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Archive for the ‘História e Genealogia’ Category

“Estas foram as mulheres valentes dos imigrantes; mães extremosas dos filhos e companheiras dedicadas, laboriosas e incansáveis dos maridos, procurando proporcionar, a estes e aqueles, todo o conforto de um lar. Quem lhes levantará um dia, em pedra ou bronze, um monumento, que as eternize? Quem as lembrará, um dia, em páginas de dor, de trabalho e de dedicação? Quem lhes cantará o hino sublime da mãe e mulher abnegada, criando a família na solidão da mata hostil, compartilhando de todas as dificuldades, de todas as vicissitudes e de todas as restrições que se impunham?”. (Josef Zipperer)

As listas de imigrantes normalmente são feitas a partir dos homens, mas há casos como o da família Zipperer em que a imigração só ocorreu por força e determinação da esposa.

Abaixo, são citadas esposas dos pioneiros de São Bento, que receberam seus primeiros lotes no dia 23 de setembro de 1873. Alguns dos 70 pioneiros eram solteiros e outros não tiveram o seu estado civil identificado. Nem todas ficaram em São Bento. Em parênteses, o sobrenome do marido.

Albertine Katharina Gresens (Selke)
Amalia Fregin (Marschalk)
Anna (Brokopf)
Anna Bronk (Lilla)
Anna Kretschmer (Kaulfersch)
Anna Seidel (Rohrbacher)
Auguste Gotze (Gutmann)
Auguste Woit (Natzke)
Barbara Sadowska (Leyk)
Catharina Czaja (Fryca)
Cecília Pscheidt (Zipperer)
Elisabetha Mischek (Zipperer)
Ernestine Marie Benke (Schröder)
Eva Bormann (Witt)
Francisca Czaja (Pilat)
Francisca Faralich (Czapiewsky)
Friederike (Grimm)
Friederike Röpke (Hackbarth)
Henriette Bohmke (Ziemann)
Henriette Christine Louise Röpke (Schneider)
Henriette (Marre)
Henriette Wilhelmine Kornitz (Neubauer)
Henriette Ziemann (Mielke)
Johanna (Ruske)
Johanna (Sill)
Johanna Molkentin (Becker)
Josephina Schmidt (Breszinski)
Josephina Tuszkowska (Hinz)
Justina (Jazdewski)
Karolina Eichendorf (Leffke)
Karolina Engler (Gatz)
Karoline Florentine Ruske (Neumann)
Karoline Wothke (Ledebour)
Kascha (Hereck/Chereck)
Luisa (Bertha) Kassulke (Redel)
Magdalena Kosznik (Jelinski)
Maria Hawrisowska (Furmankiewciz)
Maria Kliszweska (Waldmann)
Mariana Dziedzic (Harz)
Mariana Gasior (Wegrzyn)
Mariana Gronowska (Faralich)
Mariana Niemeczuk/Niemcik (Konkol)
Mariana Sobotzka (Dolla)
Maria Anna Gawlock (Dziedzic)
Pauline (Meyer)
Pauline (Schielein)
Rosalia (Küchler)
Sophie (Glade)
Sophie Kapuan (Fuhrmann)
Theodora aus dem Bruch (Hümmelgen)
Theresia Eichendorf (König)
Theresia Grubenbauer (Duffeck)
Theresia Mayer (Stüber)
Wanda Furmankiewicz (Marszalec)
Wilhelmine (Schröder)
Wilhelmine Pollack (Richter)
Wilhelmine Mielke (Engler)

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Durante a década de 1930, quando floresceu o movimento integralista, tentou-se adequar o mito do Papai Noel às tradições brasileiras. Para ocupar o lugar do “bom velhinho”, foi criado o “Vovô Índio”, que faria basicamente a mesma coisa, ou seja, entregaria presentes às crianças, mas estaria muito mais próximo da realidade brasileira do que aquele sujeito da Lapônia.

Em verdade, foi promovida uma grande “campanha difamatória” contra o Papai Noel, do qual o fragmento abaixo, publicado à imprensa da época, ilustra bem:

O fato de, ainda hoje, todos continuarmos falando no Papai Noel é uma prova de que a ideia de um Vovô Índio não foi para frente. Há relatos que ressaltam o pouco sucesso do novo personagem entre a criançada, como a debandada geral de crianças assustadas após o Vovô Índio chegar a um estádio.

Em São Bento, onde o integralismo fez sucesso a ponto de eleger um prefeito, Ernesto Venera dos Santos, também tentou-se “emplacar”, sem sucesso, o Vovô Índio. Ernesto era o diretor do jornal “O aço” e, além disso, o dono da célebre “Livraria Santos”, no centro da cidade, comércio que passou à sua filha Diva e que ainda hoje evoca muitas lembranças nos são-bentenses.

Unindo as suas crenças integralistas ao jornal e ao comércio, Ernesto Venera dos Santos publicou no dia 01.12.1936 a seguinte propaganda, repassada por seu neto Roberto Carlos de Assis:

Trata-se, logo se vê, de um anúncio curiosíssimo, no qual se nota a vastidão de produtos vendidos na “livraria” de Ernesto Venera dos Santos, ao mesmo tempo em que se pode ter uma melhor ideia do tipo de divertimentos que as crianças são-bentenses da década de 1930 tinham acesso. O tal do Vovô Índio parecia um tanto beligerante, pois, logo no começo da listagem de produtos, são oferecidas coisas como espadas, canhões, metralhadoras, pistolas, espingardas, revólveres…

Talvez não fosse à toa que as crianças tinham medo do Vovô Índio.

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A foto abaixo faz parte do acervo do Museu Thiago de Castro, em Lages/SC. Até então, não se tinha notícia de grupos organizados favoráveis ao nazismo em São Bento do Sul. Como na maior parte das colônias germânicas de Santa Catarina, floresceu mais o integralismo, a ponto de São Bento eleger um prefeito integralista, na figura de Ernesto Venera dos Santos. O surgimento de um grupo nazista parece ser consequência da passagem da poetisa alemã Maria Kahle por São Bento, em 1934 (ou seja, no ano anterior à foto). Maria Kahle, que já havia estado em São Bento na década de 1910, voltou ao país após a ascensão de Hitler para fazer propaganda do regime nas colônias de origem germânica.

Não se conhece até o momento a identidade dos personagens que aparecem na foto e nem outras circunstâncias relacionadas a esse grupo. Entretanto, é possível que em breve tenhamos mais novidades, pois consta que existe no museu uma pasta com descrições dessas fotos. O colega Gustavo Grein, que foi quem passou a informação sobre essa foto, estará lá pessoalmente e irá verificar se existem mais informações sobre a foto desse grupo são-bentense.

O carimbo que se observa na foto é do DOPS. O historiador Wilson de Oliveira Neto sugere que essa foto possa ser parte do material apreendido pelo coronel Lara Ribas durante o desmonte do NSDAP (o Partido Nazista) em Santa Catarina, cujo relatório foi publicado sob o título “O punhal nazista no coração do Brasil”.

Veremos se é possível descobrir mais alguma coisa sobre o tema.

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A lista a seguir registra os primeiros nomes que foram confirmados na Igreja Luterana de São Bento, em 1889. Houve três confirmações em abril e muitas outras em junho daquele ano, sempre realizadas pelo pastor Wilhelm Quast, o primeiro pastor de São Bento. A maior parte dos nomes imigrou criança ao Brasil. Alguns deles estão entre as primeiras pessoas nascidas em São Bento. E há ainda alguns que nasceram em Joinville e depois se mudaram.

