (para separar do lugar Doce Fino), ou apenas Doce Grande, nome que permanece ainda hoje, atualmente pertencente ao município de Quitandinha. Foi provavelmente neste mesmo lugar que João Florido viveu os últimos dias, tendo falecido, acredita-se, na década de 1870 ou depois. A sua casa no lugar contava inclusive com um oratório, em que o padre podia fazer batizados.

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Os filhos de João Florido e Eduvirgem 

Do seu relacionamento com Eduvirgem de Pontes Maciel, João Florido deixou os filhos:

1. José Bonifácio Cavalheiro, casado com Antônia da Rocha Filgueira. Ambos já eram falecidos no ano de 1891. Alguns filhos e netos alcançaram a região de Piên. O filho Eduardo Cavalheiro casou-se em São Bento com Emma Meister. É comum, e inclusive consta em livro, a história de que João Florido Cavalheiro, logo no início da povoação do Doce Grande, teria viajado à São Francisco do Sul e de lá trazido uma casal de alemães da família Meister (pais de Emma) para habitar o lugar. A história não confere. A família Meister imigrou para Joinville. Antes de morar no Doce, Eduardo e sua esposa foram moradores em Trigolândia. José Bonifácio Cavalheiro teve uma escrava chamada Honorata, como se verá adiante.

2. Benigna. Primeira das três Benignas que João Florido Cavalheiro teve, possivelmente faleceu pequena.

3. Rita Florida Cavalheiro. Casou-se com João Mariano Duarte. Teve descendentes nascido nos lugares Areia Branca e Cerro Verde, na época parte da Lapa, hoje Quitandinha. São os ancestrais da família “Duarte Cavalheiro”.  Eduardo Duarte Cavalheiro mudou-se para Canoinhas.

4. Miguel Galvão Cavalheiro, casado com Maria Magdalena da Rocha. Não são conhecidos, até o momento, descendentes do casal. Miguel teve uma escrava que morou na região de Piên, como se verá.

5. Benigna. A segunda Benigna mostra a insistência pelo nome, e reforça a hipótese de João Florido ser filho de Florêncio José Leme e Maria Benigna. Possivelmente faleceu pequena.

6. Benigna Maria Cavalheiro, casada com João Paulo de Santana Nunes. Tiveram ao menos três filhos na Lapa, incluindo uma Florência.

7. Jordão Napoleão Cavalheiro, casado com Joaquina Soares Fragoso, filha de Virgínio Soares Fragoso. É sabido que Virgínio Soares Fragoso foi tropeiro, e que teria feito viagens para o Rio Grande do Sul, de onde pode se cogitar que trabalhava para João Florido Cavalheiro. Os descendentes habitaram a região de Piên, especialmente o lugar Boa Vista.

8. Flora Lina Cavalheiro, a caçula, casou-se com Felippe Soares Fragoso, irmão de Virgínio, e sobre o qual não se sabe se também era ligado ao tropeirismo, de onde poderia se explicar a origem do relacionamento com Flora. Foram moradores de Piên, e tiveram descendentes também em Fragosos. Como dito, são ancestrais da esposa de Antônio Kaesemodel, com descendentes atualmente em São Bento do Sul. Os Fragoso Cavalheiro descendem desse ramo.

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Escravos de João Florido Cavalheiro

Embora não seja possível garantir que Felippe Soares Fragoso fosse ainda proprietário da escrava Fortunata quando se mudou para Piên, é possível afirmar que, junto com a vinda de membros da família Cavalheiro para a região, vieram também os seus escravos. O tema da escravidão em Piên é totalmente desconhecido pela história local, e uma possível história sobre o assunto fatalmente precisará abordar a família Cavalheiro. De concreto, sabemos que em Piên foi batizada ainda na década de 1880 uma filha da escrava Honorata, pertencente a José Bonifácio Cavalheiro, filho de João Florido. Um outro filho da mesma escrava foi encontrado nos livros da Lapa, mas sem uma indicação possível da moradia da família. Miguel Galvão Cavalheiro foi proprietário da escrava Sebastiana, com alguns filhos registrados na Lapa também, sem que, nesse caso, seja possível fazer relação com a cidade de Piên.

