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Posts Tagged ‘Zipperer’

Famílias da Boêmia e suas aldeias de origem

Abaixo, seguem o nome de aldeias da Boêmia e os respectivos sobrenomes de famílias que de lá imigraram ao Brasil pelo porto de São Francisco do Sul.

A maioria se estabeleceu em São Bento do Sul/SC, mas outras tomaram destinos diversos, inclusive indo para o Rio Grande do Sul.

Há sobrenomes que aparecem em várias aldeias. Sugiro pesquisar um sobrenome usando Ctrl + F.

Há famílias que ainda não tiveram a sua aldeia identificada.

Se estiver interessado em uma informação ou pesquisa específica sobre alguma dessas famílias, entre em contato.

ALBERSDORF: Baumrucker, Böhm

ALBRECHTSDORF: Endler, Fischer, Paulata, Rössler, Simm, Swarowsky, Zimmermann

ARNAU: Havel, Kapp, Scholz

ARNSDORF (há mais de uma): Jankel, Raschel, Schlögl (Schlegl)

AUSSIG: Malik

BÄRNSDORF: Ritter

BAUSCHOWITZ (há mais de uma): Laube

BAUTZEN: Schützel

BRAND (há mais de uma): Schwarz

BRUNN: Barnack

BUCHAU: Kolbe

BULLENDORF: Lammel

CHINITZ-TETTAU: Gruber, Knickel, Stiegelmeier (Stiegelmeyer)

CHUDIWA: Gruber

DALLESCHITZ: Jappe

DESCHENITZ: Dietrich (Ditrich), Seidl (Seidel), Treml, Zierhut

DESSENDORF: Adamitschka, Fischer, Schwedler

DITTERSBACH: Altmann

DÖRRSTEIN: Rohrbacher

DUX: Grimm, Schneider, Walter

EGER: Bergler

EISENSTEIN: Gschwendtner, Maurer (Mauerer), Pilati, Schaffhausen, Stöberl (Stoeberl)

EISENSTRASS: Bachal (Bachel), Baierl, Böschl (Pöschl), Brandl, Brozka, Frisch, Fürst, Gregor, Grossl (Grassl), Kahlhofer, Konrad, Kuchler, Linzmeyer (Linzmayer), Marx, Neppel , Pflanzer, Schröder (Schroeder)

FALKENAU (há mais de uma): Tietzmann

FLECKEN: Baierl, Hübl (Hiebl), Hien, Kohlbeck, Kirschbauer, Kautnick (Koutnick), Maier (Mayer), Mühlbauer, Münch, Prechtl, Rank, Stascheck (Tascheck), Stueber (Stuiber, Stüber), Stöberl (Stoeberl), Treml, Zipperer

FREIHÖLS: Adlersflügel, Rosenscheck (Rosnischeck)

FREUDENBERG: Richter

FRIEDLAND IN BÖHMEN: Neumann, Scholz

FRIEDRICHSDORF: Prade

FRIEDRICHSWALD: Gärtner (Gaertner), Heinrich, Keil, Lammel, Müller, Schaurig (Schaurich), Streit, Weber

FUCHSBERG: Heinrich

GABLONZ: Brückner, Fink(e), Görnert, Grolop, Hatschbach, Hinke, Hübner, Kirschner (Kirchner), Kohl, Ludwig, Luke, Scholz, Seidl (Seidel), Strackel, Vorbach, Zenkner

GLASHÜTTEN: Aschenbrenner, Eckstein, Grosskopf, Seidl (Seidel), Weiss, Wotroba

GRÄNZENDORF: Bergmann, Hübner, Leubner, Patzelt, Rieger, Seibt, Tandler, Ullrich

GRAUPEN: Seifert (Seiffert)

GRÜNAU: Artner

GRÜNTHAL: Ludwig

GRÜNWALD: Bergmann, Fleischmann, Heidrich (Haidrich), Scholz, Wöhl (Woehl), Zappl (Zappe), Zeemann (Zemann)