Se você é descendente de alguma das famílias citadas, entre em contato, pois estamos trabalhando em uma “Genealogia Luterana de São Bento do Sul”, na qual será desenvolvida a árvore genealógica das famílias luteranas mais antigas da cidade, chegando até os dias de hoje.

14/04/1889

SCHADE, Gustav, filho de August Schade e Emilie Dümke
GÄNZERT, Friedrich Willhelm, filho de Friedrich Gänzert e Luise Haayen
UHLIG, Klara Emilie Martha, filha de Karl Rudolf Uhlig e Christiane Emilie Erhard

09/06/1889

Homens
BAUM, Friedrich Wilhelm, filho de Karl Ferdinand Baum e Karoline Henriette Klenner
BAUM, Julius Oskar, filho de Karl Ferdinand Baum e Karoline Henriette Klenner
BECKER, Friedrich August Hermann, filho de Karl Becker e Johanna Molkentin
BRAND, Julius Oswald, filho de Ferdinand Brand e Emma Rutke
BRAND, Paul Richard, filho de Ferdinand Brand e Emma Rutke
BRAND, Paul Gustav, filho de Ferdinand Brand e Emma Rutke
ECHTERHOFF, Friedrich August, filho de Hermann Echterhoff e Anna Wemhöner
FRANZ, Karl Berthold Wilhelm, filho de Heinrich Franz e Albertine Kämpfert
HANNEMANN, Otto Karl Christian Ludwig, filho de Ernst Robert Otto Hannemann e Christine Joachine Johanna Schwitzki
HENNING, Louis Friedrich Wilhelm, filho de Karl Friedrich Wilhelm Henning e Ernestine Wilhelmine Krüger
HENNING, Hermann Friedrich August, filho de Gustav Henning e Emilie Henning
KASSULKE, August Karl Johann, filho de Hermann Kassulke e Wilhelmine Röpke
KÖTZLER, Paul Hermann, filho de August Kötzler e Ernestine Geister
KÖHLER, Albin Otto, filho de Daniel Köhler
KÖNE, Franz Wilhelm Karl, filho de Johann Friedrich Wilhelm Köne e Friederike Wilhelmine Sophie Dorothea Lahassvy.
MICHLER, Karl Heinrich Bernhard, filho de Karl August Michler e Anna Christiane Kardauke
MÜLLER, Wilhelm, filho de Wilhelm Müller
MÜLLER, Wilhelm Hermann Christian Müller, filho de Albert Müller e Wilhelmine Giese
NEUBAUER, Heinrich Ludwig, filho de Jakob Neubauer e Henriette Kornitz
PAUL, Michael Ernst Valentin, filho de Ludwig Paul e Henriette Gehrke
REICHWALD, Franz Wilhelm Hermann, filho de Franz Reichwald e Wilhelmine Ratke
REUSING, Peter Wilhelm Otto, filho de Heinrich Reusing e Klara Klaumann
RUDNICK, Ludwig, filho de Wilhelm Rudnick e Ernestine Beier
RUDNICK, Leopold Ernst, filho de Wilhelm Rudnick e Ernestine Beier
SELKE, Franz Friedrich, filho de Ludwig Selke e Albertine Gresenz
SCHELLIN, August Hermann, filho de August Hermann Gottlieb Schellin e Wilhelmine Auguste Emilie Brehmer
SCHRÖDER, August Friedrich Wilhelm, filho de Johann Friedrich Wilhelm Schröder e Friederike Charlotte Luise Schröder
SCHRÖDER, Rudolf Heinrich, filho de August Schröder e Ernestine Pentke
SILL, Karl, filho de Theodor Sill
THOMSEN, Friedrich Wilhelm August Emil, filho de Georg Adolf Thomsen e Rosalie Tobias
UHLIG, Karl Richard Eugen, filho de Karl Rudolf Uhlig e Christiane Emilie Erhard
WORREL, Emil, filho de Ferdinand Worrel e Amalia Buder
WORREL, Robert, filho de Ferdinand Worrel e Amalia Buder
ZIEMANN, Johann, filho de Johann Ziemann.

Mulheres 
HACKBARTH, Maria Luise, filha de Friedrich Hackbarth e Friederike Röpke
HACKBARTH, Martha Luise, filha de Friedrich Hackbarth e Friederike Röpke
HEINERICI, Juliane Marie Dorothea Luise, filha de Ferdinand Eduard Gustav Heinerici e Marie Juliane Müller
HILLE, Hedwig, filha de Hermann Hille e Emilie Gayer
KÖTZLER, Emma Pauline, filha de August Kötzler e Ernestine Geister
KLAUMANN, Karoline Amalia Anna, filha de Rudolf Klaumann e Emilie Dörner
KÖHLER, Agnes Clara, filha de Daniel Köhler
KÜRTEN, Elise Emilie, filha de August Kürten e Ulrike Ehlke
LABENZ, Ida Bertha, filha de Friedrich Labenz e Wilhelmine Witt
MARSCHALL, Augusta Emilie, filha de Heinrich Marschall e Amalia Fregin
METZE, Klara Maria Luise, filha de Karl Friedrich Metze e Luise Wilhelmine Förster
NATZKE, Johanna, filha de August Natzke
NEUMANN, Auguste Wilhelmine Emilie, filha de Ludwig Wilhelm Neumann e Karoline Ruske
PANNEITZ, Maria Johanna, filha de Karl Panneitz e Johanna Voss
RICHTER, Alma Hedwig, filha de Friedrich Moritz Richter e Amalie Auguste Born
RICHTER, Anna, filha de August Richter
RADOLL, Emilie Berta Auguste, filha de Wilhelm Radoll e Friederike Ulrike Läske
REETZ (PRÜSS), Adele Christine Wilhelmine, filha de Lisette Christine Henriette Reetz
SCHNEIDER, Mathilde, filha de August Schneider
SCHRÖDER, Auguste Wilhelmine Friederike, filha de Wilhelm Schröder e Friederike Butzke
SCHÜTTLER, Emma Selma Wilhelmine, sem pais mencionados
TSCHÖKE, Ida Luise, filha de Josef Tschöke e Luise Scholz

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São poucos os registros de crianças “expostas” (abandonadas) nos primórdios de São Bento do Sul, mas eles existem. No período do Brasil colonial, o fenômeno da exposição foi extremamente comum, chegando a alcançar em Curitiba a impressionante marca de 10% dos batizados.

Os motivos para o abandono geralmente eram financeiros ou morais. Escolhia-se deixar a criança à porta de uma casa que não era necessariamente a mais rica, mas sim onde se acreditava que a criança seria bem tratada. Havia muitos acertos entre as partes também, nem sempre era “abandono” propriamente.

Havia motivos também para que uma família aceitasse receber uma criança exposta, que podiam ir desde o simples desprendimento cristão até o desejo de suprir a perda recente de outro filho, além de ser uma pessoa a mais para ajudar na lavoura.

Eu descendo de pelo menos cinco crianças expostas, o que representa, quase sempre, o fim da genealogia, pela total impossibilidade de descobrir os pais. Um desses casos é o do pai do Generoso Fragoso de Oliveira, um dos pioneiros de Fragosos.

Diz o registro dessa criança de 1883, feito pelo padre Carlos Boegershausen:

“…batizei solenemente ao Germano, filho exposto do sexo masculino, que a dez de setembro do mesmo ano foi achado num potreiro de Antônio Ribeiro dos Santos, morador de Avenquinha de Santo Antônio deste distrito, pela mulher dele, Maria dos Santos, embrulhado nuns trapinhos sem indício algum, parecendo de dois dias de idade. Foram padrinhos os ditos Antônio Ribeiro dos Santos e sua mulher Maria dos Santos, que adotarão o dito Germano por seu filho”.

