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Posts Tagged ‘Prefeitos de São Bento do Sul’

João Filgueiras de Camargo foi um dos personagens mais interessantes da história de São Bento do Sul. Sua atuação política como líder republicano foi marcante na região. O cronista Josef Zipperer destaca sua atuação na Revolução Federalista, quando impediu que uma tragédia maior acontecesse em São Bento.

Se fossemos citar um único nome entre os tantos brasileiros que moravam na região no começo da colonização, ele provavelmente seria o mais lembrado. No entanto, só existe até hoje uma mísera ruazinha em sua homenagem. Na verdade, isso não é muito de se espantar, pois durante todos esses anos a ocupação  brasileira de São Bento tem sido ignorada ou, no máximo, tratada de forma bastante superficial, o que é realmente lamentável e prejudicial para o conhecimento do nosso passado

Aqui faço um resumo de todas as informações encontradas sobre ele, principalmente no livro de Carlos Ficker “São Bento do Sul – Subsídios Para a Sua História”. Em seguida cito os seus antepassados diretos, conforme descobri em livros de registros paroquiais em São José dos Pinhais e Curitiba. Também descendo do casal nº 3, Bernardina Maria Filgueira e Antônio Calisto de Camargo, de modo que os ancestrais desses também são os meus.


I) JOÃO FILGUEIRAS DE CAMARGO
, Prefeito Municipal, Conselheiro Municipal, Juiz de Paz, Líder do Movimento Republicano de São Bento, interventor dos são-bentenses durante os conflitos locais da Revolução Federalista em 1893, comerciante de erva-mate, e um dos fundadores da Sociedade Literária São Bento. Nascido em São José dos Pinhais no dia 12.05.1848, foi batizado no mesmo lugar em 01.06.1848.

João Filgueiras de Camargo foi também sócio do Lese und Kultur Verem “Glueckhauf” (Sociedade Cultural “Boa Fortuna”), clube fundado no primeiro domingo de agosto de 1881, no Km. 80 da Dona Francisca, com objetivos recreativos, culturais e instrutivos em assuntos de agricultura. Os 24 sócios reuniam-se semanalmente no salão do vendista Franz Neumann.

Foi em 03 de setembro de 1881, em uma reunião da sociedade, a qual consta no primeiro livro de atas, que João Filgueiras de Camargo foi aceito como sócio. A sociedade buscava promover o desenvolvimento de todos os setores da agricultura, ajudando os novos imigrantes, aconselhando-os, importando da Europa sementes de trigo, centeio, verduras, etc. Além disso, nas reuniões também eram comentados assuntos dos jornais da época, em especial do “Kolonie Zeitung”, de Joinville, e “Gartenlaube”, da Alemanha, bem como outros jornais especializados.

Para comemorar o aniversário da sociedade, o primeiro domingo de agosto era dedicado sempre à uma reunião festiva, com a presença dos familiares e animados por músicas, danças, e divertimentos variados. Essa sociedade, fundada por Martin Meister, Anton Friedrich e Johann Neumann é tida como a primeira na área colonial de São Bento e durou até julho de 1896, quando, por motivos políticos, as atividades da organização cessaram.

João Filgueiras de Camargo também figura entre os fundadores da Sociedade Literária São Bento, criada em outubro de 1881, e existente até os nossos dias. Em 28.10.1883, João foi eleito Juiz de Paz, tendo recebido 3 votos, a mesma quantidade que Augusto Henning e João Antônio da Rocha, os outros dois juizes eleitos.

João Filgueiras de Camargo foi um dos fundadores da Sociedade Literária, fundada em 1881 e que ainda existe em São Bento do Sul.

Em 30.01.1884, a Câmara Municipal de São Bento foi oficialmente instalada, conforme ofício enviado à Presidência da Província, no qual João Filgueiras de Camargo assina como um dos Conselheiros Municipais, cargo que equivalia à função de vereador. Nos dias 11 e 12 daquele mesmo mês, Filgueiras de Camargo e os demais conselheiros estiveram em Joinville, onde, diante da Câmara Municipal daquele lugar, prestaram juramento de fidelidade.

No ano seguinte, em companhia ao vereador Augusto Henning, João Filgueiras de Camargo abandou o recinto da Câmara Municipal, em sinal de protesto contra a desordem nos arquivos municipais, o que fazia com que vários conselheiros levassem documentos para suas residências.

Em outubro de 1885, o jornal “Constitucional”, veículo conservador e anti-liberal publicado em Joinville, destacava a atuação do “nosso estimado amigo Sr. João Filgueiras de Camargo”, que, fazendo do seu prestígio e grande influência, conseguiu com que a Estrada dos Fragosos, em São Bento, pudesse ter um notável melhoramento. O semanário comentava que foram 100 os trabalhadores que atuaram na melhoria da Estrada de cerca de duas léguas, “que era antes um verdadeiro precipício”, e que o resultado da obra se mostrou excelente. A Estrada dos Fragoso começava no Km. 83 da Estrada Dona Francisca e terminava, justamente, no povoado Fragoso, à margem do Rio Negro, local onde residiam importantes criadores e lavradores.