GUTBRUNN: Kundlatsch

HAIDA: Hermann, Langhammer, Student

HAIDL AM AHORNBERG: Bayerl (Bail)

HAMMERN: Augustin, Buchinger (Puchinger), Dorner, Drechsler, Dums, Eckel, Ehrl (Erl), Fürst, Grossl, Jungbeck, Kahlhofer (Kohlhofer), Kollross, Liebl, Linzmeyer (Linzmayer), Muckenschnabel, Oberhofer, Pscheidt, Rorhbacher, Rückl, Schreiner, Stiegler, Stöberl (Stoeberl), Tauscher (Tanscher)

HARRACHSDORF: Seidl (Seidel)

HINTERHAUSER: Christoph (Christof)

JOHANNESBERG: Fischer, Gürtler, Jantsch, Kaulfuss, Nierig, Pilz, Posselt, Preussler, Reckziegel, Rösler (Rössler), Schöler, Schwedler , Worm

JOHANNESTAHL: Mai (May), Stark, Swarowsky, Thalowitz

JOSEFSTHAL: Dressler, Zimmermann

KALTENBRUNN: Gassner, Hübl (Hiebel), Schreiner

KARLSBERG: Posselt

KATHARIENBERG: Beckert

KLATTAU: Fleischmann, Mundel

KLETSCHEDING: Bauer

KOCHOWITZ: Hanush (Hannusch)

KOHLHEIM: Grosskopf, Kroll, Schürer

KOMOTAU: Schreiber

KUKAN: Kittel, Mensel, Simm

LABAU: Pfeiffer

LADOWITZ: Schneider

LANGENAU: Hüttel, Keil

LANGENBRÜCK (há mais de uma): Jung

LANGENDORF (há mais de uma): Glaeser, Rauch

LEWIN: Grossmann

LICHTNECK: Stiegelmeier (Stiegelmeyer)

LIEBENAU: Preissler, Skolande, Watzke

LIEBORITZ: Anton, Hübsch

LIPTITZ: Bobel (Bobl), Czernay

LOMNITZ BEI GITSCHIN: Fendrich

MAFFERSDORF: Bergmann, Hauser, Keil, Klinger, Lorenz, Maier (Mayer), Möller, Posselt, Schwarzbach, Wöhl (Woehl)

MARIA RADSCHITZ: Nacke (Nake, Nakl)

MARIASCHEIN: Kern

MARIENBERG: Altmann, Breisler, Endler, Fischer, Müller, Neumann, Niester, Poerner (Perner), Ringmuth, Simm, Urbanetz , Wolf (Wolff)

MARSCHOWITZ: Grossmann, Hatschbach, Pfeiffer

MAXDORF: Dressler, Elstner, Hoffmann, Jäckel  (Jäkel), Morch, Pilz, Prediger, Reckziegel, Schöler, Tandler, Tischer, Vater

MORCHENSTERN: Elstner, Endler, Engel, Feix, Fischer, Haupt, Hoffmann, John, Kaulfuss, Klinger, Köhler, Luke, Melich, Posselt, Reil, Rössler, Scheibler, Scheufler, Schier, Schöffel (Scheffel), Staffen (Steffen), Strauski, Ullmann, Ullrich, Wildner

MÜLLIK: Pauli

NEU PAULSDORF: König

NEUBIDSCHOW: Neumann, Schick

NEUDORF (há mais de uma): Bauer, Binder, Dobner, Dunzer, Hoffmann, Hüttl (Hütl), Mareth, Peyerl, Preissler, Schlögl , Schreiber, Schwarz, Warth, Weiss, Wolf (Wolff)

NEUERN: Augustin, Grosskopf, Pospischil, Schadeck, Tauscheck (Tauschek), Zierhut

NEUSORGE: Dittrich

NIEDER-GEORGENTHAL: Grohmann

OBERKREIBITZ: Bienert

OSSEGG: Liebsch

PELKOWITZ: Klamatsch, Lang, Seiboth (Saiboth), Sedlak , Stracke, Weiss

PETLARN: Bauer, Theinl

PILSEN: Morawka

PLÖSS: Hübl (Hiebl)