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Gründungstag, o “dia da fundação” comemorado em 1923.

22/09/1923 (sábado)
Às 11h e 15h, recepção dos hóspedes.
Das 16h às 18h, retreta da banda militar no Jardim Municipal.
Às 18h, queima de fogos de artifício, repicando todos os sinos.
Às 20h30, concerto da orquestra “Hammonia” no Salão Hoffmann e concerto da banda militar no Salão Independência.

23/09/1923 (domingo)
Às 6h, alvorada pela banda militar com salvas e foguetes.
Às 9h30, missa campal.
Às 11h, sessão solene do Conselho Municipal, seguindo-se a inauguração da pedra comemorativa e abertura da exposição.
Das 15h30 às 20h, retreta da banda militar no Jardim Municipal.
Às 18h, fogos de artifício.
Às 20h, “marche aux flambeaux” (obs: marcha noturna com archotes acesos) e iluminação geral. Bailes nos salões Hoffmann e Independência.

24/09/1923 (segunda-feira)
Às 14h, jogos esportivos, tiro ao alvo e retreta da banda militar.
Às 15h, extração da tômbola (obs: jogo de azar semelhante ao bingo europeu).
À noite, baile público no Salão Independência e “Baile do Bouquet” no Salão Hoffmann.

(fonte: A República, 22/09/1923)

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A colonização de São Bento do Sul se deu, majoritariamente, por imigrantes de origem germânica e polonesa, aos quais se somou um significativo contingente de paranaenses que já viviam na região. O elemento germânico vinha de diferentes estados na Europa, sendo que alguns deles não pertencem atualmente à Alemanha. A maior parte dos imigrantes católicos vinha da Boêmia, que na época pertencia ao Império Austro-húngaro. Esses imigrantes eram considerados austríacos e, pouco antes de imigrar, haviam inclusive lutado contra a Prússia, que corresponde em parte à Alemanha de hoje. Ou seja, apesar de cultivarem certos traços culturais em comum, havia até mesmo uma rivalidade entre grupos germânicos distintos.

Os boêmios habitavam o seu território há vários séculos. Os da floresta boêmia chegaram até lá vindos da Baviera, e os do norte vindos da Saxônia, ambos estados alemães. Ao se mudarem para a Boêmia, mantiveram muitos costumes, mas também receberam outras influências, como a dos tchecos. Famílias boêmias como os Fendrich e os Zipperer possuem não apenas germânicos entre os seus antepassados, mas também tchecos. É, de fato, à República Tcheca que a Boêmia pertence em nossos dias, e somente a cidadania tcheca – não a alemã e nem a austríaca – é que, com dificuldades, pode ser pleiteada pelos descendentes dessas famílias.

Se os boêmios predominavam entre os imigrantes católicos de São Bento, os pomeranos eram quem dominava entre os luteranos. À época da imigração, a Pomerânia fazia parte da Prússia. Em consequência da Segunda Guerra Mundial, a maior parte do seu território foi anexada à Polônia. É, de fato, do lado hoje polonês da Pomerânia que provinham as famílias pomeranas de São Bento. É um caso parecido com o dos boêmios, pois, além de não possuírem mais um Estado, os germânicos da Pomerânia também se misturaram geneticamente aos eslavos, e não são exatamente o que se poderia chamar de “alemães” – apesar da fama de Pomerode.

Houve também muitos imigrantes da Silésia, dividida atualmente entre a República Tcheca e a Polônia, com apenas uma pequena parte na Alemanha. Mas também houve os que vieram de territórios que, em nossos dias, pertencem à Alemanha, como a Baviera, a Saxônia, a Vestfália, a Renânia, a Turíngia, Brandenburgo, Mecklenburgo e Hamburgo. Esses eram, no entanto, minoria entre os imigrantes da cidade. Também em menor número veio gente da Alsácia, hoje na França, do Tirol, dividido entre Áustria e a Itália, e mesmo da Dinamarca. Todos esses podem ser vistos hoje simplesmente como “alemães” por seus descendentes, mas uma pesquisa mais aprofundada dos antepassados pode revelar uma origem um pouco diversa.

Talvez seja a atual Alemanha o lugar que melhor incorpora certo tipo de cultura, típica de cidades como São Bento, mas em grande parte dos casos a correspondência não se dá do ponto de vista geográfico, pois os imigrantes vieram de territórios hoje pertencentes a outros países da Europa. Não se trata de mera “sutileza” da história, pois o conhecimento dessas especificidades pode revelar aquilo que temos de original. Pouca gente sabe, por exemplo, que São Bento é a cidade brasileira que mais recebeu imigrantes da Boêmia. Particularidades como essa se perdem quando se fala genericamente em “alemães”.  Por isso, vale o resgate.

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Este artigo foi enviado ao jornal A Gazeta, de São Bento do Sul, mas não publicado. A motivação do texto foi uma sugestão da Banda Treml referente à possibilidade de alterar o nome da praça Getúlio Vargas para Pedro Machado de Bitencourt. Como a própria Banda lembrou, uma decisão como essa precisa ser amplamente discutida pelo plenário do Conselho de Políticas Culturais de São Bento. O que deixo aqui é apenas minha contribuição ao debate. 

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Venho acompanhando com especial interesse e, devo dizer, com alguma satisfação, a discussão acerca da mudança do nome da Praça Getúlio Vargas. Isso porque a substituição do nome da praça por outro, mais condizente com a história de São Bento, é uma coisa que venho defendendo já há alguns anos, escrevendo mais de uma vez sobre isso em jornais locais.
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É importante que as pessoas saibam que a Praça Getúlio Vargas não nasceu com este nome. Seu surgimento está intimamente ligado ao atual prédio da Secretaria de Turismo, que era, em sua origem, a Prefeitura Municipal, construída na gestão de Manoel Tavares, no início dos anos 1900. Por conta disso, um dos nomes pelos quais a praça ficou conhecida, naqueles primeiros anos, era “Jardim da Câmara”. Outros nomes eram “Jardim Público” e “Jardim Municipal”. Ao que parece, também chegou a ser referida como “Jardim do Imigrante”. Eram nomes mais genéricos, até que, de certo no início da década de 30, resolveram chamá-la de “João Pessoa”. O nome não durou muito, pois já em 1942 trataram de homenagear Getúlio Vargas na praça.
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Trata-se, portanto, de um nome escolhido por motivações políticas, sem qualquer relação com a história de São Bento. A praça de São Bento, entretanto, é o local que melhor representa a história da cidade e pode ser vista até como um “marco zero”, uma vez que ali foi instalado o rancho de recepção aos imigrantes. Ora, sendo um local tão significativo, parece-me que não deveríamos ter usado como critério para batizá-lo as inclinações políticas do momento. Não se trata sequer de entrar no mérito da pessoa do ex-presidente Getúlio Vargas, mas de perceber o quanto a história de São Bento está relacionada com esse local e de como seria conveniente que ele recebesse um nome ligado ao seu passado. Getúlio possui um logradouro em todas as cidades do país e, por certo, não se incomodaria caso quiséssemos valorizar a nossa história.
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Dito isso, manifesto minha posição pela alteração do nome, mas não significa que concorde com aquele que foi proposto pela Banda Treml. Reconheço, certamente, todos os méritos e a importância de Pedro Machado de Bitencourt para São Bento. Sua contribuição vai muito além de ter composto o hino da cidade e regido a Banda Treml. Não há dúvida de que, comparado a Getúlio Vargas, ele fez muito mais pela cidade. No entanto, creio que um lugar como a praça de São Bento deveria ter um nome mais abrangente. Sou favorável, portanto, ao nome “Jardim do Imigrante”, que resgata o conceito de “Jardim”, usado por nossos antepassados, e ainda contempla todas as pessoas e famílias que ajudaram na formação de São Bento do Sul.
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De quebra, fica também contemplado um dos versos do hino composto pelo maestro: “Lindo jardim de heróis imigrantes”.