Em 12.10.1886 aconteceu nova eleição para Juiz de Paz em São Bento do Sul, tendo sido João Filgueiras de Camargo o mais votado, tendo tomado posse a 27.01.1887 no Paço do Edifício Municipal, após ter prestado juramento.  Em 1887, com o falecimento de Argemiro Loyola, a viúva Targina Celestina de Oliveira aceitou João Filgueiras de Camargo como sócio de sua firma comercial de erva-mate em Oxford, e que, tomando para si o ativo e passivo da extinta firma, passou a ter o novo nome de “João Filgueiras de Camargo & Cia”, tendo sido uma das mais importantes da região.

No mesmo ano, em 26 de junho, João Filgueiras de Camargo foi um dos signatários do Manifesto Republicano de São Bento, o qual defendia que nenhum dos partidos monárquicos poderiam trazer felicidade e progresso ao Brasil, razão pela qual, daquela data em diante, os signatários declaravam-se filiados ao Partido Republicano Federativo de São Bento, o único que, para eles, poderia levantar o país do abatimento em que se encontrava.

Na qualidade de Presidente da Câmara, que equivalia ao cargo de Prefeito Municipal, tendo sucedido o Dr. Philipp Maria Wolff em 1888, João Filgueiras de Camargo, vendo que não havia policiamento eficaz que executasse as ordens e sentenças das autoridades, no que dizia respeito às desordens que estava ocorrendo no município, foi o primeiro a advertir o Governo Provincial. Houve casos de infratores que não puderam ser chamados à responsabilidade de seus atos porque não havia meios legais para tal, uma vez que a Câmara Municipal de São Bento ainda não tinha as suas Posturas aprovadas pela Presidência da Província. Isso só aconteceu em 18.10.1888, quando as Posturas foram aprovadas pelo Coronel Augusto Fausto de Souza, presidente da Província, e aprovadas pela Assembleia Legislativa Provincial.

Em agosto de 1888, houve nova eleição para vereadores de São Bento. João Filgueiras de Camargo foi uma dos mesários da eleição que ocorreu no dia 12 daquele mês. Os resultados da eleição fizeram com que São Bento tivesse a primeira Câmara totalmente Republicana do Brasil. Levado pelo entusiasmo da vitória do Partido Republicano, João Filgueiras de Camargo lançou um manifesto nos últimos dias de 1888, no qual considerara que a Constituição Política do Império não era suficiente às liberdades e interesses do povo brasileiro, e, assim sendo, deveria ser levado por meio de petição à Assembleia Legislativa a necessidade de uma nova Constituição. A Assembleia, então, deveria dirigir uma petição ao parlamento, para que os novos deputados tivessem poderes para formar uma Assembleia Constituinte, além de fazer uma consulta ao povo sobre a conveniência em continuar com a dinastia após a morte do Imperador.

O Clube Republicano de São Bento, sob a chefia de João Filgueiras de Camargo, conseguia aumentar cada vez mais o número de sócios e, em 18.11.1889, três dias após a Proclamação da República, os membros se reuniram na casa de Carlos Stüber, em Lençol, para discutir o desenrolar de acontecimentos e formular as novas estratégias de ação. O secretário Líbero Guimarães, falando sobre os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro, apelou para que fosse criada uma comissão para mandar a ordem em São Bento. Essa comissão foi formada por João Filgueiras de Camargo, Francisco Antônio Maximiano, Francisco Bueno Franco e Francisco Gery Kamienski.

Com a elevação de São Bento para Comarca, por decreto de 12.08.1891, ocorreu nova eleição em 30.08.1891, dessa vez para Intendentes e Superintendentes, além dos Juízes de Paz. João Filgueiras de Camargo foi eleito novamente um dos Juízes de Paz.

Com a vitória de Marechal Floriano, foi acusado de ser anti-republicano, apesar de pioneiro do republicanismo em São Bento.

Participou da revolução federalista de 1893 ao lado dos maragatos gaúchos. Quando os revolucionários adentraram em São Bento, em 05.11.1893, e se depararam com uma formação de homens armados, dispararam contra eles, o que resultou na morte do cidadão Luiz Köhler.

Filgueiras de Camargo, na condição de Chefe Federalista da cidade, explicou ao comandante que aquele agrupamento objetivava apenas a proteção de São Bento diante de bandoleiros, sem que apoiassem um ou outro lado do conflito. A ação de Filgueiras impediu que aquele dia “não fosse de consequências ainda mais funestas” (ZIPPERER, 1954, p. 65), uma vez que, “sem a pronta intervenção desse cidadão, muitos teriam pago com a vida a sua imprudência” (id, p.69).