POLAUN: Bartel, Feix (Faix), Fischer, Haupt, Hinke, Langhammer, Neumann, Pachmann, Seidl (Seidel), Umann, Weinert

PRISCHOWITZ: Friedrich, Hossda, Lang, Rössler, Schier, Simm, Thomas

PULETSCHNEI: Schöffel (Scheffel), Wabersich

RADL: Kundlatsch (Rundlatsch), Seiboth

RATSCHENDORF: Kaulfersch, Rieger

REHBERG: Gruber, Pauckner, Raab

REICHENAU: Fink(e), Hoffmann, Jäger, Kraus(s), Kwitschal (Kwicala), Maschke, Milde, Peukert, Preissler, Preussler, Rössler (Roesler), Schwarzbach, Strnad (Sternardt), Stracke, Weiss, Wenzel

REICHENBERG: Beckert, Brokopf,  Fiebiger, Hartel, Hoffmann, Hübner, Killmann (Kilmann), Kluss, Mittelstedt, Purde, Riedel, Roscher, Stark, Thurm, Worrel (Warel)

RÖCHLITZ: Linke

ROSSHAUPT: Degelmann, Diener, Dobner, Dörfler, Fleischmann, Freiersleben, Friedel, Hoffmann, Körb, Krauss, Kreutzer, Magerl, Nosseck, Plomer, Prem, Randig, Rauch, Salfer, Stieg, Veith (Voith), Wagner

ROTHENBAUM: Bechler (Boechler), Rank, Wöllner

RÜCKERSDORF: Appelt, Maros (Meros)

SATTELBERG: Raab

SCHENKENHAHN: Friedrich

SCHLAN: Michel

SCHLUCKENAU: Otto

SCHÖNWALD (há mais de uma): Huf , Steiner

SCHUMBURG: Richter, Swarowsky

SILBERBERG: Bayerl

SONNENBERG: Hanel, Wand

SPITZBERG: Katzer, Kriesten, Schindler

STADTLER: Hoffmann, Müller, Schiessl, Uhlig (Uhlich), Uhlmann, Wolf (Wolff)

STEINSCHÖNAU: Richter, Ritschel

ST. KATHARINA: Augustin, Drechsler, Grossl, Hoffmann, Lobermeyer (Lobermayer), Maurer (Mauerer), Münch, Rank, Stuiber (Stüber)

SVAROV: Balatka

TACHAU: Wächter

TANNWALD: Brückner, Endler, Feix, Hillebrand, Horn, Nigrin, Schnabel, Schwarz, Seibt

TIEFENBACH: Tureck, Umann

ULLERSDORF: Köhler, Zeithammer

UNTERMARKTSCHLAG: Naderer

VOITSDORF: Schlinzig

WALDAU: Duffeck

WEGSTÄDTL: Neumann

WEISSKIRCHEN: Hoffmann

WIESENTHAL: Dietrich (Ditrich), Fischer, Haupt, Hoffmann, Jantsch, Koliska, Krupka, Ludwig, Lung, Nowotny, Pfeiffer, Rössler, Scholz(e), Wöhl (Woehl), Zimmermann

WURZELSDORF: Hermann, Korbelar, Krause, Neumann, Schier

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Acaba de ser lançado o livro “O Imigrante Anton Zipperer – 200 anos de nascimento (1813-2013), escrito pelo autor deste blog. O livro resgata a história de Anton Zipperer e seus antepassados a partir de registros paroquiais boêmios, inclusive revendo afirmações até então tidas como verdadeiras a respeito do passado da família. Também são levantados e estudados os ancestrais de Elisabetha Mischek, esposa de Anton. Ao final, há uma árvore genealógica com os descendentes no Brasil.

O livro está à venda pelo Clube dos Autores.

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Coluna “São Bento no passado”, publicada no jornal Folha do Norte de 05.03.2013.