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Tradicionalmente, atribui-se o nome de Oxford à expressão alemã “der Ochsz ist fort”, ou “O Ochsz se foi”,  referindo-se ao engenheiro agrimensor Theodor Ochsz que havia instalado os seus ranchos exatamente na localidade que herdou o seu nome. Com o passar dos anos, teria surgido a corruptela “Oxford”. Essa explicação tem sido repetida por quase todos os historiadores, mas é preciso fazer algumas verificações.

Primeiro, parece certo que o termo “Ox” se refere, de fato, a Theodor Ochsz. Este agrimensor alemão veio por três vezes à região de São Bento, em 1863, 1867 e 1876, nas duas primeiras a serviço do Paraná e na última à serviço do Governo Imperial, chamado que foi para resolver impasses relacionadas à ocupação de terras da Colônia Dona Francisca por paranaenses. Ochsz reconheceu como legítimas apenas as posses de Francisco Antônio Maximiano, o Chico David, e Antônio dos Santos Siqueira.

Não procede a informação repetida algumas vezes de que o próprio Ochsz teria vendido lotes de terra aos paranaenses. O Paraná de fato se aproveitou das medições feitas por Ochsz para facilitar a ocupação da região por paranaenses, mas não foi Ochsz quem os vendeu, o que se comprova pelo fato de que, na sua última vinda, ele não chegou a reconhecer a posse de quase nenhum deles. Ochsz se dedicou a trabalhos como esse em São Bento durante os primeiros meses de 1876, indo embora em maio.

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O Ochsz chega: anúncio na imprensa paranaense 

Como não estava meramente à serviço do Paraná e não pretendia prejudicar os negócios da Colônia Dona Francisca (a quem inclusive reportou os resultados das suas medições), não há sentido na insinuação, presente em obra de José Kormann, de que Ochsz teria fugido de São Bento, na calada da noite. Essa versão é fantasiosa. Ochsz deixou São Bento porque havia concluído os seus trabalhos, nada mais do que isso.

Ao ir embora de São Bento, deixou o seu acampamento provisório, constituído de alguns ranchos, no atual local de Oxford. A prática de construir esse tipo de abrigo em suas viagens a trabalho (e depois abandoná-los) parecia ser frequente no trabalho de Ochsz. Em 1879, por exemplo, há na imprensa paranaense a notícia de que um rancho de madeira construído para a comissão a cargo do engenheiro Theodor Ochsz em São João do Triunfo/PR estava sendo colocado à venda pela Tesouraria da Fazenda. No caso dos ranchos construídos em São Bento, os colonos trataram de desmontá-los e, após levar a madeira até o centro da colônia, fizeram dela a primeira escola do núcleo.

O fato é que o Ochsz “foi-se”. Além de parecer estranho que uma expressão como essa possa ser estendida à localidade, há algumas evidências sugerindo explicação diversa. A primeira menção ao nome de Oxford que encontramos é a de um batizado católico:

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Percebe-se que ali está escrito “Ochsenfurt”. O termo “furt” (como o de Frankfurt) pode significar uma passagem sobre um córrego raso ou até mesmo uma trilha, como lembrou a pesquisadora Brigitte Brandenburg. Poderia, pois, ser algo como “passagem do Ochsz”. Este seria um significado realmente geográfico, ao contrário do “ist fort”. Há ainda a possibilidade de Ochsen se referir a bois, mas, a princípio, rejeitamos essa hipótese, pois seria muita coincidência que a passagem dos bois estivesse justamente na mesma localidade em que o agrimensor Theodor Ochsz levantou os seus ranchos.

Soma-se a isso o fato de que em março de 1876, quando Ochsz ainda estava na região, o imigrante Augusto Henning batizou outra filha, e na ocasião aparece simplesmente como morador da Estrada da Serra. Ou seja, o nome parece ter sido atribuído ao lugar justamente no período de tempo que corresponde à saída de Ochsz da cidade.

O fato de os moradores do centro de São Bento se lembrarem do rancho abandonado por Ochsz a quatro quilômetros do núcleo da povoação também indica que ele era conhecido o bastante para que o local em que morava herdasse o seu nome.

Também é preciso chamar a atenção para o fato de que este termo “Ochsenfurt” passou pela mediação do padre Carlos Boegershausen, que não vivia em São Bento, apenas vinha para a colônia no intervalo de alguns meses, e que, portanto, não podia saber das esquisitas motivações dos colonos para batizar alguma localidade. Poderia ser o caso de ele ter ouvido um nome e escrito da maneira que lhe pareceu correta, mas que talvez não fosse exatamente a mesma pela qual os colonos o conheciam.

A hipótese de um nome “Ochsenfort”, em vez de “Ochsenfurt”, como disse o padre, torna-se plausível a partir de um documento resgatado por Brigitte Brandenburg. Trata-se de um registro de pagamento de lote da Companhia Colonizadora no final de 1877. Há uma observação sobre o lote de Georg Schroeder, feita pelo contador, que, traduzida, diz o seguinte: “Por 200 mogos de terra em São Bento, na estrada construída após as 13 seções de Ochsz, que ainda não tem nome”.

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Lote de Georg Schröder: na estrada construída após as 13 seções de Ochsz 

A inclusão do termo “após” (nach, no original) em relação às terras de Ochsz levanta a hipótese de que o “Fort” de Oxford pudesse ser originalmente “Forth”, que quer dizer a mesma coisa, “após” ou “adiante”. Nessa visão, “Ochszforth” designaria um local específico após as terras medidas por Ochsz. Essa visão nos parece bastante plausível.

Também aí, no entanto, há certos problemas. Em verdade, não temos nenhum mapa das medições feitas por Ochsz durante a sua estada em São Bento para ter alguma ideia do que viesse a ser uma seção, para que soubéssemos o que poderiam ser 13 delas. O terreno de Georg Schröder citado na listagem de Josef Blau, conforme lembrado por Henry Henkels, era o de nº 351 que ficava na Estrada Paraná, nos limites da colônia, entre os bairros de Lençol e Ponte dos Vieira – a cerca de 7 km da atual Oxford.

Também não sabemos se o que não tinha nome ainda era a estrada ou o local em que se situavam as tais 13 seções de Ochsz.

Não nos é permitido, portanto, assegurar ainda que essa, como também as outras, seja a versão verdadeira sobre a origem do nome. É preciso encontrar novos documentos antes de chegar a uma conclusão. Tudo o que já temos levantado, no entanto, permite que a história “oficial” sobre a origem do nome já seja, no mínimo, questionada.

Com todas essas possibilidades, como é que teria vingado a explicação do “Der Ochsz ist fort”? Se de fato não for esta a explicação para o nome de Oxford, podemos aventar a hipótese de um espírito brejeiro tenha feita um trocadilho por ocasião da partida do engenheiro, o que acabou por rebatizar o lugar. De qualquer modo, quem quer que tenha feito a sugestão dessa explicação o fez muito cedo, pois é a partir das memórias do imigrante Josef Zipperer, coligidas inicialmente na década de 10, que ela aparece.

