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Posts Tagged ‘Rádio Timbira’

Em 2007, a professora Alda Moeller concedeu uma entrevista por telefone para a estudante Darci Rutstz, que elaborava a monografia “A Presença Feminina no Rádio da Região Norte de Santa Catarina”. Na oportunidade, Alda contou detalhes da Rádio Timbira em São Bento do Sul, idealizada e organizada em São Bento do Sul nos anos 40, no tempo em que a cidade  se chamava Serra Alta.

A Rádio Timbira, que funcionava como transmissora, foi idealizada e organizada pelo Capitão Osmar Romão da Silva, que na época era o prefeito de São Bento do Sul. A programação era diária, das 18h ou 19h até às 22h. A rádio era ouvida no centro e alguns bairros de São Bento.

Apresentava notícias em geral, mas tinha como maior audiência o noticiário social. Os ouvintes ofereciam músicas como forma de parabenizar aniversariantes.  Estes, ao se verem anunciados , costumavam mandar doces e brindes aos funcionários da rádio, em retribuição.

Faziam parte da equipe da Rádio Timbira as seguintes pessoas: o diretor Capitão Osmar Romão da Silva, Bento Garcia, Udo Klitzke, José Carvalho, Aurélio Machado, Adalberto Koch, Willy Bentlin, Montezuma de Carvalho. Como técnicos na transmissão trabalharam Antonio Siqueira e Pedro Santos.

A primeira locutora mulher convidada a participar foi a professora Alda Moeller, amiga da família do Capitão Osmar. Também participaram Nilda Faraco e Iracema de Oliveira, ambas jovens.

Segundo Alda, as reuniões de trabalho eram alegres e a equipe não se preocupava em receber remuneração. Haviam apenas as cotas que os moradores interessados pagavam como prova de apoio e incentivo.

Registrada como Serviço de Alto-Falantes, a Rádio Timbira marcou época em São Bento do Sul pela propagação de notícias locais e nacionais, contribuindo para a divulgação cultural da região. Ao encerrar suas atividades, os seus aparelhos, móveis e discoteca foram recolhidos em uma sala da Sociedade Bandeirantes.

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Leia aqui a primeira parte.

Em 1939, Osmar Romão da Silva, ainda tenente, frequentou o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na Política Militador do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, tendo se classificado em primeiro lugar. Após retornar, foi convocado pelo interventor Nereu Ramos para ser o seu ajudande de ordens no Palácio do Governo, e acabou se tornando inclusive seu amigo.

Apesar das suas atividades no governo, Osmar continuava lecionando no Curso de Sargentos da Força Pública e encontrava tempo para escrever e estudar. Em 1940 foi publicado pelo Departamento Nacional de Estatística uma monografia sua sobre Canoinhas. Em abril de 1942, lançou “Curso de Polícia”, obra com conhecimento profissional e técnico destinado a oficiais de polícia, delegados, advogados, bacharéis e militares. O livro obteve sucesso e reconhecimento nacional.

Em 12.03.1943 foi exonerado por Nereu Ramos e três dias depois nomeado delegado de polícia em São Bento do Sul. A vinda de Osmar para a cidade foi motivada por conta de uma tuberculose, e recomendava-se o clima de uma cidade serrana como São Bento. Nela, preparou trabalhos como “Unidade Geográfica do Brasil” e “Rotas Pioneiras de Santa Catarina”.

Osmar era membro da Associação Catarinense de Imprensa, e já em 1929 havia fundado com amigos em São José o semanário “O Municípios”. Em São Bento, fundou e dirigiu o jornal “O Planalto”, também semanário, para o qual escrevia regularmente. Idealizou e foi diretor também da Rádio Timbira, uma das pioneiras no Planalto Norte de Santa Catarina. No dia 23.04.1944 foi promovido a capitão. No início de 1945 foi nomeado prefeito do município de São Bento, que na época estava sendo chamado de Serra Alta.

No final do mesmo ano, colou grau como bacharel em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Paraná. A amizade com Nereu Ramos fez com que o agora Capitão Osmar Romão da Silva fosse um dos fundadores do Partido Social Democrático em São Bento do Sul, sendo eleito presidente do Diretório Regional.

No começo de 1947, seu estado de saúde se agravou. Sua filha Neide fez aniversário no dia 8 de março e a mesa de doces foi colocada de modo que Osmar pudesse vê-la apagar as velas do bolo.Seu irmão Osni Paulino da Silva, de passagem pela cidade, atendeu ao seu pedido de permanecer ali por alguns dias. No início da tarde do dia 10.03.1947, Osmar sofreu violenta hemoptise, sem que o médico Pedro Cominese pudesse fazer algo. Faleceu às 14h daquela segunda-feira, aos 35 anos.

Ainda era o prefeito de São Bento. O expediente foi encerrado em todas as repartições públicas e o comércio fechou as portas. O prefeito substituto decretou luto oficial de três dias. Amigos, autoridades, professores e alunos, além de simples cidadãos de São Bento, acorreram em grande número para a sua residência, na Rua Independência. No dia seguinte, o corpo foi translado para São José.

A 12 de março foi sepultado no Cemitério da Trindade, com acompanhamento do interventor Luiz Galotti. Houve discursos do tenente Maurício Spalding de Souza pela Força Pública e Pedro Quint pelos amigos de São Bento do Sul.

Osmar deixou trabalhos inéditos, compostos de crônicas e poesias, além de um romance inacabado chamado Sofrimento. Deixou as filhas Neda(?) Miriam (13 anos), Tereza (11 anos) e Neide (8 anos).