Sobre o passado das escravas Honorata e Sebastiana, nada foi possível encontrar, desconhecendo-se, até o momento, de que outra escrava nasceram. Em relação à Fortunata, a escrava de Felippe Soares Fragoso, tivemos mais sorte, pois sabemos que ela era filha da negra Felippa, escrava de João Florido Cavalheiro. Fortunata teve, inclusive, um irmão chamado Appolinário Floriano Cavalheiro, cuja filha Bernardina, também nascida escrava, foi moradora do lugar Campo Novo, em Piên, tendo se casado com José Fagundes e deixado com ele descendentes que, com apenas um pouco de esforço, são possíveis de identificar até os nossos dias.

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De tudo que foi possível descobrir até agora nos livros da Lapa sobre a genealogia desses escravos, temos o seguinte:

1. Felippa, negra, escrava de João Florido Cavalheiro. Teve:

 2.1 Apolinário Floriano Cavalheiro, batizado na Lapa aos 17.08.1834, tendo como padrinhos Romão de Lima e Maria de Lima. Casou-se na Lapa aos 05.07.1882 com Maria Rodrigues de Lima, livre, viúva de Antônio Ribeiro da Trindade, filha de Lúcio Rodrigues de Lima e Rita Rodrigues Cavalheiro.
3.1 Bernardina Rodrigues Cavalheiro, batizada no quarteirão do Herval do Doce Grande, na Lapa, aos 06.07.1862, com oito meses de idade, tendo como padrinhos João Rodrigues de Lima e Felicidade Ferreira. Casou-se com José Fagundes, filho natural de Ana Fagundes, que faleceu no lugar Campo Novo, em Piên, aos 21.07.1953, sendo sepultado no cemitério de Piên. Bernardina Rodrigues Cavalheiro faleceu no lugar Campo Novo, em Piên, aos 22.10.1956, sendo sepultada no Cemitério do Doce Grande.  Pais de:
4.1 José Fagundes Filho, casado
4.2 Virgílio Fagundes, falecido
4.3 Maria Fagundes, viúva de Joaquim Rodrigues de Lima.
4.4 Hortência Fagundes, casada com Avelino Mesquita, lavrador, moreno, nascido em Pangaré aos 27.01.1912, filho de Cândido José de Mesquita e Maria da Conceição. Faleceu no lugar Cerro Verde, distrito de Pangaré, aos 13.12.1945 Pais de:
5.1 Antônio Mesquita, nascido aos 04.02.1943, residente no lugar Lageadinho.
5.2 José Mesquita, nascido aos 15.09.1944, residente no lugar Lageadinho.
4.5 Joaquina Fagundes, solteira
4.6 Rita Fagundes, solteira
4.7 Argemiro Fagundes casado
3.2 Joaquina, nascida aos 15.09.1884 e batizada em Piên aos 22.03.1885, tendo como padrinhos Joaquim José de Ramos e sua esposa Joaquina Rodrigues Martins.
3.3 Florêncio Rodrigues Cavalheiro, nascido em Piên e lá casado civilmente aos 27 anos de idade no dia 15.12.1908 com Paulina Rodrigues de Lima, também de Piên, viúva de Pedro Baptista de Oliveira, filha de Joaquim Rodrigues de Lima e Justina Barbosa de Lima.
3.4 Cândida, nascida aos 13.07.1891 e batizada em Agudos do Sul aos 20.01.1892, tendo como padrinhos Antonio Luiz de Camargo e Francisca Rodrigues de Lima.
2.2 Fortunata, batizada na Lapa aos 17.05.1840, tendo como padrinhos … Gonçalves Pereira e Amélia Rodrigues de Almeida. Parece ter sido dada à filha Flora Lina Cavalheiro por ocasião do seu casamento com Felippe Soares Fragoso, em 1865, embora apareça novamente como propriedade de João Florido Cavalheiro no ano de 1872.  Teve com pai incógnito:
3.1 Benedicto, batizado na Lapa no dia 01.01.1861, tendo como padrinhos Joaquim José Rodrigues e Antonia da Rocha.
3.2 Ambrózio, batizado na Lapa com um mês de idade aos 28.01.1864, tendo como padrinhos Joaquim José Rodrigues e Mariana dos Santos.
3.3 Sebastião, batizado na Lapa aos 13.10.1867, tendo como padrinhos João de Souza Carvalho e Maria, escrava do Dr. Francisco José Correia.
3.4 Ambrozina, nascida liberta, batizada aos 21.04.1872 na Lapa, tendo como padrinhos Gabriel Manoel Pereira e Gracelina de Paula de Oliveira.
2.3 Antônio, batizado na Lapa aos 25.05.1851, tendo como padrinhos Manoel e Matildes.