Novidades da família Zipperer

A família Zipperer costuma ser a mais lembrada quando falamos sobre a colonização em São Bento do Sul. Em grande parte, isso se deve à publicação das memórias de Josef Zipperer. E, de fato, os Zipperer estiveram na primeira leva de imigrantes que subiu a Serra Dona Francisca para dar início à Colônia de São Bento. Jorge e Martim Zipperer, filhos de Josef, buscaram preservar a memória da família, inclusive mantendo contato com pessoas que viviam na Boêmia, a terra natal dos Zipperer. Nenhum deles, no entanto, havia conseguido desvendar a genealogia da família.

Recentemente, os registros paroquiais do Böhmerwald foram disponibilizados on line. Isso permitiu descobrir os ancestrais da família Zipperer. Durante muito tempo, repetiu-se que o imigrante Anton Zipperer, pai de Josef, era filho de um certo Adam Zipperer e neto de Jakob Zipperer. Agora descobriu-se que Adam nunca existiu. O pai de Anton era o mesmo Jakob apontado como avô. Muitas outras descobertas foram possíveis, e elas deverão ser compiladas em um trabalho específico ao longo de 2013 – quando o nascimento de Anton completa 200 anos.
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Anton Zipperer não teve uma vida fácil. Viu o pai morrer aos 7 anos. Aprendeu carpintaria e aos 20 anos foi obrigado a servir o exército na Áustria e na Itália. Ficou dez anos longe da mãe e das duas irmãs. Quando voltou, encontrou as irmãs casadas. Logo também ele constituiu família. Sem ter o seu próprio pedaço de terra, vivia explorado pelos proprietários.
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Aos 60 anos, já velho para a época, foi convencido pela esposa Elisabetha Mischek a tentar a sorte no Brasil. Era uma decisão que visava principalmente os seus descendentes. Estes, ao longo dos anos, parecem ter justificado a escolha. Além de terem as suas próprias terras, destacaram-se na vida econômica, social e política da região.
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A foto abaixo mostra o cortejo fúnebre de Jorge Zipperer, um descendente ilustre, morto aos 31.01.1944. A imagem, cedida por Osmair Bail, é do acervo de Iza Jung.

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Como eu havia comentado aqui, foi lançado no último sábado em Nýrsko, na República Tcheca, a versão em tcheco para o livro ” São Bento no Passado”, com as memórias de Josef Zipperer sobre o tempo da imigração e colonização de São Bento do Sul. A Sra. Christa Petrásková, que ajudou Petr Polakovič na tradução na obra, me mandou o relato sobre esse lançamento, e que eu traduzi e reproduzo logo abaixo, acompanhado das fotos:
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São Bento em Nýrsko! 
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Nossa expedição para a Floresta Boêmia foi um sucesso! Nós dois, Sr. Polakovič e eu, saímos cedinho. Eu fui de ônibus de Jablonec, e o Sr. Polakovič foi de carro de Brandýs. Nós nos encontramos em Praga na rodoviária. Polakovič  mostrou-me os novos livros de São Bento no porta-malas do seu carro! 1000 exemplares! 
O título do livro é “Šumavané v Brazílii”, que significa “Pessoas da Floresta Boêmia no Brasil”. Tem 87 páginas e 22 fotos. Também 13 anúncios. Nós fomos para Nýrsko e tivemos um típico almoço tcheco: tortas, porco defumado, chucrute e cerveja de Pilsen. 
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Então nós demores uma caminhada em Nýrsko com o diretor do museu local. Ele nos mostrou a casa do escritor Josef Blau, que fez o livro “Baiern in Brasilien”, sobre os Zipperer e São Bento. Blau foi professor na escola local e um especialista na etimologia e história da fabricação de vidro na Floresta Boêmia. Foi expulso em 1946 e morreu no ano de 1960 em Straubing, Alemanha.

Casa de Josef Blau, o autor de "Baiern in Brasilien", obra sobre famílias de São Bento

A apresentação do livro de São Bento começou às 15h na livraria. O Sr. Polakovič cumprimentou todas as pessoas – havia cerca de 50 pessoas na plateia, além do diretor do museu, atendentes, uma senhora de autoridade de Plzeň, e o prefeito de Chudiwa/ Chudenín – cidade a qual pertencem as vilas de Santa Katharina, Flecken e Hammern.