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O Capitão Osmar Romão da Silva foi prefeito de São Bento do Sul entre os anos de 1945 e 1947.  Ao assumir a prefeitura, contava com 32 anos de idade. A pouca idade não torna Osmar o prefeito mais jovem de São Bento do Sul apenas porque Otair Becker, ao assumir a prefeitura em 1966, tinha 31 anos. Osmar teve uma vida agitada e interessante, e veio dar as caras na cidade para tratar de problemas de saúde. Acabou não conseguindo e faleceu durante o seu mandato. Teve tempo de idealizar e organizar na cidade a Rádio Timbira, uma das pioneiras na região norte de Santa Catarina. Começo aqui um relato sobre a vida do personagem, tendo como fonte principalmente este e este site.

Osmar Romão da Silva nasceu em Florianópolis aos 23.10.1912. Foi o primeiro filho de Paulino José da Silva, dono de uma panificadora no bairro da Trindade, e sua esposa Alípia Ferreira da Silva. Os pais logo se mudaram para São José. O “Duduca”, como era conhecido em casa, demonstrou cedo ter habilidade para as letras e, ainda rapazote, foi trabalhar como revisor no jornal “O Estado”, de Florianópolis.

Estimulado por amigos, fez o exame de seleção para a Escola de Sargentos de Infantia do Exército. Foi aprovado e fez o curso de dois anos no Rio de Janeiro. Promovido a 3º sargento, serviu no 14º Batalhão de Caçadores de Florianópolis. Já era 2º sargento quando foi aprovado em terceiro lugar no concurso da Força Pública do estado, em 1931. Foi comissionado 2º tenente. Liberado peça força federal, foi efetivado no primeiro posto da força policial.

Em dezembro de 31, foi nomeado delegado de polícia em Chapecó, permanecendo até julho do ano seguinte, quando a Força Pública do estado foi colocada à disposição para agir durante a Revolução Constitucionalista de São Paulo. Osmar e os demais homens embarcaram num vapor até São Francisco do Sul e de lá seguiram de trem. O tenente Osmar recebeu três citações individuais por seu desempenho em combate, tendo sido comissionado no posto de 1º tenente.

Durante o conflito, escreveu numa pequena caderneta uma espécie de “Diário de Campanha”, de cunho fortemente social, e que foi publicado postumamente. Eis um trecho significativo desse livro:

“… Ah! Desumanidade dos homens. Vês, tu que és chefe, quantos cadáveres pelos campos? Olha para as trincheiras. Olha, vê milhares de homens sob a chuva de arma na mão, para matar o seu companheiro. Pensa e com as mãos na consciência medita sobre a viuvez e a orfandade esmolando pelas ruas, cadavérica, faminta e maltrapilha. Olha e vê, tu a quem defendemos, o espetáculos horroroso e desumano, tétrico e desolador que enfeia a história nacional. Eras tu, chefe, que deverias estar nestas sepulturas, onde se deitam agora milhares de seres vivos, recordando, talvez, sob a chuva que lhes cai nas costas, com tristeza, o pedaço de teto, embora feio, sem pintura, esquecido do mundo e sem riquezas, mas, asseado e feliz onde se agasalhava com a mulher e os filhos. Tu que expões à morte milhares de vidas, devias ser correto, estar também comendo carne com sal e bolacha dura. Sacrificas a nação e a maltratas, matando seus filhos… ”

Ao terminar o confronto, retornou as suas atividades na Força Pública, tendo sido o 1º secretário da primeira diretoria do seu Clube de Oficiais. Aos 25.02.1933, casou-se com Maria de Lourdes Mayworm. Aos 27 de julho foi promovido a 1°. tenente. Em novembro foi enviado para Curitibanos como delegado de polícia, cargo que viria a ocupar também em Lages, Herval, Cruzeiro (atualmente Joaçaba), Araranguá, e em Canoinhas por duas vezes.

Em fevereiro de 1934 nasceu a sua primeira filha. No mesmo ano foi indicado para ingresso na Maçonaria, na Loja Capitular “Regeneração Catharinense”. Recebeu o Grau de Companheiro Maçom e depois foi diplomado. Entre 1935 e 1936, como comandande interino da 1ª Companhia Isolada, em Herval, introduziu na sede da subunidade melhoramentos, como biblioteca, farmácia, enfermaria e escola.

Osmar era um intelectual cuja cultura que transparece em seus escritos só podia ser fruto de muita leitura e estudo. Na Força Pública, esteve ligado às atividades de ensino e aperfeiçoamento profissional. Escrevia sobre diversos temas, com destaque para sensibilidade com que tratava das questões sociais e humana.

Em agosto de 1938, fez uma seleção de crônicas e lançou um livro “Miséria”. Na crônica-título, Osmar diz:

“Miséria – não é só esse estado infeliz que leva o mendigo a estender a mão para pedir um níquel. Nem a situação do esfaimado que solicita uma ‘bóia’. Nem a do desgraçado que dorme na calçada (…) Miséria não é somente o dilema: morrer de fome, abraçado à filharada faminta e esquelética, ou furtar, para não sucumbir (…) Miséria não é só isto. É muito mais. Miséria não é simplesmente o estômago que almoça e não janta (…)

Que é então, também, miséria? Miséria é a causa disso. É o desperdício de centenas de contos de réis, assim, assim… É o trust que aumenta o preço do açúcar e faz a banha custar os olhos da cara. É a impaludação das populações do litoral. É queimar-se café, quando milhares de bocas não o provam, porque não o têm. Miséria é a treva de nosso interior (…)”

Este livro lhe rendeu trinta dias de prisão, aplicada pelo Comando Geral a mando do Secretário de Segurança Pública, provavelmente porque nele Osmar criticava a criação de um novo imposto pela Interventoria Estadual, a taxa de educação e saúde.

Veja a PARTE II.


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