Sebastiana Cavalheiro, escrava de Miguel Galvão Cavalheiro, teve:

1. Joanna, batizada na Lapa aos 05.07.1883, tendo como padrinhos Manoel Rodrigues de Almeida e Angélica da Rocha Cavalheiro.
2. Bernardina, nascida aos 25.09.1884 e batizada em Piên aos 22.03.1885, tendo como padrinhos Eduardo da Rocha Cavalheiro e …iana Rodrigues Martins, solteiros.
Honorata, escrava de José Bonifácio Cavalheiro, teve:
1. Claudina, batizada na Lapa aos três anos de idade no dia 24.06.1881, tendo como padrinhos Paulo de Pontes e sua mulher Maria da Conceição Barbosa.
2. Luísa, batizada na Lapa aos 20.12.1881, tendo como padrinhos Bento José do Nascimento e Maria Gabriella Gonçalves.
3. Bernarda, nascida aos 22.05.1884 e batizada em Piên aos 22.03.1885, tendo como padrinhos Appolinário Floriano Cavalheiro e sua esposa Maria Rodrigues de Lima.

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O colega Marcelo Hübel lançou recentemente “Pioneiros”, livro que contém, principalmente, relatos históricos feitos a partir de manuscritos de Zeferina Fragoso. Um desses relatos, o mais curioso e impressionante deles, trata do casamento de seus pais, Virgínio Soares Fragoso e Francisca Pereira de Oliveira, em 1889. A história do casamento  é descrita em detalhes, revelando muito sobre os costumes da época (só ela já valeria o livro). Por aqui, vamos nos ater a essa informação: Virgínio Soares Fragoso tinha 60 anos e sua esposa 16.

Alguém pode dizer que “era comum na época” casamentos com tanta diferença de idade. Não digo que fossem comuns, mas é verdade que vez ou outra acontecia. Por outro lado, estavam longe de ser rotineiros.  Tanto é assim que, de outra forma, não haveria necessidade de esconder da noiva que o seu esposo prometido era, vamos dizer, um ancião.  E foi exatamente isso o que aconteceu, com a família de Virgínio e Francisca escondendo dela a identidade do noivo, possivelmente temendo uma reação adversa – uma recusa ou coisa pior.

E o relato de Zeferina, descrito por Hübel, culmina com a revelação da identidade do noivo apenas durante a cerimônia na Prefeitura Municipal.  Francisca Pereira de Oliveira parece ter ficado aturdida com a revelação, provavelmente não esperando que seu esposo fosse alguém de barba e cabelos brancos. É pouco provável que, espontaneamente, viesse a escolher Virgínio. Por outro lado, o espanto dela pela descoberta não a fez ter alguma reação. Obediente à família que cuidara dela desde pequena, ela aceitou a decisão e o casamento de fato aconteceu.

A sequência da história dá a entender que, apesar das diferenças, o casal conseguiu levar uma vida até feliz, diante das possibilidades, e que culminou com o nascimento de dois filhos.

Relação com o casamento de Benedicto Bail

O casamento de Benedicto Bail e Anna Maria Neppel foi o primeiro casamento bávaro/boêmio de São Bento. Por ser assim, e também pela história digna de Romeu e Julieta por trás, tornou-se bastante conhecido e merecedor de relatos da família Zipperer a este respeito. Foi graças a esses relatos escritos, inclusive, que tivemos acesso a uma série de costumes pra lá de curiosos que envolviam os casamentos da época, e a partir dele podemos conjecturar como foram os demais no período. Não parece ter havido relato de outro casamento da época com informações tão preciosas.

O casamento de Virgínio, ainda que não tenha sido o primeiro, representa o único casamento “caboclo” dos primórdios de São Bento com descrição conhecida.  Os brasileiros, pouco conhecidos, quando não ignorados, na história da cidade, passam a ser melhor identificados através da boa ideia que teve Zeferina ao decidir deixar um registro, não só do casamento, mas de tudo o mais que envolvia a vida desses paranaenses ao chegar na região.