Morava no Mato Preto, numa casa com estilo europeu, e tinha boas relações com os imigrantes alemães. Faleceu assassinado às 21h de 25.05.1897, enquanto tranquilamente tomava chimarrão nos fundos de sua casa. Na época se falou em crime político, mas com o tempo, o caso ganhou conotações de crime passional. A esposa de João, durante o inquérito, acusou formalmente seu sobrinho João Elias Fragoso.

Sua esposa era Gertrudes Gomes, filha de Antônio Gomes de Camargo e sua esposa Maria Ferreira, tendo os dois se casado ainda em São José dos Pinhais no dia 20.02.1870, com dispensa no impedimento de consanguinidade no segundo grau da linha lateral, o que mostrava que os contraentes eram primos.

João Filgueiras de Camargo e sua esposa não tiveram descendência.

Pfeiffer (1999) afirma equivocadamente que Filgueiras de Camargo era casado com Maria Soares Fragoso.

II) JOAQUIM CALISTO DE CAMARGO, batizado em Curitiba no dia 26.10.1801, tendo como padrinhos os avós maternos. Casou-se com Maria Gaspar e, viúvo dessa, casou-se novamente, em São José dos Pinhais, no dia 22.08.1835 com Anna Joaquina de Camargo, batizada naquela cidade em 12.10.1813, filha de Lourenço Gomes de Oliveira, já falecido na ocasião do casamento, e Maria Joaquina, exposta na casa de João da Rocha Loures; neta paterna de Ignácio Gomes, de Paranaguá, e Anna Gomes, de Parnaíba. Foram testemunhas o Sargento-Mór Francisco de Paula Xavier, de Curitiba, e o Alferes Manoel Álvares Pereira.

III) BERNARDINA MARIA FILGUEIRA, batizada em São José dos Pinhais no dia 02.07.1782 (1B-63), como filha natural, e casada em Curitiba no dia 15.01.1799 com Antônio Calisto de Camargo, do mesmo lugar, filho de pais incógnitos, por ter sido enjeitado.

IV) JOAQUIM FRANCISCO FILGUEIRA, natural de São Miguel da Terra Firme, atual cidade de Biguaçu, e que foi casado em Curitiba no dia 07.02.1786 (4C-118) com Gertrudes Maria do Prado de Albuquerque, nascida por volta de 1865 e falecida em São José dos Pinhais no dia 24.11.1803, sendo ela filha de Paulo Moreira de Albuquerque e Antônia Rodrigues do Prado, neta paterna de José de Albuquerque e Joanna Leme da Silva, e neta materna de Manoel Pinto dos Reis e Gertrudes Nunes de Jesus.

V) JOÃO FILGUEIRA DA SILVA, natural de São João do Caraí, atual cidade de Niterói, casado em Desterro no dia 01.02.1751 com Josepha Maria da Assunção, natural da Freguesia do Espírito Santo, na Ilha Terceira, filha de Manoel Gomes e Bárbara Lucas.

VI) IGNÁCIO MOREIRA DA SILVA, casada com Izabel Filgueiras, sobre os quais ainda não se tem outras informações.

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Publicado no Jornal Evolução de 11.10.2012.

O Passado do Prefeito

Ainda durante o período eleitoral, me dispus a investigar o passado dos candidatos a prefeito de São Bento. Aproveitando as facilidades dessa vida moderna, levantei a árvore genealógica de Fernando Tureck, Flávio Schuhmacher e Magno Bollmann – e só não fiz o mesmo com Rogério Fossati por desconhecer algumas informações básicas. Passo a descrever especificamente alguns detalhes sobre os antepassados do prefeito eleito Fernando Tureck.

Naturalmente, todos conhecem o pai de Fernando Tureck. Foi o também prefeito Genésio Tureck, eleito em 1982 e falecido durante o mandato. Talvez nem todos saibam que o pai de Genésio, chamado Herberto Tureck, foi prefeito de Rio Negrinho entre 1964-1966. São, portanto, três gerações de prefeitos. Herberto era filho de Rodolfo Tureck, são-bentense e operário. Seu pai chamava-se Josef Tureck, era lavrador e nasceu na Boêmia, que na época pertencia à Áustria e atualmente é parte da República Tcheca.

Josef Tureck era filho de outro Josef Tureck, casado com Anna Grall, com quem imigrou ao Brasil em ano incerto, pois não foi encontrado seu nome nas listas de passageiros. No Brasil, o casal se estabeleceu na Estrada Dona Francisca. O pai do segundo Josef Tureck chamava-se Ignatz Tureck, casado com Rosina. É o Tureck mais antigo conhecido até agora, pentavô do prefeito eleito Fernando Tureck.