Quem sabe se, com a descoberta de nossas fontes, a verdade possa vir à tona.

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Pouca gente sabe (talvez nem a própria), mas a origem da família da senadora Gleisi Hoffmann está na cidade de São Bento do Sul. O avô dela, Bertholdo Hoffmann, era são-bentense, muito embora tenha se casado em Mafra e morrido em Itaiópolis. O pai dele era o imigrante silesiano Julius Hoffmann, alfaiate e hoteleiro em Oxford. Este Julius também foi figura ativa dos atiradores de São Bento em seus primórdios.

Em destaque, o atirador Julius Hoffmann, bisavô de Gleisi Hoffmann 

O pai da senadora, inclusive, recebeu o mesmo nome do avô, sendo, portanto, Júlio Hoffmann. Ele viveu em Curitiba, onde teve Gleisi e seus irmãos, e mais tarde se separou da esposa, tendo então voltado a Itaiópolis, onde viveu o resto dos seus dias.

Em reportagens pela Internet, costuma-se dizer que o avô da senadora era alemão, o que não procede: o avô era são-bentense. E a sua família Hoffmann não parece ter origem na atual Alemanha, posto que a Silésia fica entre a Polônia e a República Tcheca – etnicamente, é claro, podem ser considerados alemães, não geograficamente.

Além desta família, de quem herda o sobrenome, a senadora descende de famílias Gruber, Pscheidt e Czadek (Schadeck) que imigraram para São Bento, mas não permaneceram na cidade, partindo para Itaiópolis ainda na década de 1890.

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Estou lançando um livro sobre a família de Nicolau Becker, uma das pioneiras na colonização de Rio Negro, em 1829. Essa família tinha como origem a aldeia de Trittenheim, na Alemanha, não muito longe do famoso Trier, região de onde provinha a maior parte dos imigrantes pioneiros da cidade.

A família de Nicolau Becker, no entanto, habitou o lado catarinense no rio, e parece que a maior parte dos imigrantes fez o mesmo. De maneira que eles podem ser considerados também pioneiros de Mafra, e Mafra pode ser vista, inclusive, como a primeira colonização alemã no atual território catarinense, uma vez que teve inicio alguns dias antes que a de São Pedro de Alcântara.

Em Mafra, a família de Nicolau Becker habitou lugares como Portão, Curralinho e Cedro (este já em Bela Vista do Sul). Com base em registros de terra da época, disponibilizados pelo Arquivo Público do Paraná, foi possível incluir, pela primeira vez, uma lista com os primeiros moradores de todas essas localidades.

Também tive a oportunidade de consultar as listas nominativas, equivalente aos censos, dos anos de 1835, 1846 e 1850 em Rio Negro, os quais estão disponíveis no departamento de História da UFPR. Esses documentos, também inéditos, permitiram um vislumbre de como ganhavam a vida cada um dos moradores de Rio Negro e Mafra. O que descobri foi que Nicolau Becker era um dos mais pobres imigrantes.

Possivelmente ainda na década de 1840, a família Becker e outras mais já estavam no lugar conhecido como Cabeça Seca, na entrada de Itaiópolis via BR-116, de modo que eles podem, também, ser considerados pioneiros de Itaiópolis, ainda que essa ocupação tenha se dado muito tempo antes da criação da Colônia Lucena. Também desta região é feita uma lista dos primitivos moradores.

Houve duas famílias Becker em Rio Negro. A outra, do imigrante João Adão Becker e do seu provável filho Gregório, era bem mais abastada, e dele procede Thomaz Becker, que foi prefeito de Rio Negro.

Também houve duas famílias Becker em Itaiópolis, sendo que esta aqui abordada não é a mesma da qual procede Otair Becker, ex-senador da República e prefeito de São Bento.

Existem, no entanto, também em São Bento descendentes de Nicolau Becker. Entre eles está o Fábio Becker, que foi o idealizador deste projeto.

O livro conta com uma árvore genealógica com 1.340 descendentes, fruto de pesquisas em cartórios e igrejas das cidades referidas.

Onde encontrar

Está à venda pelo site Clube de Autores.

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Estas são as famílias que passaram por São Bento que consegui identificar no censo de Itaiópolis no ano de 1895, disponível no Arquivo Público do Paraná (a quem Itaiópolis pertencia) e reproduzido no livro “Os imigrantes poloneses da Colônia Lucena – Itaiópolis”, de Wilson Carlos Rodycz. São Bento, em verdade, contribuiu para o povoamento de uma extensa região no norte de SC e sul do PR. Em tempos mais recentes, muitos descendentes dessas famílias retornaram à região de São Bento.

José Bergmann, Joaquim Eugênio Bispo, José Endler, José Evangelista de Faria, Henrique Fleischmann, Carlos Gruber, Max Gruber, Michael Gruber, Mathias Hoffmann, August Kuchler, Joaquim Ferreira de Lima, Ferdinando Linzmeyer, João Linzmeyer, José Neppel, Jacob Nepsui, José Romão Pereira, José Pscheidt, Carlos Rank, Antonio Rösler, Carlos Schadek, João Schreiner, Venceslau Seidl, Manoel Antônio Siqueira, Lauriano Pinto de Souza, Jacob Stiegler, Carlos Wagner, Paulo Timótheo Wielewski

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Há algumas semanas estamos nos divertindo no grupo “São Bento no Passado” no Facebook com a colorização de fotos em preto e branco.  Trata-se de notável bruxaria tecnologia que, com base em algoritmos e um banco de dados pré-programado, “adivinha” automaticamente as cores da imagem. Não são todas as imagens que ficam boas, e nem mesmo “toda” a foto costuma ficar boa. O programa, até agora, ainda não tem sucesso também ao colorir fotos de pessoas ou de carros. No entanto, o vislumbre que ele permite de algumas paisagens do passado é estonteante, verdadeiro milagre que nos faz voltar no tempo e ter ideia de como os são-bentenses enxergavam a cidade há muitas décadas. Experimente colorir algo aqui.

Abaixo, reproduzimos alguns bons resultados promovidos pelo programa. Para ver mais fotografias, acesse o nosso grupo no Facebook.

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“Da casa paroquial há dois caminhos para subir à igreja, um suave e outro muito íngreme, com uma espécie de escada. Peguei este atalho, mais curto. Era noite ainda quando saí. Enxergo mais ou menos o atalho e… que negócio é esse?! Dois, três, cinco objetos meio duros, como bolas de borracha maciça, me batem na cabeça… paro, examino, apalpo com a mão… estava no meio de galhos carregados de ameixa! Quase quis, “por vingança”, tirar uma e começar a comer. “Alto lá! Primeiro rezar a missa…”. Confesso que nos dias seguintes nunca mais as ameixas me bateram na cabeça; pois de dia examinei tudo direitinho e vi várias ameixeiras tão cheias de frutas que, apesar das muitas estacas, uns galhos se inclinavam quase até o chão, de carregados de ameixas grandes e madurinhas. Ah! Minha gente! Não pude negar meu coração compassivo, fiquei com tanta pena das ameixeiras (e parece que outros também!) e por pura compaixão aliviei um e outro galho carregado de suas frutas mais pesadas e madurinhas. São Bento (hoje Serra Alta) é terra de ótimas frutas, maçãs, peras, ameixas, pêssegos, etc”.

Padre Emílio Dufner em visita a SBS em 1944.