É singular que os dois únicos casamentos antigos registrados em São Bento, um para cada etnia, tenham histórias pitorescas por trás. Curiosa também é a forma com que cada noiva reagiu diante das circunstâncias que precisou enfrentar. Anna Maria Neppel precisou enfrentar a resistência dos pais para se casar com Benedicto Bail – um romance começado ainda na Boêmia e sempre contrariado. Já em solo brasileiro, os dois decidiram, ao que tudo indica, passar por cima de tudo.

Em suma: Anna Maria Neppel desobedeceu aos pais e manteve firme a sua decisão de casar com Benedict, sujeitando-se inclusive a uma cerimônia sem a presença deles. Não era, e estava longe de ser, um comportamento comum para a época, e chega inclusive a espantar que, num ambiente de grande respeito familiar como o que imperava entre os imigrantes, tenha havido tamanha participação da sociedade local para que o intento de Anna Maria tivesse sucesso.

Anna Maria Neppel levou a sua desobediência ao extremo.

Francisca Pereira de Oliveira fez o contrário: levou a sua obediência ao extremo. Menina órfã, foi criada pelos tios, e talvez se sentisse de certa forma devedora, além de, muito provavelmente, os ter em grande estima. E isso a ponto de se sujeitar a um casamento com quem nem de longe lhe passaria pela cabeça se envolver – ainda que o tempo tenha trazido alguma comodidade.

São situações reveladoras, em grande parte, da moral da época, e que merecem ser aprofundados em trabalhos futuros, inclusive na Academia, que muito pouco tem produzido sobre a história da cidade.

Em breve comentarei mais sobre o livro “Pioneiros”.

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Antigamente, os escrivães achavam importante mencionar em seus assentos a cor da pele das pessoas que registravam. Hoje em dia, quando essa distinção não faz mais o menor sentido, a menção é útil apenas para descobrirmos mais sobre as características físicas de nossos antepassados, sem que nenhum tipo de juízo de valor se faça necessário. Motivado por essa curiosidade, e aproveitando ser essa a família que mais detalhes possuo, tratei de verificar as indicações de cor em membros da família Fragoso.
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Antes de tudo, eu já sabia que os Fragosos descendem de índios carijós, aprisionados pelos branquíssimos curitibanos. Desse cruzamento já era de se esperar que não fossem totalmente brancos. Existem, no entanto, 4 gerações separando Generoso Fragoso de Oliveira, um dos primeiros moradores de Fragosos, de Domingos Soares Fragoso, mameluco, filho de índia. Talvez a herança genética já fosse perdida. Ressalta-se que do ramo do pai de Generoso não temos muitas informações.
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Em geral, os registros que informam a cor são os de óbitos. Não descobrimos através dele a cor de Generoso Fragoso, falecido em 1924. Passamos a consultar os registros dos seus filhos. Do primogênito Saturnino, de quem descendo, também não há indicação da cor. De seu irmão Gregório não encontramos o assento. Já os irmãos Pedro Rodrigues de Oliveira, Valêncio Soares Fragoso e Ernesto Crescêncio Fragoso eram todos brancos ou de cor clara, conforme registrado. Houve, no entanto, uma exceção: o irmão Joaquim Rodrigues Fragoso aparece como sendo de cor morena, único caso entre os filhos de Generoso Fragoso.
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Da mãe de Generoso, Francisca Soares, também não foi possível descobrir a característica, e nem a dos seus irmãos. Como descendo também do irmão caçula de Francisca, Felippe Soares Fragoso, tentei verificar se havia indicação de cor nos seus filhos. Para Joaquina, minha trisavó, não há. Para Angelina e João Isidoro, não foram encontrados os registros de óbito. Para Francelina, a informação é de que era branca. Mas seus irmãos Pedro e Flora Lina aparecem com a cor morena, o que também sugere pouca uniformidade nessa característica entre os descendentes de Felippe Soares Fragoso.
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Infelizmente, não sei dizer, portanto, a cor dos meus ancestrais Saturnino Fragoso de Oliveira e sua esposa Joaquina Fragoso Cavalheiro. Eles tiveram seis filhos, dos quais apenas dois possuem registro de óbito conhecido. E, tornando a coisa mais difícil, uma delas (Catharina) era branca e outra, apesar do nome (Maria Clara), era morena.
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Luiz Thomé Fragoso, filho de Saturnino e neto de Generoso, parece representar bem o tom de pele da família entre o branco e o moreno. 
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Essas são considerações preliminares a respeito da cor entre os membros da minha família Fragoso, e que até o momento não permitem chegar a outra conclusão que não a de que nasciam brancos e morenos. É preciso levar em conta ainda que a classificação apontada nos registros pode não ser necessariamente a verdadeira, mas aquela que alguém achou pertinente.