Embora nos faltem relatos sobre a vida dos Tureck na Boêmia, não é difícil imaginar que ela não era das mais agradáveis. Em sua grande maioria, os imigrantes boêmios eram gente bastante simples que vivia da roça ou, caso não tivessem terras, eram explorados pelos patrões que as tinham. Na esperança de melhores condições de vida, imigravam.

Provavelmente nunca passou pela cabeça do imigrante Tureck se meter em política. Todos os imigrantes estavam mais preocupados em sobreviver. Mas foi justamente essa gente trabalhadora que garantiu um futuro melhor aos descendentes e permitiu que eles pudessem se interessar por outras coisas – como política. Tenho a impressão de que o velho Josef Tureck se esqueceria rapidamente de todo o sofrimento e privação que passou nos primeiros anos da imigração e diria que tudo valeu a pena quando visse três gerações de prefeito entre seus descendentes.

Fernando Tureck descende ainda das famílias Anton, Müller e Wolf, todas com a mesma origem boêmia. No entanto, também é descendente de poloneses. Herberto Tureck era casado com Ana Ruzanowski, filha de Valentim e neta de Andreas Ruzanowski, que imigrou com o seu pai, também Valentim, de Dembowiec, na Galícia. Tureck descende ainda das famílias Wantowski, Sanocki e Czapiewski.

Em seu lado materno, Tureck tem ancestrais da família Hussmann, de origem protestante, imigrantes de Hamburgo, onde deviam uma vida um pouco melhor que os boêmios e poloneses. Mas seu bisavô Félix Hussmann foi casado com Frida Diener, cuja família tem origem no norte da Boêmia, mais desenvolvido. Por fim, Tureck descende da família Ritzmann, que esteve em Canoinhas mas, se eu bem entendi, esteve também no Rio de Janeiro. Também parecem vir de lugares mais prósperos na Europa.

Eis aí um resumo do que um enxerido descobriu sobre o passado do prefeito eleito.

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Há 82 anos, no dia 05 de outubro de 1930,  menos da metade dos eleitores de São Bento saiu de casa para votar no próximo Prefeito Municipal. O resultado das urnas foi um massacre. O então prefeito Luiz de Vasconcellos recebeu 94% dos votos para a sua reeleição. O adversário era José Brüsky, que conseguiu apenas 8 dos 132 votos e, como se não bastasse, teve ainda a sua candidatura questionada, por motivos ainda não muito claros.

Apesar da esmagadora votação, Luiz de Vasconcellos, que também era deputado, não chegou a tomar posse para este novo mandato. Isso porque durante aqueles mesmos dias estava começando no Rio Grande do Sul aquela que seria conhecida como a “Revolução de 30”, que levaria Getúlio Vargas ao poder no mês seguinte. Com ela, seriam nomeados interventores para os Governos Estaduais e os revolucionário tomaram também o poder de São Bento. O prefeito seria então, por pouco tempo, Reinaldo de Almeida Groth, que depois passaria o cargo a José Cordeiro.

Também nesta eleição de 5 de outubro, os eleitores votaram para Conselheiros Municipais e Juízes Distritais em São Bento. A diferença entre o número de votos, conforme se percebe na ata desta eleição, pode indicar quem era da ala conservadora e quem era da ala revolucionária. Transcrevo esta ata logo abaixo, passando as palavras para a grafia atual. Convém explicar que os eleitores votaram em mais de um candidato para Conselheiro e Juiz Distrital, e por isso a soma de votos não corresponde à de eleitores.