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Temos ciência através do cronista Josef Zipperer (1954) que, nas primeiras décadas, existiu em São Bento uma associação de soldados veteranos da Prússia, tida como “muito bem organizada”. Dela, evidentemente, só podiam fazer parte ex-combatentes prussianos, sendo que a maioria havia lutado na Guerra dos Ducados, em 1864, na Guerra Austro-Prussiana, em 1866, e na Guerra Franco-Prussiana, em 1870, – três das guerras da unificação germânica. Não conhecemos o nome da maioria desses veteranos, apenas os de Rudolf Klaumann, Heinrich Hussmann, Adolph Langer e Josef Heinrich, o “Henrique Grande” citado por Zipperer.

Diz o cronista que Heinrich, que era pedreiro de ofício, já não ouvia muito bem por conta dos tiros de canhão durante a guerra. Os relatos de Heinrich sobre os combates costumavam assustar as crianças, sobretudo quando falava sobre os franceses zuavos, “que não eram cristãos como nós, mas sim pagãos, venerando como Deus a macacos”.

Da Guerra Franco-Prussiana, os ex-combatentes de São Bento festejam o dia da batalha de Sedan, que decidiu o conflito a favor dos prussianos. A batalha foi travada no dia 1º de setembro, e no dia seguinte os franceses se renderam. Era justamente no dia 2 de setembro que os soldados comemoravam em São Bento.

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Batalha de Sedan: prussianos comemoravam a rendição dos franceses em 1870

Neste dia, eles promoviam um desfile pelas ruas da cidade, repleto de bandeiras tremulando. Os combatentes traziam ao peito as condecorações que haviam recebido por ocasião das guerras em que participaram. A Banda Augustin, tida como o primeiro conjunto musical de São Bento, puxava o desfile com suas marchas, reforçada pelos bumbos e tambores de Rodolpho Hoffmann e seu filho Oswaldo. Pela menção a esses nomes feita por Josef Zipperer, imagina-se que esses desfiles tenham acontecido próximo ou exatamente na década de 1890. Afinal, Oswaldo Hoffmann nasceu por volta de 1876 e, por mais mocinho que fosse, precisava ter certa idade para poder acompanhar o pai na banda.

Aliás, chama a atenção que essa solenidade dos prussianos fosse animada pelos “austríacos” da Banda Augustin. Isso porque a Guerra Austro-Prussiana ocorrida em 1866 colocou ambos em lados opostos. Por mais que já tivessem se passado duas décadas, os relatos da época fazem crer que ainda persistiam certas animosidades entre as etnias em São Bento. Talvez os prussianos, se pudessem, escolheriam uma banda própria, mas é possível que os Augustin fossem os únicos na cidade. A inclusão da família Hoffmann é sugestiva, pois esses não eram boêmios, e bem poderia ser que fossem prussianos. Talvez fossem eles os representantes da etnia em meio aos músicos austríacos – que, de certo, também não viam mal em um trabalho a mais.

augustin

Banda Augustin: austríacos animando os prussianos 

Diz Zipperer (1954) que as crianças acompanhavam toda a marcha, “admirando aqueles homens, verdadeiros heróis, que já tinham enfrentado a morte, frente à grande chuva de balas”. Esse dia festivo era finalizado com um “monumental baile”, em salão não mencionado.

Todas essas festividades acabaram por despertar o ciúme dos boêmios de São Bento. Também havia entre eles veteranos das mesmas guerras, além de outros que estiveram na Itália sob o comando do marechal-de-campo Josef Wenzel Radetzky von Radetz, tido como o mais importante militar austríaco da primeira metade do século XIX. Infelizmente Zipperer não cita nomes, mas sabemos que, entre esses, estava o imigrante Georg Gschwendtner, que havia combatido na Itália, contra os franceses, em 1858/1859 sob o comando de Radetzky (VASCONCELLOS, 1991), no conflito que ficou conhecido como a Segunda Guerra de Independência Italiana.

Entre os militares boêmios, também estava Jakob Treml, que foi dragão do imperador, ou seja, um soldado que se deslocava a cavalo, e usando armamento pesado. Ele participou, em 1866, da batalha de Königgrätz, ou de Sadowa, ocorrida no norte da Boêmia e que decidiu a Guerra Austro-Prussiana a favor da Prússia.

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Batalha de Königgrätz: imigrante Jakob Treml participou do conflito que definiu a Guerra Austro-Prussiana a favor dos prussianos em 1866

Sabemos ainda que o próprio Josef Zipperer foi soldado na Guerra Austro-Prussiana, também conhecida como Guerra das Sete Semanas. Essa guerra parece ter sido do especial interesse de seu filho Jorge, que, ainda na juventude, leu livros sobre o conflito. Pelos relatos feitos por Josef Zipperer, sabemos que houve também um imigrante apelidado de “Henriquezinho”, ou “pequeno Henrique”, que havia sido sargento do exército austríaco, mas não obtivemos sucesso na identificação desse personagem. O seu apelido vinha pela comparação com o “Henrique Grande”, o já citado Josef Heinrich, que havia lutado pelos prussianos. Desconhece-se o nome de outros ex-combatentes austríacos.

De toda forma, os austríacos decidiram criar também uma sociedade para rivalizar com a dos prussianos, e assim foi feita a “Oesterreich-Ungarischer Hilfsverband”, também chamada de “Sociedade Auxiliadora Austro-húngara”, “União Beneficente Austro-húngara” e “Liga Austro-húngara”, conforme o historiador e o tradutor. Parece certo que dela não faziam parte apenas os veteranos, mas todos os imigrantes austríacos que assim desejassem. O próprio presidente, Frederico Fendrich, não parece ter lutado em nenhuma guerra. Boa parte dos seus membros parecem ter sido pacatos colonos.

A imagem pode conter: 13 pessoas, pessoas em pé

A Sociedade Auxiliadora Austro-húngara: veteranos eram em número reduzido 

É curioso que uma das lideranças dessa sociedade austríaca fosse o silesiano Johann Hoffmann. Em verdade, há uma grande confusão geopolítica envolvendo a Silésia, que ora aparece como parte do Império Austro-húngaro e ora da Prússia. Pfeiffer (1997), ao falar sobre o imigrante silesiano Adolph Langer, diz que sua aldeia natal pertencia ao Império Austro-húngaro, mas já em seguida relata a participação dele na guerra Franco-Prussiana – ou seja, lutando pelos prussianos.

Situações curiosas como essas podiam acontecer do outro lado da fronteira também, já que Josef Heinrich, embora bávaro e, como tal, soldado prussiano, tinha sua família, inclusive a esposa, como natural da Boêmia, ou seja, da Áustria. É preciso que se diga que antes de 1866 as duas potências estavam do mesmo lado nos conflitos existentes.

Com a nova sociedade, os austríacos também passaram a promover desfiles pelas ruas da cidade. Escolheram como dia o natalício do imperador Franz Joseph, 18 de agosto. Neste dia, assim como os prussianos, os veteranos de guerra exibiam garbosamente as suas condecorações enquanto caminhavam pela região central de São Bento.

É uma pena que não exista nenhum registro fotográfico desses desfiles, nem de austríacos e nem de prussianos. Em verdade, a documentação sobre essas duas sociedades é bem escassa, sendo que da Sociedade dos Veteranos, ou seja, a dos prussianos, só existe a citação de Zipperer e outra em um protocolo de recepção, em 1898, a um cônsul austríaco ou alemão que nunca veio. Na ocasião, o representante da sociedade foi Heinrich Hussmann. Não se sabe até quando foram as atividades desta sociedade, que deve ter encerrado as atividades ao longo da década seguinte.