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A história da família Fragoso na região de São Bento do Sul e Campo Alegre começa em terras paulistas. Foi lá, mais precisamente em Taubaté, que nasceu, por volta de 1719, João Soares Fragoso, filho de Álvaro Soares Fragoso e Catharina Garcia de Unhatte. Em data ignorada, mas certamente antes de 1740, João Soares Fragoso já estava na cidade de Curitiba, aparentemente longe de familiares. E foi na capital do Paraná que João se encantou por uma índia carijó chamada Páscoa das Neves. Os carijós eram índios pacatos e trabalhadores, e que se transformaram em escravos dos curitibanos desde o começo da colonização pelo homem branco na região, ainda no século XVII.

Com a índia, João Soares Fragoso teve um filho, chamado Domingos, nascido em 1740. Foi provavelmente um relacionamento ocasional, sem maiores responsabilidades para João. Tanto é assim que cinco anos depois ele estaria contraindo matrimônio, e por coincidência com uma filha do proprietário de Páscoa das Neves, chamada Ignez de Chaves. Com sua esposa, João teve diversos filhos em Curitiba, até um dia se mudar para os Campos Gerais.

Domingos, que não era filho legítimo, não acompanhou o pai. Permaneceu em Curitiba. Aos 12 anos, ele viu a sua mãe morrer. Quando se tornou maior, escolheu a sua esposa: Maria Dias, uma pobre mulher, que havia sido abandonada ao nascer – provavelmente porque também era filha de índia. Os dois tiveram diversos filhos em Curitiba. Maria faleceu em 1806 e, embora já em idade avançada, Domingos se casou novamente, no ano seguinte, com Isabel Cardosa.  Entre os filhos que teve com Maria está um de nome Theodoro. Este, cresceu, arrumou casamento com Feliciana Rodrigues França (1787-?), teve filhos com ela, e um dia, antes de 1836, quando já era velho, resolveu se mudar para a Lapa.

Na hoje legendária cidade paranaense, Theodoro era um simples lavrador que colhia milho e feijão para o sustento. Não morou muito tempo lá, pois acabou falecendo poucos anos depois, em 1839. Um dos filhos de Theodoro se chamava Manoel, nascido em 1805, e que portanto já era um homem feito, inclusive casado quando a família se mudou para a Lapa. Sua esposa se chamava Maria Marciana de Marafigo (1804-?). Nessa cidade, Manoel viveu até morrer, em idade ignorada, entre os anos de 1858 e 1865. Vários dos seus filhos, no entanto, foram inquietos o bastante para procurar novos lugares.

E foi assim que, já em 1868, e talvez um pouco antes, seus descendentes começaram a ocupar a região que hoje conhecemos por Fragosos. Pelo pioneirismo, foram eles, inclusive, que construíram a primeira ponte sobre o rio Negro. Citamos a seguir esses filhos de Manoel Soares Fragoso:

1. Francisca Soares Fragoso (1827-1911), a primogênita, viúva de Hermenegildo Rodrigues de Oliveira, casada com João dos Santos Machado. Ela e seu primeiro esposo são os pais de Generoso Fragoso de Oliveira, tido pela tradição oral de nossos dias como “fundador de Fragosos”.  No total, Francisca teve 3 filhos com Hermenegildo e outros 3 com João.

2. Virgínio Soares Fragoso (1829-1905), casado com Escolástica Maria de Jesus, e em segundas núpcias com Anna dos Santos Lima. Pela terceira vez, casou-se em 1889 com Francisca Pereira de Oliveira. Ao que se sabe, Virgínio teve quatro filhos.