Ata da Eleições Municipais de 1930 em São Bento do Sul

Transcrição da ata da eleição de Prefeito Municipal, Conselheiros Municipais e Juízes Distritais. Ata dos trabalhos eleitorais da 2ª Seção do município de São Bento, Estado de Santa Catarina, para a eleição de Prefeito, Conselheiros Municipais e Juízes Distritais do 1º distrito. Aos cinco dias do mês de Outubro do ano de mil novecentos e trinta, nesta vila de São Bento, no edifício da Prefeitura Municipal e sala das sessões do Conselho Municipal, local designado para funcionar esta seção eleitoral, após instalada a mesa pela forma constante da ata anterior, às dez horas do dia, presentes os mesários Hugo Fischer como Presidente, Ricardo Raschke como Secretário e Wenceslau Kahlhofer como mesário encarregado da chamada dos eleitores, tomaram assento no recinto, separado por um gradil da sala em que se reuniam os eleitores. O Presidente apresentou os dois livros para a eleição devidamente legalizados, um para as atas e outro para as assinaturas dos eleitores e em seguida mostrou a urna aberta ao presentes, que verificaram achar-se vazia. Instalada a mesa pela forma determinada na lei, declarou o Presidente que ia começar o processo eleitoral, mandando proceder a chamada dos eleitores pela lista apresentada. Cada eleitor ao ser chamado mostrava o seu título ao Presidente, assinando a lista de presença e depositava na urna, uma a uma, três cédulas, uma para Prefeito, outra para Conselheiros Municipais e outra para Juízes Distritais. Às quinze horas, encerrada a chamada, o presidente convidou os eleitores que por ventura não tivessem votado a depositarem sobre a mesa os seus títulos, o que foi feito, fazendo-se por eles nova chamada, depois do que votaram os mesários. Terminada a votação, verificou-se que tinham assinado o livro de presença e votado centro e trinta e dois (132) eleitores, e deixado de comparar centro e trinta e cinco (135) eleitores. Aberta a urna verificou-se existirem cento e trinta e duas cédulas (132) com o rótulo para Prefeito Municipal, centro e trinta e duas (132) cédulas com o  rótulo para Conselheiros Municipais e centro e trinta e duas células (132) com o rótulo para Juízes Distritais, o que coincide com o número de eleitores que compareceram. Contadas e examinadas as cédulas pelos respectivos rótulos, passou-se a proceder a apuração, começando pela eleição de Prefeito, passando-se depois à de Conselheiros Municipais e por último os Juízes Distritais, sendo as cédulas abertas e lidas em voz alta pelo presidente e examinadas pelos demais mesários. A apuração deu o seguinte resultado: Luiz de Vasconcellos, com cento e vinte e quatro (124) votos, José Brüsky, com oito (8) votos. Para Conselheiros Municipais: Luiz Olsen, com oitenta e dois (82) votos, João Treml, com oitenta e dois (82) votos, Jorge Zipperer, com oitenta (80) votos, Félix Husmann, com oitenta (80) votos, Roberto Buchmann, com setenta e nove (79) votos, Frederico Fendrich, com setenta e nove (79) votos, Wenceslau Kahlhofer, com setenta e oito (78) votos, Guilherme Bollmann, com doze (12) votos, Max Morgenstern, com doze (12) votos, Frederico Lampe, com doze (12) votos. Foram apuradas em separado oito (8) cédulas para Conselheiros Municipais, em virtude do disposto no art. 18 § 4 do decreto nº 2.472, de 26 de maio de 1930, e que na forma do art. 18 § 5 das ditas instruções serão rubricadas e remetidas ao Poder apurador. Para juízes distritais: Ricardo Raschke, com noventa e quatro (94) votos, Adolar Schwarz, com noventa e três (93) votos, Eduardo Trinks, com noventa e três (93) votos, Olympio Vidal Teixeira, com noventa e dois (92) votos, Antônio Knopka, com oito (8) votos, Paulo E. Koetzler, com oito (8) votos, Angelo Carlini, com oito (8) votos. Terminado a apuração, pelo eleitor Olympio Vidal Teixeira foram protestados verbalmente os votos obtidos pelo candidato a Prefeito Municipal José Brüsky, alegando o mesmo protestante a ilegibilidade daquele candidato, na forma do art. 4 do decreto retro mencionado. O Presidente mandou que se fizesse constar da ata o protesto interposto, proclamando em seguida, em voz alta, o resultado, mandando afixar o edital com o resultado à porte do edifício desta seção, determinando que se lavrasse a presente ata da qual serão extraídas três cópias para serem remetidas, uma ao Presidente do Conselho Municipal, uma ao Presidente do Estado e outra ao Presidente da Assembleia Legislativa do Estado, e transcrevê-la no livro competente do escrivão designado para este fim, nesta seção. Eu, Ricardo Raschke, Secretário, Wenceslau Kahlhofer, mesário. Reconheço como verdadeiras as assinaturas supra de Hugo Fischer, Ricardo Raschke e Wenceslau Kahlhofer, mesários desta 2ª seção, por ter delas pleno conhecimento, do que dou fé e assino em público e… Em testemunho (estava o sinal público) da verdade. São Bento, em 5 de Outubro de 1930. O Oficial do Registro Civil, servindo de Escrivão da Mesa: (a) Erico Bollmann. Era o que se continha em dita ata da eleição, para aqui bem e fielmente transcrita do respectivo livro, do que dou fé. Eu, Erico Bollmann, Oficial do Registro Civil, servindo de Escrivão da Mesa, a transcrevi e assino com os demais membros da Mesa.

São Bento, em 5 de outubro de 1930.

Hugo Fischer – presidente

Wenceslau Kahlhofer – mesário

Erico Bollmann – escrivão

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O cearense Joaquim de Salles foi prefeito de São Bento do Sul. Quando, ninguém ter certeza ainda. Diz a Revista Comemorativa dos 75 anos de São Bento do Sul (ou seja, feita em 1948) que foi entre 06.04.1939 e 22.12.1942, e depois entre 09.01.1943 e 22.12.1945.  Teria sido prefeito por mais de seis anos, portanto. A professora Maria Elita Soares, no entanto, embasada em documentos do Arquivo Histórico de São Bento do Sul, cita Joaquim de Salles como o prefeito entre 06.01.1942 e 31.01.1943. Recentemente, o historiador José Kormann o colocou entre 1939 e 1942, apenas.