A dos austríacos ainda existia na década de 10, mas seguramente não mais em 1923. E as guerras de que participaram só continuaram a ser lembradas nas memórias e nas conversas com seus velhos veteranos.

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Famílias da Boêmia e suas aldeias de origem

Abaixo, seguem o nome de aldeias da Boêmia e os respectivos sobrenomes de famílias que de lá imigraram ao Brasil pelo porto de São Francisco do Sul.

A maioria se estabeleceu em São Bento do Sul/SC, mas outras tomaram destinos diversos, inclusive indo para o Rio Grande do Sul.

Há sobrenomes que aparecem em várias aldeias. Sugiro pesquisar um sobrenome usando Ctrl + F.

Há famílias que ainda não tiveram a sua aldeia identificada.

Se estiver interessado em uma informação ou pesquisa específica sobre alguma dessas famílias, entre em contato.

ALBERSDORF: Baumrucker, Böhm

ALBRECHTSDORF: Endler, Fischer, Paulata, Rössler, Simm, Swarowsky, Zimmermann

ARNAU: Havel, Kapp, Scholz

ARNSDORF (há mais de uma): Jankel, Raschel, Schlögl (Schlegl)

AUSSIG: Malik

BÄRNSDORF: Ritter

BAUSCHOWITZ (há mais de uma): Laube

BAUTZEN: Schützel

BRAND (há mais de uma): Schwarz

BRUNN: Barnack

BUCHAU: Kolbe

BULLENDORF: Lammel

CHINITZ-TETTAU: Gruber, Knickel, Stiegelmeier (Stiegelmeyer)

CHUDIWA: Gruber

DALLESCHITZ: Jappe

DESCHENITZ: Dietrich (Ditrich), Seidl (Seidel), Treml, Zierhut

DESSENDORF: Adamitschka, Fischer, Schwedler

DITTERSBACH: Altmann

DÖRRSTEIN: Rohrbacher

DUX: Grimm, Schneider, Walter

EGER: Bergler

EISENSTEIN: Gschwendtner, Maurer (Mauerer), Pilati, Schaffhausen, Stöberl (Stoeberl)

EISENSTRASS: Bachal (Bachel), Baierl, Böschl (Pöschl), Brandl, Brozka, Frisch, Fürst, Gregor, Grossl (Grassl), Kahlhofer, Konrad, Kuchler, Linzmeyer (Linzmayer), Marx, Neppel , Pflanzer, Schröder (Schroeder)

FALKENAU (há mais de uma): Tietzmann

FLECKEN: Baierl, Hübl (Hiebl), Hien, Kohlbeck, Kirschbauer, Kautnick (Koutnick), Maier (Mayer), Mühlbauer, Münch, Prechtl, Rank, Stascheck (Tascheck), Stueber (Stuiber, Stüber), Stöberl (Stoeberl), Treml, Zipperer

FREIHÖLS: Adlersflügel, Rosenscheck (Rosnischeck)

FREUDENBERG: Richter

FRIEDLAND IN BÖHMEN: Neumann, Scholz

FRIEDRICHSDORF: Prade

FRIEDRICHSWALD: Gärtner (Gaertner), Heinrich, Keil, Lammel, Müller, Schaurig (Schaurich), Streit, Weber

FUCHSBERG: Heinrich

GABLONZ: Brückner, Fink(e), Görnert, Grolop, Hatschbach, Hinke, Hübner, Kirschner (Kirchner), Kohl, Ludwig, Luke, Scholz, Seidl (Seidel), Strackel, Vorbach, Zenkner

GLASHÜTTEN: Aschenbrenner, Eckstein, Grosskopf, Seidl (Seidel), Weiss, Wotroba

GRÄNZENDORF: Bergmann, Hübner, Leubner, Patzelt, Rieger, Seibt, Tandler, Ullrich

GRAUPEN: Seifert (Seiffert)

GRÜNAU: Artner

GRÜNTHAL: Ludwig

GRÜNWALD: Bergmann, Fleischmann, Heidrich (Haidrich), Scholz, Wöhl (Woehl), Zappl (Zappe), Zeemann (Zemann)

GUTBRUNN: Kundlatsch

HAIDA: Hermann, Langhammer, Student

HAIDL AM AHORNBERG: Bayerl (Bail)

HAMMERN: Augustin, Buchinger (Puchinger), Dorner, Drechsler, Dums, Eckel, Ehrl (Erl), Fürst, Grossl, Jungbeck, Kahlhofer (Kohlhofer), Kollross, Liebl, Linzmeyer (Linzmayer), Muckenschnabel, Oberhofer, Pscheidt, Rorhbacher, Rückl, Schreiner, Stiegler, Stöberl (Stoeberl), Tauscher (Tanscher)

HARRACHSDORF: Seidl (Seidel)

HINTERHAUSER: Christoph (Christof)

JOHANNESBERG: Fischer, Gürtler, Jantsch, Kaulfuss, Nierig, Pilz, Posselt, Preussler, Reckziegel, Rösler (Rössler), Schöler, Schwedler , Worm

JOHANNESTAHL: Mai (May), Stark, Swarowsky, Thalowitz

JOSEFSTHAL: Dressler, Zimmermann

KALTENBRUNN: Gassner, Hübl (Hiebel), Schreiner

KARLSBERG: Posselt

KATHARIENBERG: Beckert

KLATTAU: Fleischmann, Mundel

KLETSCHEDING: Bauer

KOCHOWITZ: Hanush (Hannusch)

KOHLHEIM: Grosskopf, Kroll, Schürer

KOMOTAU: Schreiber

KUKAN: Kittel, Mensel, Simm

LABAU: Pfeiffer

LADOWITZ: Schneider

LANGENAU: Hüttel, Keil

LANGENBRÜCK (há mais de uma): Jung

LANGENDORF (há mais de uma): Glaeser, Rauch

LEWIN: Grossmann

LICHTNECK: Stiegelmeier (Stiegelmeyer)

LIEBENAU: Preissler, Skolande, Watzke

LIEBORITZ: Anton, Hübsch

LIPTITZ: Bobel (Bobl), Czernay

LOMNITZ BEI GITSCHIN: Fendrich

MAFFERSDORF: Bergmann, Hauser, Keil, Klinger, Lorenz, Maier (Mayer), Möller, Posselt, Schwarzbach, Wöhl (Woehl)

MARIA RADSCHITZ: Nacke (Nake, Nakl)

MARIASCHEIN: Kern

MARIENBERG: Altmann, Breisler, Endler, Fischer, Müller, Neumann, Niester, Poerner (Perner), Ringmuth, Simm, Urbanetz , Wolf (Wolff)

MARSCHOWITZ: Grossmann, Hatschbach, Pfeiffer

MAXDORF: Dressler, Elstner, Hoffmann, Jäckel  (Jäkel), Morch, Pilz, Prediger, Reckziegel, Schöler, Tandler, Tischer, Vater

MORCHENSTERN: Elstner, Endler, Engel, Feix, Fischer, Haupt, Hoffmann, John, Kaulfuss, Klinger, Köhler, Luke, Melich, Posselt, Reil, Rössler, Scheibler, Scheufler, Schier, Schöffel (Scheffel), Staffen (Steffen), Strauski, Ullmann, Ullrich, Wildner

MÜLLIK: Pauli

NEU PAULSDORF: König

NEUBIDSCHOW: Neumann, Schick

NEUDORF (há mais de uma): Bauer, Binder, Dobner, Dunzer, Hoffmann, Hüttl (Hütl), Mareth, Peyerl, Preissler, Schlögl , Schreiber, Schwarz, Warth, Weiss, Wolf (Wolff)