Plateia em Nýrsko para o lançamento do livro "São Bento no Passado" na língua tcheca

Eu li o poema sobre São Bento e a história sobre o casamento da Floresta Boêmia. O Sr. Polakovič mostrou fotos do Brasil e também documentos sobre a emigração, como listas de navio e passaportes.
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No meio do seu discurso, houve um rumor na porta: um brasileiro está aqui! Nós pensamos: “O pessoal de São Bento nos encontrou! Um milagre!”.
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Mas era Alessandro, um brasileiro de São Paulo que se casou com uma tcheca e agora está empregado numa fazenda tcheca. 
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Então tivemos torrada com vinho tinto brasileiro e batizamos o livro.

Christa Petrásková e Petr Polakovič brindam o lançamento do livro em tcheco.

 Uma outra surpresa! Uma bela senhora, chamada Kvetoslava Zipperer, que manteve por muito tempo correspondência com o Brasil, mas que a enviou para alguém na Inglaterra. Ela só fala tcheco, então não entendeu que tipo de papéis era.
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Já era quase tarde quando tivemos que partir, porque eu precisava pegar o último ônibus de Praga para Jablonec, que saía às 20h30. Em Praga estava chovendo, mas em Jablonec havia grande quantidade de neve. Meu cachorro Brutus ficou muito feliz ao me ver às 22h30.

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O imigrante Anton Zipperer, um dos pioneiros da colonização de São Bento do Sul, veio ao Brasil em 1873 e trouxe consigo a esposa e mais seis filhos. A sua primogênita, chamada Catharina Zipperer, permaneceu na Europa. Acredita-se que, na ocasião, ela já morava em Viena com seu esposo Friedrich Fendrich. A permanência em solo europeu, no entanto, não se prolongou por muito tempo, pois em 1875 Friedrich e Catharina também resolveram tentar a sorte no Brasil. Assim como os Zipperer, os Fendrich se instalaram na atual cidade de São Bento do Sul.

Friedrich Fendrich, o imigrante, era filho de Franz Fendrich e Maria Magdalena Trnka, os últimos desse sobrenome que se tem notícia. Nasceu no dia 24.04.1843 em Lomnitz, perto de Hochin, na Boêmia. Há mais de uma cidade com esse nome na República Tcheca – país que abriga o atual território da Boêmia. A melhor pista aponta para a cidade de Lomnice nad Luznici, antiga Lomnitz, 112 quilômetros ao sul de Praga, perto de Hluboka nad Vitavou, antiga Hosin. Apesar dessa coincidência, o pesquisador tcheco Petr Kalivoda informou que o sobrenome Fendrich não existe nessa região e que, no período de nosso interesse, nunca existiu nas redondezas (KALIVODA, 2008). De qualquer forma, o nome da aldeia de Lomnitz representa um avanço na biografia de Friedrich Fendrich, pois era desconhecido de todos aqueles que escreveram sobre este personagem.

Não é possível precisar a data em que Friedrich Fendrich se mudou para Viena. O cronista Josef Zipperer comenta que Fendrich passou em Viena “toda sua infância e mocidade” (ZIPPERER, 1951, p. 93). Assim sendo, também é de se supor que os pais estivessem com ele. Na capital austríaca, Friedrich aprendeu o ofício de sapateiro. Provavelmente, também foi lá que se casou com Catharina Zipperer, nascida no dia 08.07.1845 em Flecken, na Boêmia, primogênita de Anton Zipperer e Elisabeth Mischeck. Em 03.05.1874, o casal teve a filha Hedwiges, que também iria imigrar ao Brasil no ano seguinte.