Além do período de sua gestão, a figura de Joaquim de Salles também não é lá muito conhecida na cidade.  Ele seria cearense, mas não sabemos ainda de que lugar. Sabemos que Joaquim foi padre no Paraty, atual cidade de Araquari. Lá, teria se encantado por Idazima Sprotte, filha de Germano Sprotte e Rosa Eugênia Corrêa. Pela sua condição de padre, acabou tendo de deixar o Paraty, possivelmente por ordem do bispo.

Mas Joaquim não deixou apenas o Paraty, como a própria batina. Não quis mais ser padre. E voltou para a cidade a fim de pedir a mão de Idazima em casamento. Num primeiro momento, o pedido não teria sido aceito. O ex-padre, no entanto, insistiu e acabou conseguindo. Casou-se enfim, e com sua esposa teve três filhos. Idazima faleceu no parto do terceiro deles. As informações são de Paulo Maia, descendente de um tio de Idazima.

Nos anos 50, Joaquim de Salles já se encontrava na cidade de Blumenau, onde foi professor de português no Colégio Dom Pedro II. Quem afirma é o memorialista Niels Deeke. Joaquim era pessoa bastante respeitada na cidade. Sua condição de ex-padre era conhecida de todos. Mantinha contato com o padre franciscano Frei João Capistrano Binder, professor de português no Colégio Santo Antônio.

O pesquisador Aguinaldo Fidélis comentou em lista de discussão que foi aluno, entre 1955 e 1958, de Joaquim de Salles no Ginásio Estadual Dom Pedro II. “Não era alto, tinha compleição forte e cerca de 50 anos. Casado, tinha pelo menos um filho, colega nosso no ginásio, cujo nome já não lembro. O professor tinha um sotaque e ‘cabeça chata’ que lembrava um nordestino brasileiro. Fumava uns charutões fedidos, inclusive durante as aulas”, relatou.

Ainda segundo Deeke, no começo de 1955 Joaquim de Salles, após acordo firmado com a prefeitura, foi autorizado a confeccionar um “Guia da Cidade de Blumenau”, que tinha como objetivo incentivar o intercâmbio turístico e orientar os visitantes da cidade.  No dia 30.11.1961 Joaquim de Salles recebeu o título de “Cidadão Bluemenauense” em solenidade na Câmara Municipal da cidade. Em 1964, era presidente da Associação de Imprensa e Rádio do Vale do Itajaí.

Essas são, até o momento, as informações biográficas que conseguimos coletar a respeito de do prefeito Joaquim de Salles. Curiosamente, não foi ele o primeiro cearense a comandar São Bento do Sul: entre 1915 e 1930 o prefeito foi Luiz de Vasconcellos, de Baturité/CE.

Joaquim de Salles tem em sua gestão a marca de ter criado em São Bento o “Jardim Getúlio Vargas”, nome da atual praça, e que infelizmente permanece até os nossos dias.

Em sua homenagem, Joaquim de Salles ganhou o nome de uma rua em Araquari. A rua é acompanhada do qualitativo “Prefeito”, referindo-se à sua atuação em São Bento.

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Em 2007, a professora Alda Moeller concedeu uma entrevista por telefone para a estudante Darci Rutstz, que elaborava a monografia “A Presença Feminina no Rádio da Região Norte de Santa Catarina”. Na oportunidade, Alda contou detalhes da Rádio Timbira em São Bento do Sul, idealizada e organizada em São Bento do Sul nos anos 40, no tempo em que a cidade  se chamava Serra Alta.

A Rádio Timbira, que funcionava como transmissora, foi idealizada e organizada pelo Capitão Osmar Romão da Silva, que na época era o prefeito de São Bento do Sul. A programação era diária, das 18h ou 19h até às 22h. A rádio era ouvida no centro e alguns bairros de São Bento.

Apresentava notícias em geral, mas tinha como maior audiência o noticiário social. Os ouvintes ofereciam músicas como forma de parabenizar aniversariantes.  Estes, ao se verem anunciados , costumavam mandar doces e brindes aos funcionários da rádio, em retribuição.

Faziam parte da equipe da Rádio Timbira as seguintes pessoas: o diretor Capitão Osmar Romão da Silva, Bento Garcia, Udo Klitzke, José Carvalho, Aurélio Machado, Adalberto Koch, Willy Bentlin, Montezuma de Carvalho. Como técnicos na transmissão trabalharam Antonio Siqueira e Pedro Santos.

A primeira locutora mulher convidada a participar foi a professora Alda Moeller, amiga da família do Capitão Osmar. Também participaram Nilda Faraco e Iracema de Oliveira, ambas jovens.

Segundo Alda, as reuniões de trabalho eram alegres e a equipe não se preocupava em receber remuneração. Haviam apenas as cotas que os moradores interessados pagavam como prova de apoio e incentivo.