3. José Soares Fragoso (1831-antes de 1893), casado com Rosa Calisto de Camargo. São os pais de João Elias Fragoso, personagem que figura em páginas sombrias na história de São Bento do Sul. Além dele, o casal teve ao menos três filhas.

4. Pedro Soares Fragoso (por volta de 1833-1887), casado com Gertrudes Maria de Camargo. O casal teve ao menos seis filhos. Entre seus descendentes está o ramo Machado Fragoso.

5. Maria da Rosa Soares (1836-?), filha que, ao que tudo indica, não acompanhou os irmãos, tendo permanecido na Lapa, onde já devia se encontrar casada com Antônio José Mariano da Silva. Tiveram ao menos quatro filhos. Seus descendentes levaram a alcunha Soares da Silva.

6. Joana Soares Fragoso (1839-antes de 1891), casada com Antônio Rodrigues de Almeida. Foram pais de ao menos 4 crianças. Os Rodrigues de Almeida se cruzaram diversas vezes com os Fragoso e com os Cavalheiro. Um filho do casal, Lino Rodrigues de Almeida, chegou a ser vereador em São Bento do Sul.

7. João Baptista Fragoso (por volta de 1843-antes de 1910), casado com Maria da Glória,  e, depois de viúvo, com Rufina Pereira. Ao que se sabe, teve seis filhos com a primeira esposa e duas com a segunda. Ele e sua primeira esposa são ancestrais dos inúmeros Baptista Fragoso que ainda em nossos dias habitam a região de Fragosos e Piên. É provável que seja o mesmo João Fragoso apontado como um dos tropeiros a auxiliar a subida dos imigrantes para a recém-fundada colônia de São Bento.

8. Felippe Soares Fragoso (1846-antes de 1902), casado com Flora Lina Cavalheiro e, viúvo dessa, com Anna Muniz de Sant’Anna. Teve 5 filhos com a primeira esposa e 1 com a segunda. Tiveram descendentes que levaram o sobrenome Fragoso Cavalheiro. A primeira esposa de Antônio Kaesemodel, Verônica Dranka, era neta de Felippe.

Nos dias de hoje, como dito, a fama de “fundador de Fragosos” caiu sobre Generoso Fragoso de Oliveira, que muito provavelmente, devia estar entre os primeiros membros da família que se estabeleceram na região. Apesar disso, certamente não é possível atribuir a ele, ou a qualquer pessoa isoladamente, a fundação do lugar.

É bem possível que a sua fama esteja relacionada com um certo sucesso como negociante, além de seu envolvimento com figuras políticas da época, como João Filgueiras de Camargo e Francisco Bueno Franco, somando-se a isso o fato de ter morrido em Fragosos com avançada idade. Existe, em sua homenagem, uma rua no bairro.

De grandes proprietários na região, aos poucos os Fragosos se viram obrigados a se desfazer de suas terras. Os filhos de Generoso Fragoso de Oliveira, por exemplo, já possuíam muito menos que o pai. Os netos pegaram uma parcela ainda menor. E, nos dias de hoje, os bisnetos não possuem quase nada.

Hoje os Fragoso sofrem a falta de investimentos na região. Antigamente, os moradores de Fragosos iam até São Bento para vender aquilo que produziam em suas terras. Atualmente, vão até lá apenas para comprar.

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É sabido que o nome  do bairro “Fragosos”, hoje pertencente ao município de Campo Alegre, tem sua razão de ser na pioneira presença de membros da família Fragoso na região. Além de terem sido os primeiros a habitar o lugar, os membros dessa família, vindos da Lapa e de São José dos Pinhais, representavam um bom contingente de pessoas, o que também colaborou para que o local fosse conhecido pelo sobrenome de seus moradores. Os criadores e lavradores do lugar, naquele tempo, eram sempre tratados como “moradores nos Fragosos” – e não “em Fragosos”, como nos nossos dias.

Os membros dessa família, portanto, passaram a se tornar a referência para os habitantes do lugar. Esse não é o único caso nos primórdios de São Bento do Sul e Campo Alegre: havia quem morasse na “Avenca dos Teixeira” ou ainda “nos Carneiros”. De qualquer forma, o único nome familiar que permaneceu até os nossos dias como identificador de uma localidade foi o de Fragosos – nome que hoje é pronunciado com a vogal “o” aberta, ao contrário do que acontece com o sobrenome.