Josef Zipperer afirma que as cartas escritas pelos imigrantes pioneiros aos parentes que ficaram na Europa facilitaram a posterior vinda de famílias como os Fendrich, Schadeck, Tschöke e Knittel. Isso porque, nessas cartas, a região era descrita como o verdadeiro “paraíso que o velho Adão nos fez perder” (ZIPPERER, 1951, p. 18). Diziam que a caça e a pesca, ao contrário do que acontecia na Boêmia, podiam ser livremente exercidas, e que não era preciso pagar pelo ensino, e nem contas de médico ou impostos – o que não diziam era que praticamente inexistiam possibilidades de caça e pesca, e que não havia nenhuma escola e nenhum médico que pudessem ser pagos pelos seus serviços.

Não se sabe com que frequência houve esse contato entre os Zipperer e os Fendrich, mas, de alguma maneira, ele realmente existiu. O diretor Ottokar Doerffel, em ofício citado por Ficker (1973), afirma que os Zipperer, tendo conseguido prosperar nos seus terrenos em São Bento, foram à Direção da Colônia para pagar a passagem de parentes que ainda estavam na Europa. Doerffel referia-se a Friedrich Fendrich e sua esposa Catharina Zipperer, o que é possível comprovar através de um documento da Companhia Colonizadora reproduzido no livro de Josef Zipperer (1951). Assim, os Zipperer contribuíram para que também os Fendrich pudessem vir ao Brasil. 

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Venho comentando há algum tempo aqui no blog sobre a inconsistência que encontrei quanto ao nome do pai do imigrante Anton Zipperer, pioneiro na colonização de São Bento do Sul, e ancestral de todos os atuais portadores do sobrenome na região. A versão propagada em trabalhos recentes, como o de José Kormann sobre o “Tronco Zipperer”, apontava como pai de Anton um certo Adam Zipperer. A origem dessa versão, imagino, é o livro de Josef Blau chamado “Bayern in Brasilien”, que contém um capítulo específico sobre a família, e nele cita, justamente, Adam Zipperer como o pai de Anton.

Eu também havia aceitado essa versão, que ganhava ainda mais credibilidade ao lembrarmos que Blau escreveu seu livro com base em referências feitas pelos são-bentenses Jorge e Martim Zipperer – netos do imigrante Anton Zipperer. Assim, imaginei que foram os dois que passaram a Blau a informação de que seu avô era filho de Adam Zipperer e, assim sendo, não haveria qualquer motivo para colocar dúvidas quanto a essa versão.

Passei a ficar intrigado, no entanto, quando recebi de um pesquisador tcheco a informação de que o registro de casamento de Anton Zipperer e Elisabeth Mischeck aponta como pai do noivo um Jakob Zipperer – nome que, segundo Blau, era o pai de Adam. Cogitei que pudesse ter havido equívoco na transcrição feita pelo padre, coisa que acontecia com frequência. Mas, logo em seguida, abandonei de vez a hipótese de Adam ser o pai.

Isso porque havia recebido de outro pesquisador tcheco as informações contidas no próprio registro de batismo de Anton Zipperer, em 1813, e nele consta claramente que seu pai era Jakob Zipperer, o mesmo nome que consta por ocasião do seu casamento. À força dos documentos, eu era levado a crer que Jorge e Martim Zipperer haviam, de alguma maneira, se equivocado ao passar informações familiares para o livro de Josef Blau.

Agora, no entanto, descobri que eles não tiveram culpa. Recebi há alguns dias um extenso e bem cuidado trabalho do primo Osny Zipperer, neto de Jorge, no qual existem referências e até mesmo transcrições de valiosos documentos familiares. Entre eles, existem diversas cartas trocadas entre Jorge e seus parentes por ocasião da sua viagem à Boêmia, em 1938. Numa delas, quando já voltara ao Brasil, Jorge escrevia a certa Zipperer da Europa:

Meu avô Anton Zipperer, nascido em Flecken em 1813, era o único filho de uma viúva, e era em seu lar denominado como o “Witwentoni”. Meu avô era morador em Krouhansel em Flecken, seu pai chamava-se Jacob, se não me engano.

Disso se conclui que não veio de Jorge Zipperer a informação de que Anton era filho de Adam Zipperer. Ao contrário, Jorge acreditava, mas não tinha certeza, de que seu bisavô se chamava Jakob Zipperer. Os documentos encontrados nos arquivos da Boêmia mostram que Jorge não estava enganado, e era exatamente esse o nome do pai de Anton. O nome de Adam, assim sendo, parece ser equívoco unicamente, embora involuntário, de Josef Blau.