Registrada como Serviço de Alto-Falantes, a Rádio Timbira marcou época em São Bento do Sul pela propagação de notícias locais e nacionais, contribuindo para a divulgação cultural da região. Ao encerrar suas atividades, os seus aparelhos, móveis e discoteca foram recolhidos em uma sala da Sociedade Bandeirantes.

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Leia aqui a primeira parte.

Em 1939, Osmar Romão da Silva, ainda tenente, frequentou o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na Política Militador do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, tendo se classificado em primeiro lugar. Após retornar, foi convocado pelo interventor Nereu Ramos para ser o seu ajudande de ordens no Palácio do Governo, e acabou se tornando inclusive seu amigo.

Apesar das suas atividades no governo, Osmar continuava lecionando no Curso de Sargentos da Força Pública e encontrava tempo para escrever e estudar. Em 1940 foi publicado pelo Departamento Nacional de Estatística uma monografia sua sobre Canoinhas. Em abril de 1942, lançou “Curso de Polícia”, obra com conhecimento profissional e técnico destinado a oficiais de polícia, delegados, advogados, bacharéis e militares. O livro obteve sucesso e reconhecimento nacional.

Em 12.03.1943 foi exonerado por Nereu Ramos e três dias depois nomeado delegado de polícia em São Bento do Sul. A vinda de Osmar para a cidade foi motivada por conta de uma tuberculose, e recomendava-se o clima de uma cidade serrana como São Bento. Nela, preparou trabalhos como “Unidade Geográfica do Brasil” e “Rotas Pioneiras de Santa Catarina”.

Osmar era membro da Associação Catarinense de Imprensa, e já em 1929 havia fundado com amigos em São José o semanário “O Municípios”. Em São Bento, fundou e dirigiu o jornal “O Planalto”, também semanário, para o qual escrevia regularmente. Idealizou e foi diretor também da Rádio Timbira, uma das pioneiras no Planalto Norte de Santa Catarina. No dia 23.04.1944 foi promovido a capitão. No início de 1945 foi nomeado prefeito do município de São Bento, que na época estava sendo chamado de Serra Alta.

No final do mesmo ano, colou grau como bacharel em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Paraná. A amizade com Nereu Ramos fez com que o agora Capitão Osmar Romão da Silva fosse um dos fundadores do Partido Social Democrático em São Bento do Sul, sendo eleito presidente do Diretório Regional.

No começo de 1947, seu estado de saúde se agravou. Sua filha Neide fez aniversário no dia 8 de março e a mesa de doces foi colocada de modo que Osmar pudesse vê-la apagar as velas do bolo.Seu irmão Osni Paulino da Silva, de passagem pela cidade, atendeu ao seu pedido de permanecer ali por alguns dias. No início da tarde do dia 10.03.1947, Osmar sofreu violenta hemoptise, sem que o médico Pedro Cominese pudesse fazer algo. Faleceu às 14h daquela segunda-feira, aos 35 anos.

Ainda era o prefeito de São Bento. O expediente foi encerrado em todas as repartições públicas e o comércio fechou as portas. O prefeito substituto decretou luto oficial de três dias. Amigos, autoridades, professores e alunos, além de simples cidadãos de São Bento, acorreram em grande número para a sua residência, na Rua Independência. No dia seguinte, o corpo foi translado para São José.

A 12 de março foi sepultado no Cemitério da Trindade, com acompanhamento do interventor Luiz Galotti. Houve discursos do tenente Maurício Spalding de Souza pela Força Pública e Pedro Quint pelos amigos de São Bento do Sul.

Osmar deixou trabalhos inéditos, compostos de crônicas e poesias, além de um romance inacabado chamado Sofrimento. Deixou as filhas Neda(?) Miriam (13 anos), Tereza (11 anos) e Neide (8 anos).

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O Capitão Osmar Romão da Silva foi prefeito de São Bento do Sul entre os anos de 1945 e 1947.  Ao assumir a prefeitura, contava com 32 anos de idade. A pouca idade não torna Osmar o prefeito mais jovem de São Bento do Sul apenas porque Otair Becker, ao assumir a prefeitura em 1966, tinha 31 anos. Osmar teve uma vida agitada e interessante, e veio dar as caras na cidade para tratar de problemas de saúde. Acabou não conseguindo e faleceu durante o seu mandato. Teve tempo de idealizar e organizar na cidade a Rádio Timbira, uma das pioneiras na região norte de Santa Catarina. Começo aqui um relato sobre a vida do personagem, tendo como fonte principalmente este e este site.

Osmar Romão da Silva nasceu em Florianópolis aos 23.10.1912. Foi o primeiro filho de Paulino José da Silva, dono de uma panificadora no bairro da Trindade, e sua esposa Alípia Ferreira da Silva. Os pais logo se mudaram para São José. O “Duduca”, como era conhecido em casa, demonstrou cedo ter habilidade para as letras e, ainda rapazote, foi trabalhar como revisor no jornal “O Estado”, de Florianópolis.