A história contada pelos descendentes dos primeiros Fragoso diz que a família possuía muitas terras e prestígio nas redondezas. Também é comum ouvir (não só de descendentes, mas também de moradores) que o primeiro habitante do lugar foi Generoso Fragoso. Foi também isso que ouvi da minha avó Otília Fragoso, bisneta de Generoso. Não existem registros que nos deem  certeza sobre a época em que Generoso Fragoso chegou à região e quem o acompanhou – e também se houve outros Fragoso habitando o local antes dele. Convém enunciar algumas discussões.

O nome completo de Generoso também se perdeu com o passar dos anos: chamava-se Generoso Fragoso de Oliveira. Natural da Lapa, onde nasceu em 25.05.1845, era filho de Ermenegildo Rodrigues de Oliveira (que levou uma vida marcada por acontecimentos inditosos: foi abandonado ao nascer e morreu precocemente aos 27 anos) e sua esposa Francisca Soares, a qual era filha de Manoel Soares Fragoso e Marciana Maria de Marafigo. O nome “Fragoso” que Generoso portava vinha, assim, de seus ascendentes maternos, enquanto que o esquecido complemento “de Oliveira” vinha do pai, que o adotou por ser um dos sobrenomes da família que lhe acolheu ao nascer.

Antes de chegar à região de São Bento do Sul, Generoso se mudou para São José dos Pinhais, onde, em 12.05.1866, se casou com Leopoldina Maria de Almeida, filha de Joaquim Rodrigues de Almeida, de Lages, e Maria Calisto, de São José dos Pinhais. Foi com Leopoldina que Generoso passou a habitar a região posteriormente conhecida como Fragosos. O casal já tinha ao menos o filho Pedro, batizado em 20.02.1870 em São José dos Pinhais – ou seja, acredita-se que a mudança tenha sido posterior à essa data.

O pioneirismo de Generoso Fragoso encontra alguma resistência para ser aceito quando encontramos o registro de batismo de Gregório, um de seus filhos, em Araucária no dia 08.05.1875. Ora, essa data é posterior àquela que usualmente se defende como a ocupação da região por elementos nacionais. Sabe-se que um dos tropeiros que ajudou os primeiros imigrantes a subir a serra com destino a São Bento, em setembro de 1873, se chamava João Fragoso (ainda não encaixado na genealogia familiar). Ou seja, havia membros da família Fragoso na região de São Bento do Sul antes da data em que encontramos Generoso Fragoso em território paranaense. Não é impossível, no entanto, que Generoso já estivesse em Fragosos na época, mesmo tendo batizado um filho em Araucária – mas existe, nesse ponto, uma dificuldade que precisa ser analisada antes de se chegar a alguma conclusão. Também não é possível afirmar que o tropeiro João Fragoso morava na mesma região de Fragosos – ou seja, a sua simples presença em São Bento do Sul não impede que Generoso tenha chegado antes ao lugar em que passou a morar.

Além de Generoso Fragoso, passaram a morar no lugar, em data incerta, alguns dos seus tios, irmãos da sua mãe Francisca Soares (existem registros de ao menos Virgínio Soares Fragoso, Pedro Soares Fragoso, João Baptista Fragoso, Felippe Soares Fragoso e Miguel Baptista Fragoso, todos filhos de Manoel Soares Fragoso, falecido ainda na Lapa). Também é possível que se deva a esses irmãos o início da povoação do lugar, em alguma migração coletiva da qual Generoso poderia estar presente, mas que, por ter conseguido algum prestígio social[1], teria sido ele o nome que se sobressaiu ao longo dos anos e entrou para a história como o fundador. Embora não seja possível chegar a uma conclusão, a discussão mostra uma primeira tentativa de comprovar documentalmente algumas das histórias da tradição oral em Fragosos.

Generoso Fragoso de Oliveira está sepultado no Cemitério de Fragoso. Faleceu no dia 25.06.1924, aos 79 anos. Essas discussões preliminares podem ser revistas conforme novas descobertas forem surgindo. Elas representam, no entanto, a tentativa de melhor compreender um local especial para quem é descendente da família Fragoso – e até hoje, a região de Fragosos conta com um grande número de descendentes de Generoso e de seus tios.