Jorge Zipperer também informa à sua correspondente que não sabia dizer o parentesco com ela, já que, para isso, seria preciso ter consultado livros e registros eclesiásticos na Boêmia, coisa que não havia tido oportunidade para fazer. Se tivesse, Jorge ia comprovar que Jakob era o pai de Anton. De onde Blau tirou o nome de Adam, ainda é um mistério.

 O mesmo documento informa ainda que Anton tinha duas irmãs menores, informação ainda desconhecida. Uma outra informação, que desconheço a origem, precisa ser retificada também: Anton Zipperer não nasceu em 26.02.1813, mas em 12.01.1813. Essa é a informação que consta do seu registro de batismo.

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Meu amigo e parente Evandro Zipperer fez no mês de maio uma viagem à Europa, e nela aproveitou para conhecer a aldeia natal de seus ancestrais, que também são os meus. Da aldeia de Flecken (hoje chamada Fleky), na República Tcheca, o imigrante Anton Zipperer partiu em 1873 na companhia de esposa e filhos para imigrar ao Brasil, tendo aqui se tornado um dos pioneiros na colonização de São Bento do Sul. Evandro fez o interessante relato que segue abaixo sobre as impressões que a visita lhe causou:

O ponto culminante foi a visita que fiz à Böhmerwald mais precisamente à Fleky!!!

Foi muito emocionante e repleto de surpresas!! Eu fiquei visivelmente emocionado em encontrar o local e respirar o ar onde os meus antepassados viveram!!! Quisera encontrar alguém para conversar e buscar mais informações. Mas era só eu e minha esposa. Encontrei um senhor que estava trabalhando numa obra de uma casa e ele era de Hamry. Mas não dispunha de tempo para conversar “ich muss arbeiten”.

Foi muito tocante principalmente no local da antiga igreja de Rothenbaum. Foi o ponto culminante e ali a minha esposa encontrou uma cruz demarcando uma antiga sepultura com o nome “Zipperer” inscrito na madeira!!! E bem cuidado, sinal que alguém cuida do local. Ver foto anexa.

A região é muito bonita e o local da igreja está bem cuidado, com o antigo fundamento, a pia batismal, uma cruz e todas as lápides dispostas e encostadas na lateral do antigo cemitério!! Vale a pena visitar. Registrei a visita com uma porção de fotos; voce não imagina a solidão e o silêncio que faz naquelas paragens. E tudo cercado de verde e árvores frondosas. Silêncio sepulcral e de fato os mortos jazem em sossêgo naquele lugar. O silêncio era tão profundo que nos sentíamos no fim do mundo, só nós dois e o cantar dos pássaros. Não imaginava uma coisa dessas!

Só posso agradecer ao bom Deus em conceder a realização desse sonho; me sinto revigorado e o ar de lá fez bem; me sinto mais “zipperer” e orgulhoso de ver nascer uma familia advinda de plagas tão distantes e diferentes. Orgulhe-se do nome que tem; é a coisa mais cara que pode existir. Na simplicidade do local ecoam hoje os sons dos pássaros que talvez queiram conversar com a gente. A coisa toca profundo!

Andei por todas as pequenas vilas e pasme que tudo está sinalizado com as indicações de distâncias, etc. Denota muita organização em termos de administração. Mas infelizmente tem muitas casas em ruínas e outras sendo reformadas. Deve ser o reflexo de tudo aquilo que já foi perpetuado na região em função de guerras, política, etc.

As tuas indicações com os nomes dos locais foi muito valiosa e serviu de estudo antecipado para me dirigir para aquele lugar. O Hilário Rank aí de São Bento foi importante dando as dicas e roteiro com os locais a serem visitados. 

Quiçá um dia voce vai visitar essa região, o que seria um coroamento pela dedicação e respeito às pesquisas que realiza. Vale a pena colocar no roteiro. 

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