Estimulado por amigos, fez o exame de seleção para a Escola de Sargentos de Infantia do Exército. Foi aprovado e fez o curso de dois anos no Rio de Janeiro. Promovido a 3º sargento, serviu no 14º Batalhão de Caçadores de Florianópolis. Já era 2º sargento quando foi aprovado em terceiro lugar no concurso da Força Pública do estado, em 1931. Foi comissionado 2º tenente. Liberado peça força federal, foi efetivado no primeiro posto da força policial.

Em dezembro de 31, foi nomeado delegado de polícia em Chapecó, permanecendo até julho do ano seguinte, quando a Força Pública do estado foi colocada à disposição para agir durante a Revolução Constitucionalista de São Paulo. Osmar e os demais homens embarcaram num vapor até São Francisco do Sul e de lá seguiram de trem. O tenente Osmar recebeu três citações individuais por seu desempenho em combate, tendo sido comissionado no posto de 1º tenente.

Durante o conflito, escreveu numa pequena caderneta uma espécie de “Diário de Campanha”, de cunho fortemente social, e que foi publicado postumamente. Eis um trecho significativo desse livro:

“… Ah! Desumanidade dos homens. Vês, tu que és chefe, quantos cadáveres pelos campos? Olha para as trincheiras. Olha, vê milhares de homens sob a chuva de arma na mão, para matar o seu companheiro. Pensa e com as mãos na consciência medita sobre a viuvez e a orfandade esmolando pelas ruas, cadavérica, faminta e maltrapilha. Olha e vê, tu a quem defendemos, o espetáculos horroroso e desumano, tétrico e desolador que enfeia a história nacional. Eras tu, chefe, que deverias estar nestas sepulturas, onde se deitam agora milhares de seres vivos, recordando, talvez, sob a chuva que lhes cai nas costas, com tristeza, o pedaço de teto, embora feio, sem pintura, esquecido do mundo e sem riquezas, mas, asseado e feliz onde se agasalhava com a mulher e os filhos. Tu que expões à morte milhares de vidas, devias ser correto, estar também comendo carne com sal e bolacha dura. Sacrificas a nação e a maltratas, matando seus filhos… ”

Ao terminar o confronto, retornou as suas atividades na Força Pública, tendo sido o 1º secretário da primeira diretoria do seu Clube de Oficiais. Aos 25.02.1933, casou-se com Maria de Lourdes Mayworm. Aos 27 de julho foi promovido a 1°. tenente. Em novembro foi enviado para Curitibanos como delegado de polícia, cargo que viria a ocupar também em Lages, Herval, Cruzeiro (atualmente Joaçaba), Araranguá, e em Canoinhas por duas vezes.

Em fevereiro de 1934 nasceu a sua primeira filha. No mesmo ano foi indicado para ingresso na Maçonaria, na Loja Capitular “Regeneração Catharinense”. Recebeu o Grau de Companheiro Maçom e depois foi diplomado. Entre 1935 e 1936, como comandande interino da 1ª Companhia Isolada, em Herval, introduziu na sede da subunidade melhoramentos, como biblioteca, farmácia, enfermaria e escola.

Osmar era um intelectual cuja cultura que transparece em seus escritos só podia ser fruto de muita leitura e estudo. Na Força Pública, esteve ligado às atividades de ensino e aperfeiçoamento profissional. Escrevia sobre diversos temas, com destaque para sensibilidade com que tratava das questões sociais e humana.

Em agosto de 1938, fez uma seleção de crônicas e lançou um livro “Miséria”. Na crônica-título, Osmar diz:

“Miséria – não é só esse estado infeliz que leva o mendigo a estender a mão para pedir um níquel. Nem a situação do esfaimado que solicita uma ‘bóia’. Nem a do desgraçado que dorme na calçada (…) Miséria não é somente o dilema: morrer de fome, abraçado à filharada faminta e esquelética, ou furtar, para não sucumbir (…) Miséria não é só isto. É muito mais. Miséria não é simplesmente o estômago que almoça e não janta (…)

Que é então, também, miséria? Miséria é a causa disso. É o desperdício de centenas de contos de réis, assim, assim… É o trust que aumenta o preço do açúcar e faz a banha custar os olhos da cara. É a impaludação das populações do litoral. É queimar-se café, quando milhares de bocas não o provam, porque não o têm. Miséria é a treva de nosso interior (…)”

Este livro lhe rendeu trinta dias de prisão, aplicada pelo Comando Geral a mando do Secretário de Segurança Pública, provavelmente porque nele Osmar criticava a criação de um novo imposto pela Interventoria Estadual, a taxa de educação e saúde.

Veja a PARTE II.


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