[1] Sabemos que Generoso Fragoso de Oliveira tinha certo prestígio no meio em que vivia. Consta que algumas reuniões envolvendo personalidades políticas de Campo Alegre teriam acontecido em sua casa. Há vários registros de compadrio que envolvem o nome de Generoso e figuras de destacada atuação na vida pública da região, como o líder republicano João Filgueiras de Camargo. Saturnino Fragoso de Oliveira, filho de Generoso, teve como padrinho de casamento Francisco Bueno Franco, outra personalidade evidenciada na história política de São Bento do Sul e Campo Alegre.

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Da cidade da Lapa vieram muitas familias para São Bento do Sul

Da cidade da Lapa vieram muitas famílias para São Bento do Sul

Muito pouco tem se falado sobre os primeiros brasileiros de São Bento do Sul – alguns já estavam na região quando chegaram os imigrantes, em 1873. Embora não habitassem a área central da cidade, os brasileiros eram a maioria em bairros como Mato Preto, Fragosos, Avenquinha e Bateias – na época, todos pertencentes a São Bento do Sul. Os livros de registros da Igreja Católica da cidade apontam um equilíbrio entre assentos de brasileiros e de imigrantes – talvez até em número superior para o elemento nacional.

A maior parte desses brasileiros, tidos, talvez até pejorativamente, como caboclos, vinha de São José dos Pinhais. Outros, no entanto, vinham da cidade da Lapa. A maior parte deles possui origem em antigas famílias de Curitiba e Paranaguá e, mais remotamente, nos primeiros portugueses e espanhóis que chegaram a São Paulo – além dos indígenas, que já estavam por lá.

Nos primeiros anos da Colônia São Bento, estabeleceram-se na cidade as seguintes famílias ou pessoas, vindas da Lapa, no Paraná (certamente houve mais, mas foram essas que, com ajuda do livro “Famílias Tradicionais”, do Paulo Henrique Jürgensen, e com pesquisas próprias, conseguimos identificar com certeza):

 

Anastácio José Preto, Antônio Baptista Fragoso, Belarmino Alves Pereira, Benedicto José Barbosa, Damaso Franco de Lima, David Alves Pereira, Eduardo Cavalheiro, Estelino Fernandes de Oliveira, Felippe Soares Fragoso (meu tetravô), Florentino Gomes Bueno, Francisco Antônio Maximiano, Generoso Fragoso de Oliveira (meu tetravô), Honório Alves, João Carvalho de Souza, João Baptista Fragoso, João Dias de Oliveira Santos, João Simões de Oliveira, Joaquim Lisboa, Joaquim Pinto de Oliveira Ribas, Jordão Lisboa dos Anjos, Manoel Carvalho de Souza, Manoel Ignácio Fernandes, Marculino Ferreira de Souza, Miguel Baptista Fragoso, Olímpio dos Anjos Costa, Paulo Preto de Chaves, Pedro João Ribeiro, Porfírio Carneiro de Souza, Tanargildo Alves de Miranda.

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Minha tetravó Flora Lina Cavalheiro foi batizada na Lapa a 16.11.1848. Era filha de João Florido Cavalheiro e Eduvirgens de Pontes Maciel. Na mesma cidade, casou-se no ano de 1865 com Felippe Soares Fragoso, com quem teve ao menos três filhas: Angelina Fragoso Cavalheiro, casada com seu primo Lino Rodrigues de Almeida; minha trisavó Joaquina Fragoso Cavalheiro, casada com Saturnino Fragoso de Oliveira, filho de um primo seu; e Francelina Fragoso Cavalheiro, casada com Francisco André de Assis Dranka, ascendentes de Verônica Dranka, esposa de Antônio Kaesemodel. Não sei ainda muita coisa sobre Flora. Em 27.06.1877, ela e seu esposo Felippe aparecem nos livros de São Bento como padrinhos de Marcullino, filho de Antônio Soares de Marafigo e Joanna Maria Mattosa. Entre essa data e o final de 1882, ocorreu o falecimento de Flora. Isso se deduz porque seu esposo Felippe Soares Fragoso se casou novamente em janeiro de 1883. Também não sei dizer ainda em que lugar ela faleceu, pra então poder procurar seu registro de óbito, a fim de conseguir a data exata e as demais informações que ele trouxer.

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