NEUERN: Augustin, Grosskopf, Pospischil, Schadeck, Tauscheck (Tauschek), Zierhut

NEUSORGE: Dittrich

NIEDER-GEORGENTHAL: Grohmann

OBERKREIBITZ: Bienert

OSSEGG: Liebsch

PELKOWITZ: Klamatsch, Lang, Seiboth (Saiboth), Sedlak , Stracke, Weiss

PETLARN: Bauer, Theinl

PILSEN: Morawka

PLÖSS: Hübl (Hiebl)

POLAUN: Bartel, Feix (Faix), Fischer, Haupt, Hinke, Langhammer, Neumann, Pachmann, Seidl (Seidel), Umann, Weinert

PRISCHOWITZ: Friedrich, Hossda, Lang, Rössler, Schier, Simm, Thomas

PULETSCHNEI: Schöffel (Scheffel), Wabersich

RADL: Kundlatsch (Rundlatsch), Seiboth

RATSCHENDORF: Kaulfersch, Rieger

REHBERG: Gruber, Pauckner, Raab

REICHENAU: Fink(e), Hoffmann, Jäger, Kraus(s), Kwitschal (Kwicala), Maschke, Milde, Peukert, Preissler, Preussler, Rössler (Roesler), Schwarzbach, Strnad (Sternardt), Stracke, Weiss, Wenzel

REICHENBERG: Beckert, Brokopf,  Fiebiger, Hartel, Hoffmann, Hübner, Killmann (Kilmann), Kluss, Mittelstedt, Purde, Riedel, Roscher, Stark, Thurm, Worrel (Warel)

RÖCHLITZ: Linke

ROSSHAUPT: Degelmann, Diener, Dobner, Dörfler, Fleischmann, Freiersleben, Friedel, Hoffmann, Körb, Krauss, Kreutzer, Magerl, Nosseck, Plomer, Prem, Randig, Rauch, Salfer, Stieg, Veith (Voith), Wagner

ROTHENBAUM: Bechler (Boechler), Rank, Wöllner

RÜCKERSDORF: Appelt, Maros (Meros)

SATTELBERG: Raab

SCHENKENHAHN: Friedrich

SCHLAN: Michel

SCHLUCKENAU: Otto

SCHÖNWALD (há mais de uma): Huf , Steiner

SCHUMBURG: Richter, Swarowsky

SILBERBERG: Bayerl

SONNENBERG: Hanel, Wand

SPITZBERG: Katzer, Kriesten, Schindler

STADTLER: Hoffmann, Müller, Schiessl, Uhlig (Uhlich), Uhlmann, Wolf (Wolff)

STEINSCHÖNAU: Richter, Ritschel

ST. KATHARINA: Augustin, Drechsler, Grossl, Hoffmann, Lobermeyer (Lobermayer), Maurer (Mauerer), Münch, Rank, Stuiber (Stüber)

SVAROV: Balatka

TACHAU: Wächter

TANNWALD: Brückner, Endler, Feix, Hillebrand, Horn, Nigrin, Schnabel, Schwarz, Seibt

TIEFENBACH: Tureck, Umann

ULLERSDORF: Köhler, Zeithammer

UNTERMARKTSCHLAG: Naderer

VOITSDORF: Schlinzig

WALDAU: Duffeck

WEGSTÄDTL: Neumann

WEISSKIRCHEN: Hoffmann

WIESENTHAL: Dietrich (Ditrich), Fischer, Haupt, Hoffmann, Jantsch, Koliska, Krupka, Ludwig, Lung, Nowotny, Pfeiffer, Rössler, Scholz(e), Wöhl (Woehl), Zimmermann

WURZELSDORF: Hermann, Korbelar, Krause, Neumann, Schier

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Um dia, o prédio mais alto de São Bento já foi o Edifício Castelo Branco, na Rua Felipe Schmidt, como atesta essa matéria, publicada no jornal Tribuna da Serra de 24.02.1973.

Nenhum texto alternativo automático disponível.

 

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Já tratamos aqui da passagem da poetisa Maria Kahle por São Bento, ainda na década de 1910, cogitando que ela também devia ter passado pela cidade na década de 1930, quando começou a percorrer as colônias alemãs do mundo todo fazendo propaganda do regime nazista. Agora podemos dar essa hipótese como confirmada, pois temos o seguinte relato, tirado das cartas de Jorge Zipperer (não conhecemos o tradutor), sobre a visita de Maria Kahle em 1934:

“Há poucas semanas recebemos em nossa região a poetisa alemã Maria Kahle, a qual foi recebida em todas as comunidades alemãs, pois ela trabalha muito para preservar a cultura alemã. Por tudo ela foi recebida com muita cordialidade, mesmo pelas famílias de origem portuguesa. Mesmo a rede ferroviária arrumou-lhe um vagão especial. Em Rio Negrinho tivemos uma noite cultural. Nossa orquestra executou, primeiramente, três músicas e entre elas os “Contos dos Bosques de Viena”, de Johannn Strauss. O coral cantou duas canções, crianças de escolas cantaram o Hino Nacional Brasileiro. Depois falou a extraordinária mulher por uma hora e trinta minutos, para o salão repleto e tão atento que, se uma agulha caísse, ouvir-se-ia o seu barulho. Havia crianças, jovens, adultos e até famílias brasileiras que em sua maioria entendem a língua alemã. Maria Kahle passou em São Bento os últimos dois anos da Guerra, 1917 e 1918, e assim tornou-se muito amiga do povo daqui. Em seus escritos ela também lembrou dos alemães da Boêmia e narra sua luta pela preservação de sua cultura, bem como as dos bucovinos e dos alemães da Banat. Ela viajou por toda Boêmia, Budweiss e outras comunidades alemãs. Mas em Eger ela foi expulsa pelos tchecos. Ontem eu recebi dela uma carta do Paraguai”.

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Em 1898, depois de um baile dos imigrantes boêmios de São Bento (nos dois sentidos), decidiu-se fazer uma serenata ao juiz de direito da comarca, Manoel Pimentel de Barros Bittencourt. Queriam tocar o hino brasileiro, mas não sabiam a música de cor. Tocaram então o austríaco mesmo. Todos cantaram em coro e ao final deram um grande viva ao juiz. Este, apareceu na janela e falou algumas palavras, naturalmente em português, que ninguém conseguiu entender. Depois eles se despediram ao som da marcha Radetzky, de Strauss. E consta que no dia seguinte receberam um ofício do juiz agradecendo a homenagem.

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Não se sabe para onde estavam sendo levados, mas os bois abaixo foram flagrados no instante em que passavam pelo antigo Salão Zipperer, o “Zipprasoal”, que também era conhecido como “Cruzeiro do Sul”. O salão, de propriedade do imigrante boêmio Josef Zipperer, ficava na atual Rua Barão do Rio Branco, em frente ao Shopping Zipperer. O prédio do shopping, por sua vez, viria a ser o “Salão Independência”, de propriedade de José Zipperer Filho. Mas isso só bem depois da época em que essa foto foi tirada. No salão de Josef Zipperer, que aparentemente também servia de pousada, fez a sua sede a Sociedade Auxiliadora Austro-húngara, durante a década de 1890. Mas este salão ficou pequeno demais para os bailes promovidos pela sociedade, razão pela qual seria trocado pelo Salão Knop.

A imagem pode conter: árvore e atividades ao ar livre

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